Miguel Pinto
Miguel Pinto
07 Dez, 2023 - 11:23

Mata de Albergaria: o bosque encantado no coração do Gerês

Miguel Pinto

A Mata de Albergaria é uma das jóias do Gerês. Um bosque encantando, pontuado por cascatas, lagoas e caminhos romanos.

Ponte na Mata de Albergaria

No único Parque Nacional português, abrigam-se animais únicos, cascatas e lagoas sem igual, árvores frondosas que permitem sombras retemperaras e alguns segredos que é obrigatório conhecer. Como a Mata de Albergaria.

No coração do Parque Nacional da Peneda-Gerês, este é um dos bosques mais fantásticos que Portugal oferece, com os imensos carvalhos galaico-portugueses a criarem um cenário de filigrana e que se estende por qualquer coisa como 1200 hectares.

Estima-se que algumas das árvores da Mata de Albergaria tenham mais de 500 anos, o que releva a sua fragilidade e os cuidados que são postos na preservação do espaço.

A verdade é que a Mata de Albergaria está sujeita a um apertado controlo das autoridades, para que se minimizem os efeitos da presença humana. Há uma série de regras que têm que ser cumpridas e cuja violação pode levar à aplicação de coimas elevadas.

No entanto, se gosta de estar em contacto com a natureza quase em estado puro, não deve perder uma visita a este bosque encantado, uma das verdadeiras jóias do Gerês, situada na freguesia de Campo do Gerês, no concelho de Terras de Bouro.

Mata de Albergaria: a marca dos romanos

A primeira sensação que se tem ao entrar na Mata de Albergaria é de uma paz imensa. Não há ruído, o ar puro invade os pulmões e invade-nos um sentimento de liberdade. Apetece correr por entre o arvoredo, mergulhar nas lagoas, refrescar-se nas cascatas ou, muito simplesmente, admirar a paisagem.

Este bosque tem uma história muito longa, que pode ser rastreada pelo menos até aos tempos da ocupação romana da Península Ibérica, muito embora os primeiros vestígios humanos na área remontem ao Paleolítico Superior.

No entanto, os sinais mais visíveis (ainda hoje) estão no que resta da Via Nova, uma estrada construída pelos romanos no século I e que teria uma extensão global de aproximadamente 318 quilómetros.

A parte da via romana que atravessava a Mata de Albergaria ainda é visível e constitui uma das principais atrações turísticas da zona. As pedras da estrada são o testemunho direto da presença da civilização romana pelas bandas do Gerês e caminhar junto a elas é como partilhar um pouco da história milenar de toda aquela envolvente.

Carvalhos centenários na Mata de Albergaria
O frágil ecossistema da Mata de Albergaria obriga à existência de limitações no acesso

Flora e fauna ímpares

Mas uma das coisas que verdadeiramente impressiona é a explosão de verde (ou de muitas outras cores, dependendo da estação do ano) que acontece diante dos nossos olhos.

Sim, é verdade que todo o Gerês é imponente e repleto de paisagens verdejantes, mas há algo de mágico na Mata de Albergaria. As árvores são altas e imponentes, um tapete de musgo e folhas vai cobrindo o chão e ouve-se aqui e ali um chilrear mais estridente.

É um espaço muito tranquilo e relaxante, perfeito para uma caminhada ou um saboroso piquenique, se bem que esta última atividade esteja sujeita a muitos, e obrigatórios, condicionalismos.

Não esquecer que estamos perante um lugar de capital importância para a biodiversidade, já que a mata abriga uma grande variedade de animais, como o javali, o lobo ibérico, o veado, a raposa, o esquilo ou o coelho.

É ainda um importante habitat para as aves, não sendo raro avistar pelas redondezas corvos, melros, pica-paus ou estorninhos. Noutros tempos, também era possível encontrar por ali o urso-pardo, um carnívoro de respeito, que acabou praticamente extinto por estas bandas, tendo habitat agora na região das Astúrias, em Espanha.

Mata de Albergaria: limitações de acesso

A Mata da Albergaria é um lugar muito especial e a fragilidade do seu ecossistema leva a que tenham sido definidas regras de acesso ao local.

Convém lembrar que este é um espaço natural protegido, tendo sido classificada pelo Conselho da Europa como uma das Reservas Biológicas-genéticas do Continente Europeu.

Fique desde logo a saber que o acesso automóvel à mata está sujeito ao pagamento de uma taxa de 1,5 euros por veículo. Não pode estacionar dentro dos limites da mata, tão pouco parar, recomendando-se que circule até à antiga fronteira da Portela do Homem, estacione lá o carro e faça o seu passeio a pé por entre o arvoredo.

Mas há mais limitações, todas elas tendentes a proteger o frágil ecossistema local, que a pressão humana tem vindo a criar alguns constrangimentos. Por isso, tome atenção às regras fundamentais:

  • A mata está aberta ao público das 8h às 20h, todos os dias da semana.
  • É proibido acampar na mata.
  • É proibido fazer fogueiras na mata.
  • É proibido danificar as árvores e a vegetação da mata.
  • É proibido levar animais domésticos para a mata.

Se cumprir todas estas regras na Mata de Albergaria, vai contribuir  para a preservação de um espaço único, ao mesmo tempo que terá uma experiência que dificilmente vai esquecer. Como quase tudo o que acontece no Gerês, aliás.

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