Share the post "Um mergulho na Foz do Cobrão: piscina natural, xisto e história"
Entre as encostas da Serra das Talhadas e o leito do rio Ocreza esconde-se uma das aldeias mais autênticas da Beira Baixa, a Foz do Cobrão.
Este pequeno povoado de casas de xisto ficou conhecido pela sua piscina fluvial de águas cristalinas, mas guarda muito mais para quem se dispõe a explorar as suas ruas estreitas, os moinhos recuperados e a paisagem geológica que o rodeia.
Para melhor se situar, a Foz do Cobrão situa-se no extremo noroeste do concelho de Vila Velha de Ródão, Castelo Branco, no ponto exato em que o ribeiro do Cobrão desagua no rio Ocreza.
A aldeia fica no sopé da encosta oeste da Serra das Talhadas, junto à fronteira com o concelho de Proença-a-Nova, integrada na região do Geopark Naturtejo da Meseta Meridional.
Apesar de já não integrar oficialmente a Rede das Aldeias de Xisto, o povoado continua a preservar a arquitetura tradicional em pedra de xisto que carateriza esta zona do interior de Portugal.
Foz do Cobrão: a piscina fluvial mais procurada
O grande cartaz turístico do lugar é a Zona de Lazer da Foz do Cobrão, também conhecida como Penedo dos Cágados.
Trata-se de um local aprazível e propício à realização de atividades de lazer, frequentado por centenas de pessoas durante o verão, sobretudo depois da intervenção de requalificação e valorização realizada em 2016.
Essa intervenção transformou um troço do ribeiro do Cobrão com cerca de 120 metros numa autêntica piscina natural, resultado da recuperação de um antigo açude.
A água represada forma uma espécie de piscina infinita, com uma pequena cascata associada, popularmente chamada Cascata do Poço de Mel, e um enorme penedo que serve de ponto de fotografia obrigatório junto à entrada do plano de água.
Em 2021, o espaço foi novamente melhorado, com a construção de balneários, um bar de apoio com esplanada, equipamento de salvamento, parque de estacionamento e acessos para pessoas com mobilidade reduzida, tornando a visita mais confortável para famílias e grupos.

Informação prática sobre a época balnear
- Entrada: gratuita
- Estacionamento: gratuito
- Época balnear 2025: de 1 de junho a 14 de setembro
Núcleo Museológico do Linho e da Tecelagem
A ligação da aldeia à água não se esgota no lazer. Historicamente, o ribeiro do Cobrão foi a força motriz de dezenas de pisões e rodas hidráulicas, associando para sempre a história da aldeia às indústrias tradicionais do linho e da lã.
Essa memória está hoje preservada no Núcleo Museológico do Linho e da Tecelagem, instalado no Centro de Interpretação da Aldeia de Xisto, onde é possível conhecer todo o processo de produção do linho, desde a sementeira até ao tecido final, uma tradição com raízes que remontam à presença romana na região.
Portas de Almourão: um geossítio a visitar
A poucos minutos da aldeia encontram-se as Portas de Almourão, uma garganta rochosa formada pela ação erosiva do rio Ocreza entre a Foz do Cobrão e a localidade de Sobral Fernando, já no concelho de Proença-a-Nova.
É considerado um dos geossítios mais impressionantes do Geopark Naturtejo, com escarpas talhadas em rocha com centenas de milhões de anos.
O local tem também um valor ecológico assinalável: nas escarpas nidifica uma colónia de grifos, além de outras espécies protegidas como a cegonha-preta, o bufo-real, a garça-real e a águia-cobreira, enquanto no rio é possível avistar lontras.
Para observar aves de rapina em voo sobre o vale, os primeiros dias de sol da primavera costumam ser a altura mais recompensadora.

Caminhada no Caminho do Xisto da Foz do Cobrão
A melhor forma de ligar todos estes pontos de interesse é a pé, através do Caminho do Xisto da Foz do Cobrão (PR3 VVR).
Trata-se de um percurso circular com cerca de 11,3 quilómetros, que pode ser feito em ambos os sentidos e tem início junto à igreja da aldeia, onde existe estacionamento, sanitários e acesso ao centro de interpretação.
Ao longo do trajeto, o caminho atravessa socalcos de oliveiras, moinhos antigos e miradouros sobre o vale do Ocreza, culminando junto às Portas de Almourão.
Mais pontos de interesse na aldeia
Vale a pena reservar tempo para caminhar pelas ruas estreitas da Foz do Cobrão e descobrir outros vestígios do passado agrícola e artesanal da terra.
- O antigo moinho de rodízio, recuperado e aberto a visitas, que dá uma ideia clara de como a força da água era aproveitada no passado.
- Os socalcos de oliveiras, sustentados por muros de xisto, que continuam a produzir um azeite muito apreciado na região.
- O garimpo de ouro na ribeira do Cobrão e no rio Ocreza, uma tradição ancestral ainda hoje praticada por alguns curiosos, e que está na origem de lendas locais sobre “ouro” escondido nas águas.
- O forno comunitário e os antigos conhais, testemunhos da vida coletiva de uma aldeia serrana.
Como chegar à Foz do Cobrão
A aldeia fica a poucos quilómetros da sede do concelho, Vila Velha de Ródão, sendo o acesso feito por estrada regional a partir da EN241 ou da EN18, consoante o ponto de partida.
Para quem vem de Castelo Branco, Abrantes ou Proença-a-Nova, a viagem costuma demorar entre 30 e 50 minutos de carro.