Marta Maia
Marta Maia
10 Set, 2019 - 09:28
Por que deve falar de dinheiro com os seus pais o quanto antes?

Por que deve falar de dinheiro com os seus pais o quanto antes?

Marta Maia

Saiba por que motivo é tão importante saber como estão as finanças dos seus pais e quem pode tomar decisões em caso de incapacidade.

O artigo continua após o anúncio

Conversar com os pais sobre dinheiro e compreender como anda a saúde financeira deles é fundamental quando chegamos à idade adulta. E é sobre isso que vamos falar agora.

Comecemos assim: falar de dinheiro não é fácil. Somos obrigados a admitir os erros, ou a reconhecer que temos umas poupanças generosas preparadas para o futuro. Receamos ser julgados ou invejados, é um tema demasiado privado para falar abertamente.

Quando em causa estão os nossos pais, as coisas não ficam mais fáceis: eles cuidaram sempre de nós, ensinaram-nos o que sabemos hoje e sustentaram-nos durante boa parte da nossa vida. Ainda assim, aquela conversa sobre dinheiro vai ter de acontecer. E convém que aconteça o quanto antes.

Porquê querer saber do dinheiro dos seus pais

Resultado de imagem para site e-konomista.pt reforma

Não tem nada que ver com heranças, partilhas ou cobiça, mas antes com responsabilidade e abertura para encarar o futuro. Os seus pais não vão ser jovens e independentes para sempre. Pode dar-se o caso de um deles ficar sozinho de repente se o outro falecer. Podem ainda, em função da idade ou de uma situação de doença, tornar-se pessoas vulneráveis e dependentes.

Num cenário de falecimento de um dos seus pais, saberá o outro organizar tudo o que é preciso organizar? Sabe o dinheiro que tem, onde está guardado e onde está aplicado? E se ficarem dependentes ou psicologicamente incapacitados, quem pode decidir por eles? Quem tem acesso aos bens e às contas bancárias?

Numa situação de dependência, cabe aos filhos agirem no melhor interesse dos pais. Se não souber o que os seus pais têm e onde, pode passar um mau bocado a desenrolar processos legais e burocráticos para conseguir por ordem nas finanças da família – um stress que certamente dispensa bem quando lida com um pai ou uma mãe doente.

Falar de dinheiro com os pais é preparar o futuro. É saber em que ponto estão, se têm alguma dívida, o que têm guardado e o que podem pagar caso necessitem de cuidados permanentes. É uma defesa para todos.

Como abordar o tema

É natural que os seus pais ofereçam resistência a uma conversa como esta. Pela cabeça podem passar-lhes mil e uma ideias erradas: que está interessado na herança, que quer saber se os seus irmãos não vão ficar com mais coisas, que quer tirar-lhes alguma coisa. Vai ter de ser frontal e claro para não ser mal interpretado.

O artigo continua após o anúncio

Comece a conversa por explicar a necessidade de falarem sobre o tema um dia. Dependendo da reação deles, essa conversa pode nem acontecer nesse momento, mas pelo menos vai preparando os dois para que comecem a aceitar a ideia.

Explique que é para o bem de todos, que não vai mexer em nada nem quer controlar o dinheiro de ninguém. Que não vai querer relatórios do que gastam nem tão pouco vai andar a pesquisar os movimentos das contas. Só quer mesmo um plano geral, saber o que há e onde, para, em caso de necessidade, saber onde ir buscar a verba para lhes pagar os cuidados de que precisam.

Sobretudo, é importante ir com calma. Ninguém gosta de ser confrontado com a própria finitude, nem com a possibilidade de ficar dependente. Seja sensível à delicadeza do tema e dê espaço aos seus pais se perceber que o assunto os deixa ansiosos.

Inclua os irmãos

Se tiver irmãos, é importante que não os deixe de fora desta conversa sobre dinheiro, sobretudo porque também podem interpretar mal as suas ações se vierem a saber depois que a conversa aconteceu. Diga-lhes que planeia falar com os pais sobre dinheiro e explique muito bem porquê; convide-os a estarem presentes nessa conversa ou ofereça-se para os atualizar sobre os resultados depois.

O importante é que, independentemente da relação que haja entre os irmãos, ninguém fique com a sensação de que está a ser deixado de parte ou de que algo está a ser feito nas suas costas. Fale abertamente sobre o tema e faça por fornecer todos os detalhes que lhe pedirem.

Se a relação com os irmãos assim o permitir, aproveite e acerte detalhes com eles também: quem está disponível para cuidar dos pais se e quando eles precisarem, quem está disponível para cuidar da gestão financeira dos pais quando eles já não forem capazes… Deixem tudo mais ou menos acertado o quanto antes. Se não vier a ser necessário, ótimo. Se vier a ser necessário, não vão perder tempo a discutir na urgência do momento e podem focar-se no que mais importa: o bem-estar dos vossos pais.

Trate da burocracia

É possível fazer o testamento em vida, bem como assinar procurações que só têm validade em caso de comprovada incapacidade psicológica. Também é possível apontar ao banco uma pessoa que pode ter acesso aos seus bens se estiver incapacitado.

Estes são alguns dos documentos que podem e devem ser tratados antes de acontecer o pior. Se tem abertura suficiente com os seus pais, peça-lhes que deixem claras as suas vontades, desejos e preocupações. Confirme a forma como eles querem que tudo seja gerido, faça os documentos que lhe dão poder de decisão caso seja necessário.

O artigo continua após o anúncio

Se ajudar à aceitação por parte dos pais, procurem um advogado que os ajude a garantirem-se em vida através de contratos e procurações. Afinal, o importante é que tudo seja mais ágil no pior dos cenários.

Acima de tudo, antecipe-se. Não empurre esta conversa com a barriga, porque todos sofrem mais se as coisas correrem mal. A antecipação pode doer, mas nada dói mais do que enfrentar o destino sem estar preparado para ele.

Veja também
Partilhar Tweet Pin E-mail WhatsApp