Share the post "Areia branca, água cristalina e sem betão: bem-vindo à Ilha da Fuzeta"
Ainda há lugares no Algarve que escapam ao radar do turismo de massas. Lugares onde a areia continua branca e fina, a água é tão transparente que se vêem os pés, e o único ruído ao fim da tarde é o das ondas. A Ilha da Fuzeta é um desses lugares.
Situada a cerca de 20 km a leste de Faro e a apenas 10 km de Olhão, esta ilha barreira integra o Parque Natural da Ria Formosa e é, para muitos que a descobrem, a versão mais autêntica do Algarve que imaginavam existir mas já não esperavam encontrar.
Tecnicamente, a Ilha da Fuzeta não é uma ilha isolada. É a extremidade nascente de uma ilha mais longa, a Ilha da Armona, que se estende por cerca de 9 quilómetros ao longo da costa.
O lado poente tem o nome de Armona. O lado nascente, voltado para a Ilha de Tavira, é a Fuzeta. Também encontrará referências à Praia da Barra Nova ou Praia da Barra da Fuzeta. Trata-se do mesmo lugar.
O acesso faz-se por barco a partir da vila piscatória da Fuzeta (ou Fuseta, já que ambas as grafias convivem nas placas de trânsito da própria localidade), numa travessia de apenas 10 minutos.
Fuzeta: Bandeira Azul, dunas e água cristalina
A praia da Ilha da Fuzeta tem Bandeira Azul, o que por si só já diz muito. Estreita mas extraordinariamente comprida, é ladeada por dunas que parecem esculpidas pelo vento.
A areia é branca e fina, a água costuma estar calma (especialmente na maré baixa e na extremidade nascente) e a temperatura do mar é tipicamente mais amena do que nas praias expostas do sotavento.
Perto do cais existem algumas infraestruturas de apoio, como bares, espreguiçadeiras para alugar e vigilância de nadadores-salvadores durante a época balnear.
Mas o verdadeiro espírito da ilha encontra-se a 20 minutos a pé para nascente, em direção à Praia da Barra Nova, onde a praia se torna praticamente deserta e a sensação de ilha remota é total.
Quem caminha para poente, em direção à Armona, entra num território ainda mais solitário, frequentado apenas por naturistas ocasionais.
A travessia: uma pequena aventura

Antes de chegar à ilha, há algo que acontece durante a travessia de barco que merece atenção. Passa-se por uma estação de socorro abandonada, que fica completamente rodeada de água na maré alta.
É comum ver banhistas a apanhar amêijoas e berbigão nas águas rasas da ria, curvados sobre o espelho de água com um bucho na mão. Às vezes, quando a maré está muito vazia, há quem atravesse a pé. Não é recomendado, mas acontece.
Pesca, açoteias e chaminés de balão
A vila que dá nome à ilha merece mais do que o tempo de espera pelo barco. Com cerca de dois mil habitantes, a Fuzeta é uma terra de pescadores que preserva a identidade do Algarve mais antigo.
As casas cúbicas com terraços, as açoteias, e as características chaminés de balão são a marca desta zona do sotavento algarvio.
O porto de pesca colorido pelos barcos, a Igreja Matriz com imagens do século XVIII (cujo adro funciona como miradouro sobre a ria), e a zona ribeirinha compõem uma visita breve, mas genuína.
Junto ao cais existem restaurantes com esplanada onde a gastronomia local se faz sentir com o peixe fresco e a conversa é fácil.
Nas imediações da vila vale também procurar as salinas da Ria Formosa, os retângulos espelhados de água salgada onde, entre novembro e março, é possível avistar flamingos, colhereiros e cegonhas.
Natureza: o Parque Natural da Ria Formosa
A Ilha da Fuzeta faz parte de um dos ecossistemas costeiros mais ricos da Europa. O Parque Natural da Ria Formosa estende-se por mais de 18 000 hectares de lagoas, salinas, sapais e ilhas barreira.
Para os amantes de natureza, esta região é um santuário. Mais de 200 espécies de aves foram registadas aqui, desde a galinha-sultana, símbolo do parque, até flamingos, colhereiros, aguadeiras e alfaiate.
O outono e o inverno trazem os maiores bandos migratórios; o verão, embora mais quente e animado, oferece manhãs cedo extraordinárias antes de as embarcações turísticas animarem os canais.
A partir da Fuzeta partem passeios de barco pela Ria Formosa que são uma forma excelente de entender a escala e a biodiversidade deste lugar.
De férias? O que visitar na região

A Ilha da Fuzeta é um excelente ponto de partida para explorar o sotavento algarvio, uma zona que se distingue pelo ambiente mais tranquilo, menos massificado, e por uma identidade cultural e paisagística própria.
Olhão fica a 10 minutos de carro e é uma visita obrigatória. o Mercado de Olhão, com os seus produtos frescos do mar e da terra, é uma experiência sensorial que não se esquece facilmente. As ilhas de Armona e Culatra partem também de Olhão.
Tavira, a 20 minutos para nascente, é considerada uma das vilas mais bonitas do Algarve. As suas igrejas, o castelo, as pontes sobre o rio Gilão e as praias da Ilha de Tavira, Terra Estreita e Barril fazem-na merecedora de um dia inteiro.
Faro, a 30 minutos, tem o centro histórico amuralhado, o Museu Municipal e a Ilha do Farol.
Para quem gosta de percursos pedestres, as salinas e a Quinta de Marim (a sede do Parque Natural) oferecem trilhos de fácil acesso com observatórios de aves.
Como chegar à Ilha da Fuzeta
De carro: A vila da Fuzeta fica na EN125, a menos de 20 minutos de Olhão, 30 de Faro e 20 de Tavira. Há estacionamento junto ao cais.
De comboio: A linha regional que liga Faro a Vila Real de Santo António passa pela Fuzeta. De Olhão são apenas 7 minutos (1,45 €). De Faro, cerca de 20 minutos (2,20 €).
Atenção que existem duas estações, Fuseta e Fuseta-A. A mais próxima do cais é a Fuseta-A. Os comboios passam mais ou menos a cada 90 minutos.
De barco para a ilha: Os barcos partem do cais da vila. A travessia dura cerca de 10 minutos. Em época balnear, as carreiras são frequentes; fora de época convém verificar os horários localmente.
Quando ir
A época balnear clássica vai de junho a setembro, com agosto a ser o mês mais concorrido, mas mesmo assim, a Ilha da Fuzeta mantém um ambiente muito mais tranquilo do que as praias mais populares do barlavento algarvio.
Abril, maio e outubro são meses excelentes para visitar. O mar ainda (ou já) está agradável, as praias estão quase desertas, e a natureza em plena atividade. Para observação de flamingos, novembro a março é o período de maior concentração.