Ekonomista
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05 Jul, 2021 - 10:45

Leasing, Renting ou Crédito: qual a melhor opção para o seu carro

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Há cada vez mais modelos de carros nas estradas, mas também há cada vez mais formas de os pagar. Conheça todas as modalidades e faça a sua escolha.

Peugeot 2008, um dos carros com menor consumo

Os preços dos automóveis têm subido, é um facto. Se há 15 anos podíamos comprar um Renault Clio por perto de 15.000 euros, hoje em dia, o mesmo modelo, mas na versão 2021, custar-lhe-á perto de 18.000 euros.

A tecnologia tornou os carros mais seguros, mais usáveis, mas também mais caros. Foram passos inevitáveis que a indústria automóvel teve que dar para que os carros correspondessem às novas leis de segurança, particularmente na Europa e na América do Norte, e também para os adaptar aos tempos modernos, onde tudo é automatizado e conectado.

Nos últimos 15 anos, praticamente tudo subiu de preço, mas infelizmente, em alguns países, os salários mantiveram-se quase intactos, obrigando a maiores ginásticas financeiras para suportar os 3 ou 4 mil euros a mais que cada automóvel custa nos dias de hoje.

E é neste sentido que, apesar de não serem novidades, as modalidades de Leasing, Renting ou Crédito ganham uma nova dimensão.

A grande questão é: qual a melhor modalidade para pagar o meu carro? A resposta politicamente correta será que depende da sua carteira. No entanto, esta decisão não é exata como uma conta matemática. Nem sempre o facto de poder pagar um carro a pronto significa que essa é a melhor forma de pagamento, ou a mais vantajosa, se assim preferirmos.

Soa confuso? Explico-lhe de seguida.

Leasing, Renting ou Crédito: o que saber

Antes de explicarmos exatamente o que são as modalidades de Leasing, Renting ou ALD, comecemos já por explicar qual é a “pior” forma (e pior, entenda-se, mais prejudicial para si) de adquirir um automóvel: o financiamento.

Infelizmente, é a mais comum e aquela que burocraticamente parece ser mais simples. O banco paga o automóvel por si, e depois durante 4, 6 ou 10 anos paga as prestações mensais mais adequadas ao seu orçamento.

No entanto, não esqueçamos que um automóvel é um ativo que temos. Mais do que um bem essencial, é também um investimento de dinheiro. E se formos pessoas financeiramente responsáveis, quereremos sempre gastá-lo da melhor forma possível.

O que acontece com um crédito automóvel é que no final dos pagamentos, se o valor inicial do carro era 20 mil euros , quando terminarmos de pagar o crédito, acabamos por entregar ao banco uma verba superior a quase dois terços deste valor, devido às taxas de juro aplicadas.

Somando isso à desvalorização do automóvel que inevitavelmente irá sofrer (na grande maioria dos casos), o “trambolhão” financeiro é efectivamente o menos vantajoso de todas as opções.

Skoda Fabia Break Ambition

E qual é a melhor forma de comprar um automóvel?

A melhor forma será sempre o pronto pagamento. Infelizmente, e dada a realidade da grande generalidade dos portugueses, não é fácil conseguir juntar 20 ou 30 mil euros, e mais difícil ainda, é fazer a ginástica mental de abdicar desta quantia de uma só vez para adquirir um automóvel, algo que efetivamente é um bem necessário, mas que em 99% dos casos, é um bem que desvaloriza.

E digo 99% dos casos, porque há automóveis que valorizam. E não precisamos de pensar nos McLarens desta vida, ou nas edições super limitadas dos Ferrari, ou de qualquer outro automóvel extremamente caro.

De todos os automóveis à venda no mercado, há alguns que pela sua componente histórica, pela sua importância no momento atual da indústria, ou simplesmente por serem modelos extremamente desejáveis.

Valorização

O caso mais recente de um modelo modesto cujo preço em 2ª mão é superior ao dos modelos com 0km foi o do Suzuki Jimny, entretanto já retirado do mercado europeu devido às novas normas poluentes europeias, mas cujo valor no mercado de usados é cerca de 5 mil euros superior ao valor comercial (29.000€ vs 35.000€).

Um outro caso seria a anterior geração do Land Rover Defender, cujo último modelo que saiu de produção foi posteriormente leiloado em cerca de 150.000€, o dobro do seu valor de mercado.

Outros há como o caso do Mercedes SLS, que novo custava perto de 160 mil euros, e neste momento, passados 8 anos da sua comercialização, está avaliado em 250.000€, ou de um Ferrari 458 Italia, que neste momento, também passados 8 anos da comercialização, encontra-se listado à venda por valores mais elevados do que quando era novo. Mas nestes caso, falamos de outros valores…

Ainda outro dos exemplos em que comprar o carro a pronto pagamento é a melhor opção é no caso dos clássicos, ou futuros clássicos. Falamos aqui de Mercedes ou BMW dos anos 90 ou anteriores, falamos (provavelmente) da atual geração do Fiat 500, ou até de um antigo Mazda MX-5. Estes serão carros que atingiram o pico da sua desvalorização, mas que ainda podem perfeitamente ser usados no dia-a-dia e no futuro terão tendência a subir o seu valor de mercado. Nestes casos, compra-los a pronto pagamento significa efetivamente um bom investimento.

