Miguel Pinto
Miguel Pinto
08 Jun, 2026 - 10:00

Mudança de óleo fica mais cara: indústria teme escassez mundial

Miguel Pinto

Pois é, a instabilidade no Médio Oriente está a afetar o mercado do óleo para automóveis. As consequências vão sentir-se na carteira.

óleo automóvel

A possibilidade de uma escassez de óleo para automóveis começou a preocupar a indústria automóvel internacional nas últimas semanas. O alerta surgiu depois de vários fabricantes e associações do setor terem admitido dificuldades no fornecimento de determinados lubrificantes, sobretudo os utilizados nos motores mais modernos.

Embora não exista, para já, um cenário de rutura total, os especialistas admitem que os preços poderão continuar a subir e que alguns tipos de óleo poderão tornar-se mais difíceis de encontrar ao longo dos próximos meses.

Porque existe o risco de escassez de óleo automóvel?

O principal problema está relacionado com as tensões no Médio Oriente e com os impactos no Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais importantes para o transporte mundial de petróleo e derivados. É que parte significativa dos óleos-base utilizados na produção de lubrificantes automóveis vem da região do Golfo Pérsico.

Segundo a Independent Lubricant Manufacturers Association (ILMA), cerca de 44% dos óleos-base de Grupo III, fundamentais para os lubrificantes modernos, dependem daquela região. Estes óleos são essenciais para produzir viscosidades como 0W-20, 0W-16 ou 0W-8, cada vez mais utilizadas em motores recentes devido às exigências ambientais e de eficiência energética.

O problema agravou-se após danos em infraestruturas energéticas no Catar e limitações logísticas provocadas pela instabilidade na região. Além disso, algumas refinarias asiáticas terão desviado produção para combustíveis mais rentáveis, como diesel e combustível de aviação, reduzindo ainda mais a disponibilidade de matérias-primas para lubrificantes.

Quais os óleos mais afetados?

medir o nível do óleo do motor

Os lubrificantes de baixa viscosidade são os mais vulneráveis a uma eventual escassez. Quais são?

  • 0W-8;
  • 0W-16;
  • 0W-20.

São precisamente os óleos recomendados para muitos automóveis híbridos e motores recentes de baixa cilindrada, especialmente em marcas japonesas e modelos mais eficientes em consumos e emissões. De acordo com analistas do setor, estes produtos representam já cerca de um terço da procura mundial no segmento dos automóveis ligeiros.

O que pode acontecer aos preços?

Os aumentos já começaram a ser sentidos em vários mercados. Especialistas citados pela CNN referem que houve três aumentos de preços em apenas dois meses e meio, algo considerado raro no setor.

Além do preço do petróleo bruto, estão também a subir os custos de transporte marítimo, logística, embalagens, aditivos químicos e refinação.

Tudo isto poderá refletir-se no custo das revisões automóveis e das mudanças de óleo nas oficinas. Em alguns casos, o aumento pode ser significativo, sobretudo para veículos que utilizem lubrificantes muito específicos.

Existe risco real para os automobilistas?

Para já, o cenário mais provável não é uma falta total de óleo nas oficinas, mas sim uma combinação de preços mais elevados, menor disponibilidade e tempos de espera superiores para determinadas referências. Ainda assim, algumas associações do setor admitem que poderá haver dificuldades localizadas em certos mercados.

Os especialistas alertam também para o problema de alguns condutores sentirem-se tentados a utilizar óleos diferentes dos recomendados pelo fabricante para evitar custos ou atrasos. Isso pode provocar desgaste prematuro, aumento do consumo e até danos no motor.

Carros elétricos podem beneficiar desta situação?

De certa forma, sim. Os veículos 100% elétricos dispensam mudanças regulares de óleo do motor, o que os torna menos expostos a este tipo de crise.

Ainda assim, híbridos e elétricos também utilizam alguns fluidos e lubrificantes específicos, pelo que o impacto indireto poderá continuar a existir em certas áreas da manutenção automóvel.

carro elétrico
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Portugal pode ser afetado?

Portugal depende fortemente das cadeias internacionais de abastecimento de lubrificantes, pelo que qualquer perturbação global pode refletir-se no mercado nacional.

Embora ainda não existam sinais públicos de rutura no país, é expectável que oficinas, distribuidores e consumidores sintam os efeitos através do aumento dos preços e da possível menor disponibilidade de algumas referências mais técnicas.

O que devem fazer os condutores?

Os especialistas recomendam que os automobilistas cumpram os intervalos de manutenção recomendados e utilizem sempre a especificação indicada pelo fabricante.

Devem, ainda, evitar adiar mudanças de óleo durante demasiado tempo e procurar oficinas e distribuidores credíveis. Também pode ser prudente antecipar revisões programadas caso o veículo utilize um óleo muito específico ou menos comum.

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