Covid-19
Especial Covid-19
Descomplicamos a informação sobre o novo Coronavírus
Mónica Carvalho
Mónica Carvalho
21 Ago, 2020 - 13:04

Portas de Rodão: a entrada para um lugar mágico

Mónica Carvalho

Alguns quilómetros depois de chegar a Portugal, o Rio Tejo entra num estreitamento que aprece ter sido esculpido à mão. Conheça melhor as Portas de Rodão.

Vista das Portas de Rodão

A Natureza sabe mesmo o que faz e as Portas de Rodão são um bom exemplo disso mesmo. Um simples estreitamento que está longe de ser um mero acidente geológico: é antes um local que alberga uma impressionante garganta rochosa que atravessa o Rio Tejo já em território português.

Esta formação geológica é considerada um dos pontos mais bonitos e curiosos da região de Vila Velha do Rodão, no Centro de Portugal. O nome não lhe foi atribuído, então, por acaso: as enormes rochas parecem mesmo erguer-se como que simulando umas portas que guardam o rio e a vila, só lá deixando entrar quem for merecedor disso mesmo.

Não é difícil deixar-se impressionar por este miradouro natural fabuloso, cuja vista é mesmo de cortar a respiração. E até os animais parecem entender isso mesmo nas Portas de Rodão. Afinal, por lá nidificam diversas espécies raras de aves, mas também abundam vários animais selvagens, como o javali, o veado, a raposa, o ginete, a lebre, o coelho, o saca-rabos, o gato bravo e as lontras

como se formaram as Portas de Rodão?

Vista aérea das Portas de Rodão

Bem junto ao Rio Tejo, a meio caminho entre Portalegre e Castelo Branco, acedendo pela A23, passando por Abrantes e saindo no nó de Vila Velha de Ródão; ou vindo do Alentejo, via Nisa, seguindo para norte pela N18: são estes os caminhos a tomar se desejar conhecer as Portas de Rodão.

A zona rochosa resultante da interseção do duro relevo quartzítico da serra das Talhadas com o curso do rio Tejo é formada por duas paredes escarpadas, com uma altura de 170 metros. Este design natural faz realmente lembrar a existência de duas portas, uma mais a norte, no concelho de Vila Velha de Rodão, e outra no concelho de Nisa, que fazem um estreitamento do rio.

Para chegar a este resultado impressionante, foram precisos 2,5 milhões de anos de erosão, visíveis aos olhos mais experientes e mais evidente na margem direita a montante deste local que é considerado Monumento Natural.

No local existe um miradouro para apreciação de toda a zona, em segurança, assim como de um parque de estacionamento gratuito.

castelo de almourol
Não perca 10 castelos de Portugal para conhecer e viver a história

Das Portas ao Castelo: a lenda do Rei Wamba

Reza a lenda que rodeia as Portas de Rodão – quantos contos populares não começam afinal assim – que em tempos, ali viveu o rei Wamba, o Rei Visigodo da Hispania, cuja reinado durou entre 672 a 680, e cuja vida foi marca pelo constante combate aos Mouros.

Por azar, a esposa do rei Wamba apaixonou-se pelo rei mouro. Para viver o amor correspondido, o rei mouro tentou raptá-la, fazendo um túnel que passaria por baixo do Tejo. Mas quando dizem que o amor é cego não parecem estar enganados, porque os cálculos para o túnel forem mal-executados e o buraco saiu ao nível das águas.

Assim que descobriu o buraco, o rei Wuamba decidiu “oferecer” a mulher ao arqui-inimigo, mas não o fez a bem. Atou-a à mó de um moinho, que fez rolar pelas encostas até ao Rio Tejo. Lenda ou não, o que é certo é que pelos locais onde a mó com a mulher passou nunca mais nasceu qualquer vegetação – poderá comprovar isso mesmo quando visitar a região.

Para relembrar o passado, o que outrora foi o castelo do rei Wamba, situado no topo da porta norte, é hoje uma pequena atalaia que foi recentemente objeto de obras de recuperação, servindo como ponto de observação de aves e da paisagem. Para lá chegar, deverá, primeiramente, respirar fundo – o trajeto é longo e de grande exigência – e, depois, cruzar a pequena passagem de nível que fica do lado norte da ponte e subir a estrada que se prolonga por cerca de três quilómetros, tomando depois uma pequena estrada à esquerda.

Um paraíso para as aves

As Portas de Ródão são um local altamente privilegiado para a investigação de fauna e avifauna, onde podem ser observadas mais de cem espécies de aves, muitas delas consideradas em vias de extinção e algumas raras:

  • Aves aquáticas: corvo-marinho-de-faces-brancas;
  • Grandes aves terrestres: cegonha-preta, grifo, águia de Bonelli, pica-pau-verde;
  • Passeriformes: alvéola-branca, ferreirinha-alpina, melro-azul, toutinegra-de-cabeça-preta, chapim-de-poupa, chapim-carvoeiro, pega-rabuda;
  • Raridades: grifo de Rüppell, andorinhão-cafre.
Ponte de Vila Velha de Rodão

Sobre Vila Velha de Ródão

As Portas de Rodão pertencem ao concelho de Vila Velha de Ródão, uma região marcada pelos contrastes de ser uma terra interior banhada pelo rio Tejo, mas também pelas paisagens naturais deslumbrantes, cheia de recursos naturais, o que a torna num grande chamativo para várias espécies de fauna e flora, mas também para a civilização. Foi essa mesma riqueza que garantiu a sobrevivência das primeiras populações humanas que, desde a pré-história, se fixaram na região.

Além das referenciadas Portas de Rodão e do Castelo do rei Wamba, é de destacar também na região a existência do Complexo de Arte Rupestre do Vale do Tejo, considerado um dos mais importantes conjuntos de arte pós-paleolítico da Europa. É constituído por mais de 20 mil gravuras e a sua descoberta conduziu a várias campanhas de salvamento arqueológico até à sua quase completa submersão, em 1974, devido à construção da barragem do Fratel.

Em altura de férias ou até mesmo para um getaway de fim de semana, este é um destino a ter em conta para conhecer com calma. Irá apreciar especialmente o facto de poder viver com calma, com vagar, ao mesmo tempo que irá deliciar o estômago e o apetite com as delícias gastronómicas da região.

Veja também