Share the post "Global Teacher Prize Portugal 2026: quem são os professores que estão a mudar a educação no país"
A cerimónia aconteceu esta sexta-feira no Auditório do Banco Santander, em Lisboa. Dezenas de professores, antigos vencedores, finalistas e representantes de instituições reuniram-se para conhecer o nome que a edição de 2026 do Global Teacher Prize Portugal escolheu como o melhor exemplo de ensino inovador e comprometido com as comunidades.
A vencedora não veio de uma grande cidade nem de um projeto tecnológico de última geração. Veio do jardim de infância e isso diz tudo sobre o que este prémio reconhece.
A professora que transforma o jardim de infância num laboratório de cidadania
Marisa Augusta Moreira Teixeira, do Agrupamento de Escolas de Alpendorada, vê o pré-escolar de uma forma que poucos adultos alguma vez consideraram: “não apenas como um espaço de recreação, mas como um laboratório de cidadania.”
Na prática, isso traduz-se em projetos como “Seguros desde Pequeninos”, centrado na educação para o risco, “Da Pré-História ao Pré-Escolar”, que integra literacia, geologia e prevenção sísmica desde os primeiros anos e “De Mim para Ti”, um projeto solidário de promoção da empatia entre crianças.
O seu trabalho articula-se com a Proteção Civil, os Bombeiros e a Polícia Municipal. A escola não termina na sala de aula. Com o prémio, Marisa Teixeira pretende criar um Parque Pedagógico de Educação Rodoviária e Autoproteção, expandir o Clube Ciência Viva e lançar um Estúdio de Expressão e Comunicação dedicado às artes e à produção cultural.
Para esta educadora, “educar na infância é construir os alicerces de cidadãos confiantes, sensíveis e resilientes, capazes de transformar o mundo num lugar mais seguro, mais justo e mais humano.“
A Menção Honrosa “Acesso à Cultura”: arte como linguagem de inclusão
Ana Cláudia Vieira Fontão, docente na EB1 de Quarteira, no Agrupamento de Escolas Dra. Laura Ayres, recebeu a Menção Honrosa “Acesso à Cultura”, um prémio especial apoiado pelo Plano Nacional das Artes que distingue professores com trabalho relevante na promoção do acesso à cultura e à criação artística.
Ana Cláudia acredita que “arte é a linguagem mais autêntica de conexão humana.” A sua prática pedagógica desenvolve-se a partir da educação artística como teatro, artes plásticas, expressão criativa, que são ferramentas centrais de aprendizagem. O projeto “Espreitar a Escola” promove a articulação entre ciclos através de oficinas dinamizadas pelos próprios alunos. “Nós não somos artistas, mas encaixamo-nos” nasceu em contexto PIEF, com enfoque na expressão artística e na economia circular.
O objetivo futuro passa pela criação do Espaço Oficina, um laboratório de literacia artística e empreendedorismo no 1.º Ciclo.
Os nove finalistas que ficaram perto
A edição de 2026 reuniu dez professores de norte a sul do país. Cada um com uma abordagem diferente. Todos com o mesmo denominador: a convicção de que a escola pode ser mais do que é.
Anabela Santos Morte trabalha em intervenção precoce e inclusiva no Agrupamento Professor Paula Nogueira. Criou a “Escola de Pais” na Biblioteca Municipal de Olhão, sessões abertas à comunidade sobre desenvolvimento infantil, inclusão, linguagem, sono e o papel do brincar.
Bruno Estima, professor na Escola de Artes da Bairrada desde 2005, fundou o projeto CRASSH: um modelo de aprendizagem colaborativa baseado na exploração de “tudo o que faz som”, com ligações à Casa da Música e ao Tokyo Bunka Kaikan.
Clara Gomes, doutorada em Ciências da Educação e especialista em dificuldades de aprendizagem, criou as “Sagas de Claire”, um programa que combina videojogo, jogos pedagógicos e literatura infantil para desenvolver competências de leitura desde o pré-escolar. Já foi utilizado por mais de mil crianças.
Daniel Teixeira, professor de Educação Visual e Tecnológica no Agrupamento de Benavente, criou o projeto “DoTamanhoDoMundo”: aprendizagem em contexto real, com projetos intergeracionais e ações comunitárias que envolvem alunos, famílias e agentes sociais. “Quando um aluno descobre que o seu potencial é DoTamanhoDoMundo, a escola deixa de ser obrigação e passa a ser possibilidade.”
David Miguel, professor no Conservatório de Música de Coimbra, usa o heavy metal como ferramenta pedagógica para aproximar jovens da música clássica — e para refletir sobre diversidade, inclusão e motivação. Acredita que a resposta à inteligência artificial em sala de aula passa pelo reforço da dimensão humana: comunicação, oralidade, feedback imediato.
Fernanda Diogo, professora de História na Escola Secundária Dr. José Afonso, coordena o projeto “Viagens com História”, uma iniciativa que garante equidade no acesso a experiências educativas através da partilha e avaliação entre pares. Coordenou ainda o Projeto Parlamento dos Jovens e integrou o Projeto Euroescolas.
Hugo Carvalho, coordenador do Centro Tecnológico Especializado Industrial no Agrupamento de Albergaria-a-Velha, desenvolve um modelo escola-empresa com equipas interanos e mentores entre alunos. O seu projeto PIGO foi reconhecido pela Comissão Europeia como boa prática no âmbito do URBACT.
Margarida Seixas, professora na Escola Secundária Camilo Castelo Branco, esteve envolvida na criação de quatro laboratórios de eletrónica e desenvolveu vários Recursos Educativos Digitais, entre eles a “Academia Digital de Eletrónica” e um RED de Literacia Financeira.
Um prémio que reconhece o que muitas vezes passa despercebido
O Global Teacher Prize Portugal integra a rede internacional do Global Teacher Prize, considerado o “Nobel da Educação”, presente em mais de 140 países e com mais de 100.000 candidaturas recebidas ao longo das suas edições. Em Portugal, o prémio conta com o apoio da Fundação Santander Portugal, tem a TVI/CNN Portugal e o jornal Público como media partners, e a PwC Portugal como auditora independente.
A presidente honorária do júri desta edição é a maestrina Joana Carneiro: “Os professores são os verdadeiros maestros do futuro. São eles que afinam talentos, que inspiram caminhos e que ajudam cada aluno a encontrar a sua própria voz.“
O impacto deste prémio já atravessou fronteiras. Cristina Simões, finalista em 2018, esteve no Spark Dubai 2026 como embaixadora portuguesa da Fundação Varkey, uma das quatro portuguesas no Top 50 mundial em 2020. O modelo que desenvolveu registou 100% de sucesso de aprendizagem nos alunos apoiados.
As candidaturas para a próxima edição podem ser submetidas ou recomendadas em globalteacherprizeportugal.pt.
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