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Pedro Martins
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24 Jul, 2019 - 12:28

Lancia Delta Integrale: rally todos os dias

Pedro Martins

Falar da Lancia é falar do Delta e da sua versão mais emblemática: o Integrale. O Lancia Delta Integrale subiu ao Olimpo dos rallys e a marca fez história.

Lancia Delta Integrale: rally todos os dias

O Lancia Delta Integrale é um verdadeiro ícone do mundo automóvel e o seu sucesso está ligado diretamente ao desporto motorizado. Concebido por Giorgio Giugiaro, o primeiro Lancia Delta foi apresentado em 1979 no salão de Frankfurt, Alemanha. No ano seguinte, foi eleito Carro do Ano na Europa. O Lancia Delta tinha como base o Fiat Ritmo e nasceu para o segmento dos pequenos familiares. Para vingar numa faixa de mercado extremamente competitiva, o modelo italiano diferenciava-se com alguns atributos pouco comuns na época.

O Delta destacava-se com suspensão dianteira independente, ar condicionado, banco traseiro rebatível ou volante regulável em altura. O interior era moderno e apelativo para os padrões da época ou não fosse um carro italiano. As primeiras versões mais desportivas do Delta foram o HF (que significava High Fidelity), a surgir em 1985, e HF Turbo, apresentado passados dois anos.

A somar sucessos nos rallys (a Lancia foi vencedora do campeonato mundial de rallys desde 1987 a 1992), a imagem do Delta ficou eternamente ligada às performances e competição. O maior símbolo foi o Lancia Delta Integrale que, para muitos, ficou para a história como o melhor Lancia de sempre. O Integrale funcionou quase como imagem de marca da própria Lancia, construtor que acabou por fechar as portas e deixou para trás um legado de carros apaixonantes e fãs incondicionais.

Apesar das versões de competição partirem de carros de produção, no Lancia Delta Integrale invertiam-se um pouco os papéis. O espírito dos rallys do Integrale refletia-se nas versões de estrada, com os carros de série a fazerem bater os corações dos amantes de automóveis.

Lancia Delta Integrale: rally no dia-a-dia

Lancia-Delta-Integrale

Origem

Apresentado em 1986, o Lancia Delta Integrale tinha motor 2.0 de 4 cilindros com cabeça de 8 válvulas e turbocompressor Garrett. O carro oferecia 185 cavalos de potência alcançados às 5.300 rpm e 304 Nm de binários às 3.500 rpm. Destacava-se ainda pela cambota de cinco rolamentos, dupla árvore de cames e cabeça do motor em alumínio.

O Integrale tinha tração integral permanente, com repartição normal 56/44 entre os eixos dianteiro e traseiro, respetivamente. Conforme as necessidades, a disponibilidade de binário variava entre os eixos e o diferencial Torsen distribuía o binário entre as rodas de trás. Tinha suspensão independente à frente e atrás, amortecedores telescópicos e barra estabilizadora.

A imagem do Lancia Delta Integrale destacava-se pelos painéis laterais sobredimensionados sobre as vias alargadas. Os pneus de medidas 195/55 eram montados em jantes de 15 polegadas. Aquela versão desportiva do Delta tinha travões de disco nas 4 rodas, ventilados e com 284 mm à frente. Os para-choques tinham dimensões maiores, com o dianteiro a incorporar entradas de ar.

Em 1989, o construtor italiano apresentou o Delta Integral com 16 válvulas, injetores com maior capacidade, intercooler melhorado e turbo com melhor poder de resposta. A carroçaria destacava-se pelo capot e alargamentos laterais e a distribuição de binário mudou, dando primazia às rodas de trás, com 47% no eixo dianteiro e 53% no traseiro. Com 200 cavalos potência, o Lancia Delta Integrale atingia 220 km/h e chegava dos 0 aos 100 km/h em 5,7 segundos.

 

Lancia Delta Integrale Evoluzione I

O último Delta Integrale a correr no campeonato mundial de rally foi o Evoluzione, que o construtor apresentou em 1991, e que valeu à Lancia o título de construtor naquele e no ano seguinte. Existiram diversas atualizações neste Delta Evo – também conhecido por Deltona – entre as quais uma carroçaria ainda mais robusta, com novos alargamentos e entradas de ar. O capot foi redesenhado com entradas de ar que ajudavam a arrefecer o compartimento do motor e o óculo traseiro recebeu um pequeno aileron ajustável.

Os quatro cilindros desta poderosa “machina” viram a potência incrementada em 10 cavalos, atingindo 210 cavalos às 5.750 e 298 Nm às 3.500 rpm. O Deltona de série também contava com bacquets Recaro em alcantara, volante desportivo Momo e disponibilizava ar condicionado a quem quisesse pagar mais por isso.

 

Lancia Delta Integrale Evoluzione II

Em 1993, após o reinado de seis anos como campeã do mundo de rallys, a Lancia apresentou o Delta Integrale Evoluzione II. O Evo II tinha uma gestão eletrónica diferente da Magneti-Marelli, substituiu o turbo por outro de baixa inércia, mais pequeno que o do Evo I, e tinha catalisador. O último dos Delta Integrale debitava 215 cavalos de potência e 300 Nm de binário.

Tinha alguns apontamentos específicos que o tornavam um carro ainda mais exclusivo, como os pespontos nas bacquets em pele e alcantara, volante Momo em pele e jantes de 16 polegadas. O Lancia Delta Evoluzione II não chegou a ser homologado na FIA para a competição.

 

Lancia Delta Integrale Evoluzione III

Mais tarde, existiu ainda um protótipo do Evoluzione III, conhecido como Viola (pela cor violeta da carroçaria), mas que foi rejeitado pelo Grupo Fiat. Existe uma unidade.

Como acontece com os grandes nomes que ficam para a história automóvel, o Lancia Delta Integrale tornou-se um clássico pelo que simbolizou, quer para a marca, quer para o mundo do rally. Hoje, é difícil encontrar um Delta Integrale a preços razoáveis, sendo que esse também é um critério subjetivo. Há alguns anos, um carro destes, em estado imaculado, estava no mercado por 25.000€. Atualmente, há unidades à venda por quase 100.000€.

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