Assunção Duarte
Assunção Duarte
13 Jan, 2021 - 15:30

O gato morde-lhe as mãos? A culpa pode ser das suas brincadeiras

Assunção Duarte

Brincar com o seu bichano pode não ser uma atividade inocente. A forma como o faz pode ditar se o gato lhe morde nas mãos ou não.

Gato morde-lhe nas mãos

O seu gato morde-lhe as mãos durante as brincadeiras ou mesmo durante uma sessão de festas normais? Ele é incapaz de resistir aos seus dedos quando o vê a teclar ou a mexer numa caneta? Talvez a forma como brinca com ele tenha incentivado este comportamento. 

Os gatos são felinos que caçam de forma furtiva. Perseguem a presa, escondem-se, fazem-lhe emboscadas e atacam de repente. As suas mãos podem estar a fazer o papel de presa e é importante que deixem de o ser. 

Gato morde-lhe as mãos: as razões

Numa ninhada de gatos, morder e dar patadas faz parte da forma como os irmãos brincam e a própria mãe entra neste jogo. Sendo animais carnívoros, que têm de caçar outros animais para comer, este tipo de brincadeira é essencial para a sua futura sobrevivência. Imita na perfeição a forma como os gatos atacam, agarram e mordem as suas presas.

Mas na ninhada os irmãos ensinam uns aos outros a utilização de uma mordidela controlada. Quando algum exagera, o irmão queixa-se miando alto e recusando brincar com ele durante algum tempo. A própria mãe, se estiver por perto, também o vai disciplinar. Quando os gatinhos saem demasiado cedo da ninhada, não aprendem a moderar a sua dentada. 

Há ainda a questão de que uma mordidela moderada entre irmãos, que têm uma camada de pelo a proteger a pele, pode ainda assim ser demasiado para as suas mãos, pés, braços ou pernas que têm pele nua. É preciso por isso que os novos tutores continuem a educação para a mordidela controlada. O objectivo é que eles percebam que as suas mãos não são caça.

Gato morde-lhe as mãos: dicas para ele não morder

Mulher a brincar com gato

Nunca use mãos ou pés na brincadeira

Nunca deve utilizar as próprias mãos ou pés durante uma brincadeira em que o seu gato está a ser demasiado agressivo. É a forma mais eficaz dele não ter vontade de as morder porque se utilizar as mãos estará a enviar-lhe uma mensagem clara: morder a sua carne é um comportamento aceitável. 

Se ele conseguir morder alguma parte do seu corpo, contrarie a sua vontade de fugir. Se conseguir evitar, não se afaste porque vai dar-lhe a ideia de que é uma presa que tenta escapar. Essa fuga fará com que o seu gato tenha o instinto de o atacar fazendo-o prender ainda com mais força. 

Empurre o gato lenta, mas firmemente. A presa não agiria assim e esse comportamento vai confundi-lo o que pode fazer com que ele o solte. Diga-lhe “não” com firmeza e retire-se da brincadeira por alguns momentos para que ele perceba que não é aceitável. 

Se tornar a brincadeira uma sessão de luta livre, ele vai morder

Usar as mãos para imobilizar o seu gato vai fazer com que ele adopte uma postura defensiva. Não é uma brincadeira justa para ele, que não tem a força de um humano. Ele vai querer defender-se, arranhando e mordendo, mesmo que esse não seja o seu comportamento habitual. Ensine as crianças que com ele convivem a nunca o forçar neste tipo de brincadeira. 

Não grite nem lhe bata se morder

Gritar ou bater no seu gato quando ele morde pode provocar problemas comportamentais. Um gato stressado pelos seus gritos e com medo do seu tutor pode urinar fora da caixa, marcar território em sítios pouco desejáveis, ou desenvolver comportamentos agressivos com o tutor ou quem mais viver e visitar o seu território: a sua casa.

Não use luvas com brinquedos pendurados

A luva apenas significaria uma extensão da sua mão e o seu gato percebe bem o que está lá dentro. Como a luva aguenta maior agressão do que a pele nua, esta brincadeira apenas vai intensificar o comportamento que queremos  evitar. 

Use sempre um brinquedo entre as suas mãos e o corpo dele

Um gato sem acesso às suas mãos ou pés para brincar, precisa na mesma de se divertir, fazer exercício e criar uma relação amigável como seu tutor. 

É aqui que entram em jogo os brinquedos que protegem as mãos dos tutores e mantêm os comportamentos naturais do seu gato. Estes são alguns dos brinquedos que melhor funcionam e que serão irresistíveis para o seu gato:

Brinquedos de varinha

Aqueles que têm penas ou um objecto atrativo agarrado a uma varinha de plástico comprida. São muito interativos pois pode controlá-los e imitar o comportamento de uma presa em fuga. Mas não balance o brinquedo agressivamente na cara do seu gato, porque nenhuma presa se oferece de mão beijada. Esse movimento, feito deliberadamente na sua direção, é confuso para ele e pode ser interpretado como uma ameaça que transforma o brinquedo num oponente mais do que numa presa que o seu gato quer perseguir.

Brinquedos de arremesso

Todos os que pode atirar para o seu gato perseguir. Incluem-se nestes os brinquedos de alimentação, que conseguem manter lá dentro alguma comida que o seu gato terá todo gosto em “caçar”. 

Brinquedos próprios para receber patadas

Todos os que de alguma forma podem permitir o seu gato agarrar e usar as patas traseiras. Os mais eficazes são os que têm uma forma longa, como uma almofada comprida, e que podem também ser associados a uma varinha para serem controlados pelo tutor.

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Deixe o seu gato apanhar a “presa” 

Quando brinca com um destes brinquedos deixe que o seu gato apanha a “presa” depois de algum esforço. Se ele nunca conseguir agarrá-la só vai ficar mais frustrado e a brincadeira é contraproducente. É aqui que corre riscos e o gato morde-lhe as mãos. A brincadeira tem de ser física e mentalmente gratificante para que o seu gato possa estar feliz e saudável. 

Evite por isso os brinquedos com laser que podem ser fisicamente extenuantes e nunca trazem satisfação mental. Ele precisa, durante o jogo, de ter algumas capturas bem sucedidas. E lembre-se, elogie seu gatinho quando ele correr atrás do brinquedo e o atacar.

Não abandone o jogo de repente

Não pare a brincadeira a meio, quando ele está mais divertido e entusiasmado nas suas perseguições. Ficará frustrado e das próximas vezes pode não alinhar de novo na brincadeira. Deixe-o apanhar a presa ou reduza a intensidade da ação no final do jogo, para ele relaxar e sentir que teve sucesso. Assim a sua brincadeira não vai ficar associada a sensações negativas e será sempre um bom momento passado a dois.

Agora que já conhece a “ciência da brincadeira” tente aplicar estas técnicas. São muito eficazes num gatinho recém chegado a sua casa, mas também podem ter efeitos em gatos mais adultos.

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