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Elsa Santos
Elsa Santos
11 Fev, 2020 - 09:40

Meditação nas escolas : benefícios e programas

Elsa Santos

A meditação nas escolas tem vindo a ganhar terreno. Mas, em que consiste e quais os seus benefícios? Saiba mais sobre esta prática, cada vez mais comum em Portugal.

pessoas a meditar

A meditação nas escolas é uma prática cada vez mais comum. Também chamada de mindfulness, um termo mais pomposo e eficaz do ponto de vista do marketing, a meditação é vista como uma ferramenta importante para reduzir os níveis de stress e ansiedade, assim como para promover a capacidade de concentração.

Assim, a meditação em ambiente escolar (e não só) tem vindo a aumentar e a fixar-se.

Ao longo dos últimos anos, têm vindo a acumular-se estudos científicos que mostram os muitos benefícios (físicos e mentais) da prática da meditação nas escolas e fora delas.

Apesar de já não ser um tema novo, a verdade é que ainda suscita algumas dúvidas. Em que consiste? Em que escolas portuguesas é praticada e como? Quais as vantagens?

Do outro lado no Atlântico, na América, há já milhares de alunos que têm a meditação incluída no currículo. Em Portugal dão-se ainda os primeiros (mas firmes) passos. Saiba mais.

8 BENEFÍCIOS DA MEDITAÇÃO NAS ESCOLAS

meditação crianças

De uma forma geral, a meditação, ou mindfulness, constitui um meio para alcançar a paz interior, o autocontrolo e o equilíbrio entre corpo e mente.

Há vários tipos de meditação, de acordo com a cultura e os objetivos a alcançar.

Para além disso, está provado cientificamente que a prática da meditação é benéfica, com reflexo aos níveis físico e psicológico.

Estes são alguns dos benefícios gerais da meditação:

  • Ajuda a gerir emoções;
  • Reduz o stress;
  • Eleva a espiritualidade;
  • Promove o bem-estar;
  • Aumenta a concentração e a produtividade;
  • Ajuda a superar traumas;
  • “Desperta” a mente;
  • Promove a relação com os outros.

A meditação nas escolas

A meditação nas escolas portuguesas tem vindo a ganhar adeptos. São muitas as instituições públicas e privadas que a contam entre as atividades, desde o ensino pré-escolar.

Os benefícios da prática são encarados com tal seriedade que há escolas que têm na meditação uma prática diária.

MEDITAR PARA APRENDER

Benefícios de meditar na escola

O mote é “meditar para aprender” e esta é uma aprendizagem que vai muito para além das matérias curriculares. A prática da meditação na escola apresenta benefícios muito concretos e essenciais:

  • Aumenta a concentração e a performance: Aumenta o foco e a concentração, o que melhora o processamento de informação nas salas de aula e durante o estudo, traduzindo-se numa maior taxa de sucesso;
  • Promove o autoconhecimento: Através da meditação, as crianças podem descobrir melhor os seus interesses, avaliar quais as suas prioridades e compreender melhor a vida e o que os rodeia;
  • Desenvolve o sistema imunitário: A meditação regular protege contra doenças, diminuindo o stress e a ansiedade que afeta tantos alunos;
  • Beneficia as relações: Ao aprenderem a viver no momento presente e ao sentirem mais calma e segurança, as relações com a família, amigos e professores acabam por sair beneficiadas e mais fortes;
  • Melhora o bem-estar: Vários estudos já comprovaram que os jovens que praticam meditação vêem aumentar a sua autoestima e a sua confiança, o que se traduz em alunos mais criativos, mais seguros e motivados.

Alunos mais concentrados, controlados, saudáveis e felizes só podem fazer uma escola melhor.

meditação jovens

Meditação nas escolas: EXEMPLOS DE SUCESSO

Há escolas nacionais que marcam a diferença com a oferta de ferramentas “alternativas” que permitem ajudar os alunos a ultrapassar dificuldades, na escola e na família, ou promover e gerir capacidades.

