Marvin Tortas
Marvin Tortas
26 Mar, 2020 - 16:19

Entramos em fase de mitigação: o que significa isso?

Marvin Tortas
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A fase de mitigação é a fase mais grave de contágio e corresponde ao nível de alerta e resposta mais elevado. Conheça as medidas adotadas pelo Governo.

Homens de máscara no metro

Portugal entrou à meia-noite de dia 26 de Março na fase de mitigação da pandemia de COVID-19.

Este é o terceiro e mais grave nível das fases de resposta do Plano Nacional de Preparação e Resposta à Doença elaborado pela Direção Geral da Saúde com base em evidência técnica e científica, nacional e internacional.

No total existem 3 fases: a fase de preparação, fases de resposta (onde nos encontramos neste momento) e a fase de recuperação.

Dentro das fases de resposta existem três níveis, e seis subníveis, como explicamos no gráfico em seguida:

FASE DE PREPARAÇÃO
Não existe epidemia ou epidemia concentrada fora de Portugal
FASES DE RESPOSTA
CONTENÇÃO1.1 Epicentro identificado fora de Portugal, com transmissão internacional

1.2 Casos importados na Europa
CONTENÇÃO ALARGADA2.1 Cadeias secundárias de transmissão na Europa

2.2 Casos importados em Portugal, sem cadeiras secundárias
MITIGAÇÃO3.1 Transmissão local em ambiente fechado

3.2 Transmissão comunitária
FASE DE RECUPERAÇÃO
Atividade da doença decresce em Portugal e no Mundo

O que implica entrarmos em fase de mitigação?

Mulher com máscara

Após terem sido registados os primeiros casos de COVID-19 em Portugal, o país passou da fase de contenção para a fase de contenção alargada, onde se verificaram cadeias secundárias de transmissão na Europa e casos importados em Portugal, sem cadeias secundárias.

Com o avançar das cadeiras de transmissão em Portugal, do número de casos confirmados e do número de mortes, foi implementado o 3º estado das fases de resposta: a fase de mitigação.

É uma fase onde as medidas de contenção passam a não ser suficientes e o objetivo principal torna-se, como a própria palavra indica, a aliviar ou atenuar os efeitos desta pandemia, minimizando a morbimortalidade – “a relação entre o número mortes provocadas pela doença, num determinado local e período de tempo — e/ou até o surgimento de uma vacina ou novo tratamento eficaz”.

Nesta fase, todos os hospitais do Serviço Nacional de Saúde (SNS) têm que estar preparados para dar resposta. Incluem-se aqui os hospitais privados e centros de saúde locais, que deverão ser envolvidos na fase de diagnóstico da doença e na gestão de casos em que o isolamento de doentes possa ser feito em casa, criando para isso uma área dedicada a esta doença.

Os IPO de Lisboa, Porto e Coimbra são os únicos hospitais do SNS que ficam de fora desta equação e não vão receber qualquer pessoa suspeita de infecção, de modo a proteger os seus doentes imunodeprimidos.

Estas medidas significam que o SNS poderá contar com cerca de mais 450 camas nos cuidados intensivos e 250 ventiladores, equipamento essencial para a manutenção de vida dos doentes de COVID-19 em estado grave.

Entrar na fase de mitigação em nada altera as leis relativas à liberdade de circulação ou o funcionamento de establecimentos comerciais impostos pela declaração do estado de emergência.

“A evolução epidemiológica da infeção determinará o ajustamento imediato das respostas. Estas, são continuamente atualizadas e ajustadas à medida que surjam conhecimentos mais precisos sobre o comportamento do vírus nas comunidades humanas, dinâmica de transmissão e diversidade de respostas e consequências clínicas em função das características pessoais de cada pessoa infetada”, afirma a DGS.

Fontes

Direção-Geral da Saúde, Plano Nacional de Preparação e Resposta à Doença por novo coronavírus, disponível em: https://www.dgs.pt/documentos-e-publicacoes/plano-nacional-de-preparacao-e-resposta-para-a-doenca-por-novo-coronavirus-covid-19-pdf.aspx

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