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Assunção Duarte
Assunção Duarte
07 Out, 2019 - 15:40

Animais de estimação: são os gatos tão fiéis como os cães?

Assunção Duarte

Será que a ideia do gato sempre distante e independente é um mito injusto? Um estudo foi ver se há gatos tão fiéis como os cães.

Animais de estimação

Gatos tão fiéis como os cães são difíceis de encontrar. Esta é uma afirmação que faz parte de uma crença generalizada entre os humanos quando comparam o comportamento destes pequenos felinos com o comportamento dos cães.

Uma ideia partilhada pela grande maioria das pessoas, mesmo algumas que já tiveram gatos e cães como animais de estimação.

O título de maior e mais fiel amigo do homem pertence há vários anos ao cão. Apesar dos fiéis amigos do gato sempre reivindicarem algum deste protagonismo para os seus bichanos, o que é certo é que a sua atitude majestosa e comportamento independente o afastou do título.

Mas as coisas estão a mudar e estudos mais recentes sobre o comportamento animal podem finalmente colocar os gatos domésticos em pé de igualdade com os seus eternos “rivais”.

Gatos Tão fiéis como os cães: relações emocionais

Cão e gato juntos a dormir
As relações emocionais com os donos são também muito fortes nos gatos

Esta é a conclusão de um estudo de Universidade americana de Oregon publicado em Setembro deste ano na revista Current Biology.

Uma equipa de investigadores reuniu um grupo de 108 gatos e seus respectivos donos para os submeter a testes e experiências que pudessem analisar os laços emocionais entre ambos.

Para tal, recorreram a uma experiência utilizada na psicologia chamada “Situação Estranha”. No final dos anos sessenta do século XX, esta foi a experiência que avaliou pela primeira vez os laços emocionais criados entre crianças com menos de 1 ano de idade e as suas mães.

Essa experiência colocava as crianças momentaneamente separadas das mães, numa sala que não lhes era familiar, mas que estava cheia de brinquedos à sua disposição.

Repetindo a experiência nos dias de hoje, duplas de donos e respectivos gatos foram colocados durante 2 minutos numa sala desconhecida para o gato.

Passado esse tempo, o dono ausentava-se dessa sala por mais 2 minutos, deixando o seu gato inesperadamente só.

Enquanto isso, os investigadores observavam atentamente o comportamento do gato enquanto estava sozinho e quando o dono regressava.

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Sentimento de segurança

O resultado dos testes demonstra que a maioria dos gatos (65%) reagiu de forma muito semelhante às crianças que eram deixadas sozinhas (70%).

Quando o dono ou pai regressava, podiam protestar um pouco pela ausência dos pais ou donos, mas eram facilmente consolados, mostrando-se mais relaxados do que quando sozinhos e dividindo o tempo entre o pedir atenção ao seu cuidador e explorar o novo espaço.

Esta ligação é designada pelos psicólogos como o “apego seguro” e indica que ambos utilizam as mães ou os donos como uma base segura a partir da qual fazem a sua exploração do espaço e do mundo.

Os restantes, crianças e gatos, demonstravam dois tipos de apego diferente. Um comportamento mais ansioso, em que o mal-estar demonstrado na ausência era maior e não se acalmava com a chegada da mãe ou do dono, ou reagiam com indiferença às duas situações.

Testes idênticos, e que já tinham sido efectuados com populações de cães, demonstraram percentagens da ordem dos 58%, valores até ligeiramente mais baixos para este tipo de laço emocional.

Quererá isto dizer que afinal, os gatos poderão ser tão fiéis como os cães?

Gatos tão fiéis como os cães: laços sociais

Mulher com animais de estimação
Os laços que os animais estabelecem também variam de dono para dono

Menos frequentes do que os estudos feitos sobre as relações entre homem e cão, estas pesquisas sobre gatos revelam que, apesar do gato doméstico ainda ser fiel às suas origens de animal solitário e territorial, ele é capaz de criar laços sociais muito fortes, quer com a espécie humana quer com outras espécies com quem convive regularmente.

É essa é uma base tão ou mais sólida para avaliar uma boa as relação entre animal de estimação e o seu dono do que o conceito de fidelidade que pode ser bem diferente de dono para dono.

Apesar deste tipo de estudos necessitar de um maior investimento em aumento de número de experiências e de número de indivíduos envolvidos, o que é certo é que abre portas para que as pessoas alterem a forma como olham para os gatos, mesmo os próprios donos que por vezes os sentiam distantes.

Melhor relacionamento

Sabendo que o laço emocional existe, ainda que seja demonstrado de forma diferente entre cães e gatos porque são espécies com comportamentos diferentes, o relacionamento entre homem e gato só tenderá a ser cada vez melhor.

Saber que um gato depende do seu dono para se sentir seguro, alerta também as pessoas que têm ou que pretendem ter este tipo de animal de estimação, para o reconhecimento do seu papel de cuidador, protetor, e de verdadeiro “pai” responsável pelo bem-estar do seu filhote felino de 4 patas. E afinal, os gatos são tão fiéis como os cães.

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