Aos poucos, surgem os argumentos que mostram que a prática da meditação nas salas de aula é uma mais-valia, para alunos e professores. Verificam-se melhorias na capacidade de concentração, na auto-estima e na confiança que se traduzem no aumento da motivação e na capacidade de aprender. Para além disso, traduz-se também em docentes mais tranquilos, com menos stress.

Em regiões distintas do país, há algumas que se destacam. Fique a conhecê-las.

Agrupamento de Escolas da Marinha Grande

Está na linha da frente no que toca à prática da meditação em contexto escolar. Desde 2013 que a meditação começou a ser introduzida no ensino básico. Os 60 segundos de silêncio e concentração que diariamente os professores praticam com os alunos é já uma rotina normal.

O agrupamento tem implementado o projeto “Mind Up” destinado ao primeiro ciclo. Os exercícios, que variam de sessão para sessão, têm como base o som e a respiração e são idealmente postos em prática três vezes por dia: de manhã, depois de almoço e ao final da tarde.

Assim, a redução significativa da impulsividade, dentro e fora da sala de aula, bem como a redução da ansiedade nos testes estão entre os resultados, positivos para crianças e docentes, o que significa que este é um hábito a manter.

Agrupamento de Escolas de Valbom (Gondomar)

Começou por introduzir o reiki como parte do projeto “Escola em Movimento”, em 2015. No ano seguinte, alargou a oferta à meditação, ao tai chi e ao yoga.

As oficinas pedagógicas, da responsabilidade de profissionais formados nas respetivas áreas. O número de interessados não para de aumentar, a par dos resultados.

Se um dos objetivos iniciais passa por ajudar a melhorar o desempenho na escola, verificou-se que as práticas têm outros benefícios. Um deles abre espaço aos alunos para falarem abertamente sobre os seus problemas e preocupações, uma necessidade partilhada por muitos e que assume um peso determinante no bem-estar individual (e em grupo) e, consequentemente, no sucesso escolar.

Agrupamento de Escolas João Villaret (Loures)

No ano letivo 2015-2016, o Agrupamento de Escolas João Villaret cria (não pelos melhores motivos) um projeto de mindfulness aplicado a um grupo piloto composto por 30 alunos com graves níveis de ansiedade, indisciplinados e com dificuldade em lidar com as próprias emoções.

Intitulado “Mentes Sorridentes”, não foi fácil inicialmente. O próprio conceito de “meditação” foi substituído pelo de “mindfulness”, uma troca estratégica para ultrapassar preconceitos e facilitar a adesão.

Durante a hora de almoço, num espaço exterior à sala de aula, os alunos tinham sessões de 10 a 15 minutos, sendo que, primeiramente, era explicado o funcionamento básico do cérebro. O programa de oito semanas e de caráter facultativo acabou por funcionar mais depressa do que o esperado.

O formato original mantem-se e chega às salas de aula na forma de meditações quase diárias, após o intervalo da manhã e o da tarde. Centenas de alunos, desde o jardim de infância ao nono ano, beneficiaram do projeto que é feito em parceria com a equipa de neurociência do Hospital Beatriz Ângelo.

Uma equipa multidisciplinar avalia os resultados, entre os quais constam: “melhoria no controlo da ansiedade de desempenho, melhoria na concentração, diminuição da impulsividade e maior prazer nas relações e maior sentido para a vida”.

Em termos de promoção de saúde mental na escola, conclui-se que “técnicas de mindfulness, aplicadas num protocolo simples e curto, obtêm resultados positivos na gestão emocional que permite a disponibilidade para as aprendizagens e a melhoria da qualidade de vida dos alunos”.

O Ministério da Educação, que assegura que a implementação de projetos deste género “cabe no âmbito da autonomia de cada escola”, usa o Agrupamento de Escolas João Villaret como um exemplo.

A meditação nas escolas em Portugal, apresenta já exemplos de sucesso e reune cada vez mais praticantes, o que faz prever que a implementação de técnicas de mindfulness em contexto escolar continue e se solidifique.

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