Leasing, Renting ou crédito: qual a melhor opção?

Outros casos há onde o leasing e o renting são, sem dúvida, a melhor opção. Falamos neste caso de carros híbridos, elétricos, ou para empresas. Atente.

Ao escolher entre leasing ou renting deve ter em conta que o leasing é um modelo de financiamento para viaturas novas ou usadas (com IVA discriminado, no caso das usadas) durante um determinado período, normalmente, entre 12 e 96 meses, no máximo. Este não inclui serviços, apenas o financiamento da viatura.

Já o renting é um contrato de aluguer de viatura por um período de 12 a 72 meses e/ou quilometragem variável pré-determinada. Quase como se de alugar uma viatura numa rent-a-car se tratasse.

Apesar de ser a modalidade menos comum, para além da entidade locadora ceder o direito de utilizar a viatura, o renting permite também contratar pacotes de serviços extra associados à utilização do automóvel, como seguro de danos próprios, serviços de manutenção, a gestão dos pneus e outros consumíveis, a gestão de inspeções e do pagamento de impostos.

Estas duas soluções destinam-se a Empresas, Empresários a Nome Individual (ENI), Administração Pública ou a Particulares.

Cálculo das prestações

No caso do leasing, a prestação mensal é calculada em função do preço da viatura, da duração do contrato, de quanto vai pagar na primeira renda e do valor residual no final do contrato (última prestação). A diferença (e vantagem) do leasing em relação a um crédito automóvel convencional é que aquando da última prestação, é dada ao cliente a opção de ficar com a viatura e pagar o restante do contrato, ou de a devolver, podendo dar esta como entrada para uma nova viatura, ou apenas devolvê-la, sem qualquer prejuízo final.

Como nos contratos de leasing é co-proprietário da viatura, se por ventura durante o seu período de utilização a entender vender de forma particular, poderá fazê-lo, algo que não é possível no renting.

Importa também não esquecer que no caso dos leasing, o cliente está obrigado a efetuar todas as manutenções previstas pelo fabricante na marca ou numa oficina autorizada, desde que mantenha válida a garantia oferecida pela marca, e assumir todos os custos da operação. Consumíveis como pneus, escolhas, luzes não estão também incluídas.

Deve também pagar o IUC anualmente, assim como a IPO e ter pelo menos um seguro de responsabilidade civil (contra terceiros) contratado.

No caso do renting, as modalidades de pagamento são diferentes. Não existe uma entrada inicial, nem tampouco uma prestação mensal com o valor residual. Os pagamentos são fixos desde o primeiro ao último mês. Mas também por isto, e por regra geral englobar vários serviços como aqueles já referenciados, os pagamentos mensais são também mais elevados.

Como o renting é considerado um serviço, geralmente não obriga a garantias bancárias, ao contrário do leasing ou do crédito convencional. Mas tenha em atenção que como se trata, no fundo, de um aluguer de uma viatura, qualquer pequeno dano que este tenha, quer nas jantes, quer na carroçaria, este será cobrado ao cliente por um valor acima do normal.

BMW i3
BMW Group

Para as empresas

No caso das empresas, tanto no leasing como no renting, o código do IVA permite às empresas a dedução do IVA a 50% nos comerciais e a 100% nos restantes, havendo também vantagens relativamente à tributação autónoma (TA) no caso dos híbridos plug-in ou elétricos.

Ainda que de formas diferentes, o leasing e o renting são também considerados “gastos” das empresas, contando no caso do leasing a depreciação do automóvel como o ativo, e no caso do renting como um serviço de gestão de frota.

No caso de um particular, se estiver a pensar comprar um carro elétrico ou híbrido plug-in, o leasing ou o renting são a melhor opção, se não mesmo a única, na minha opinião. E explico muito rapidamente o porquê.

Os automóveis elétricos e electrificados estão ainda muito no início da sua vida (que se adivinha longa, que se adivinha ser o futuro, ou pelo menos parte dele, quando chegar o hidrogénio), mas neste momento, os custos de produção das baterias e da exploração do lítio para fabricação destas ainda são substancialmente altos para que este tipo de automóveis possam ser mais baratos.

São também automóveis que, pela sua especificidade, dentro de poucos anos terão já uma tecnologia ultrapassada, sendo por isso muito pouco apetecíveis no mercado de segunda mão, e por isso o seu valor comercial será extremamente baixo.

Vejamos o caso dos primeiros carros elétricos vendidos em massa, há cerca 5 anos, tinham autonomias que praticamente não chegavam aos 180km, e hoje em dia já existem elétricos capazes de percorrer mais de 500km, e a média do mercado anda à volta dos 350km.

Manutenção

Os automóveis elétricos são também automóveis com custos de manutenção muito baixos, mas custos de reparação extremamente altos. Ao ter uma garantia que, em caso de avaria, o custo da reparação não ficará ao seu encargo, é também uma segurança que certamente quererá ter caso decida avançar para um destes automóveis mais amigos do ambiente.

Mas no final de contas, a opção de compra será sempre sua. Deverá fazer uma pesquisa de todos os prós e contras de qualquer um destes tipos de possibilidade de aquisição de uma viatura e ver aquela que melhor se adequará às suas necessidades. Acima de tudo, faça uma decisão financeiramente responsável.

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