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Miguel Pinto
Miguel Pinto
13 Jun, 2022 - 16:04

Porto: Mercado do Bolhão reabre as portas a 15 de setembro

Miguel Pinto

É um dos espaços mais emblemáticos do Porto. Depois de profundas obras, o Mercado do Bolhão reabre a 15 de setembro.

Mercado do Bolhão

No dia 15 de maio de 2018 foi consignada, oficialmente, a obra de restauro do Mercado do Bolhão. Era um anseio antigo da cidade, ver de novo de cara lavada um dos seus símbolos maiores. As máquinas começaram a trabalhar logo a seguir e esperava-se que no espaço de dois anos os pregões dos comerciantes voltassem a ecoar junto às suas bancas.

No entanto a complexidade técnica do trabalho efetuado (dizia-se que o Mercado do Bolhão só não ruiu por sorte), levou a que o prazo de execução das obras tivesse derrapado. Mas agora já há data: a 15 de setembro as portas abrem-se e a cidade Invicta recupera o local onde vive parte considerável da alma portuense.

Mercado do Bolhão: um símbolo que se recupera

Durante décadas foi o principal mercados de frescos da cidade. Situado bem no coração da cidade do Porto, o Bolhão transformou-se no símbolo de uma certa vivência portuense, genuína, sem filtros. Também se transformou numa atração turística, muito embora a decadência em que veio a cair lhe retirasse parte substancial do seu encanto.

O mercado ficou ainda conhecido por ser um ponto de paragem obrigatório para praticamente todas as campanhas eleitorais que passavam pela Invicta. Fossem eleições autárquicas, europeias, legislativas ou presidenciais, ninguém faltava à volta de honra, entre vendedoras de verbo fácil e clientes indiferentes.

Nos últimos anos, o Bolhão foi-se cobrindo de ruína. Houve algumas tentativas para o reabilitar, alguns projetos mais ou menos mirabolantes, mas em vez de vida, o mercado foi-se enchendo de andaimes a escorar a lenta agonia de um edifício que começou a ser gizado nos alvores do século XX.

Portão do Bolhão

A história do Bolhão

É em 1910, ano em que Portugal derruba a monarquia para se tornar numa República, que surge o primeiro anteprojeto de um mercado naquele local, uma praça onde já se fazia comércio. No entanto, só em 1914 é que se inicia a construção do atual edifício, desenhado pelo arquiteto António Correia da Silva.

O Mercado do Bolhão foi edificado em plena Primeira Guerra Mundial, entre 1914 e 1917, altura em que o negociante portuense Elísio de Melo presidia à primeira vereação da era republicana e a quem a cidade ficou também a dever, entre outros importantes projetos de urbanização, a abertura da Avenida dos Aliados.

As obras iniciaram a 19 de julho desse ano e, em 1915, eram postas a concurso as primeiras lojas do mercado.

Influenciado pela arquitetura da École des Beaux Arts, Correia da Silva projeta um edifício neoclássico que conferiu ao mercado a mesma grandiosidade que marca a Estação de São Bento, do arquiteto José Marques da Silva, também ele influenciado pela escola parisiense. Tratou-se de uma obra avançada para a época, devido à utilização do betão armado em conjugação com estruturas metálicas, as coberturas em madeira e cantaria de pedra granítica.

Desenvolvido em volta de um chafariz com quatro bicas, o mercado tem dois pisos ligados por várias escadarias e um amplo pátio central, que se subdivide em dois espaços exteriores através de uma galeria coberta, construída já na década de 1940.

A entrada principal do edifício, orientada a Sul, possui um frontão brasonado e ladeado por esculturas de pedra da autoria de Bento Cândido da Silva, que representam Mercúrio e Flora, os deuses da mitologia clássica consagrados ao Comércio e à Agricultura, respetivamente.

A diferentes cotas estão as entradas laterais, pela Rua de Sá da Bandeira e pela Rua de Alexandre Braga, que dão acesso a um patamar intermédio com escadarias que ligam ambos os pisos. A entrada Norte, pela Rua de Fernandes Tomás, dá acesso direto ao piso superior.

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Nova vida para o mercado

O projeto de restauro e modernização do Bolhão que será inaugurado a 15 de setembro, teve um custo a rondar os 22 milhões de euros, procedendo-se à instalação de aquecimento artificial, de coberturas no piso inferior, acesso direto ao metro e cave técnica com acesso para cargas e descargas a partir da Rua de Alexandre Braga.

Da autoria do arquiteto Nuno Valentim, o projeto mantém a parte comercial e instalar restauração no piso superior, com entrada pela Rua de Fernandes Tomás, transferindo todo o mercado de frescos para o piso inferior.

Será uma nova vida para o Bolhão e uma ocasião emocionante para todos os comerciantes que nos últimos aguentaram estoicamente a fazer o negócio num. mercado temporário.

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