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Um guia para tempos complicados
Ana Graça
Ana Graça
12 Jul, 2018 - 10:30

Obrigar as crianças a comer: sim ou não?

Ana Graça

Muitas crianças passam por fases em que rejeitam determinados alimentos ou mesmo quase toda a alimentação. Os pais devem obrigar as crianças a comer?

Obrigar as crianças a comer: sim ou não?

Os bons hábitos alimentares devem começar a ser incutidos desde cedo, daí que a alimentação seja uma das principais preocupações dos pais. Frequentemente ouvimos os pais queixarem-se de que os seus filhos não comem e já não sabem o que hão-de fazer. Obrigar as crianças a comer será a solução?

Flutuações do apetite nas crianças

É absolutamente normal que as crianças passem por diferentes fases em relação à alimentação, havendo alturas em que se alimentam pior. O apetite das crianças é extremamente variável, pelo que os pais devem tentar encarar a alimentação dos seus filhos com serenidade.

As flutuações do apetite nas crianças estão dependentes de vários fatores, nomeadamente:

1) Idade da criança: por exemplo, se no 1º ano de vida a velocidade de crescimento é muito elevada e os bebés têm necessidades alimentares aumentadas, a partir dos 12 meses essa velocidade vai-se reduzindo, o que faz com que as crianças comam menos;

2) Se a criança está doente: se uma criança está doente isso reflete-se no seu apetite, sendo perfeitamente normal que coma menos durante alguns dias. Idealmente, ultrapassada a situação de doença o apetite é restabelecido;

3) Picos de crescimento: o crescimento e o desenvolvimento das crianças não é gradual nem contínuo, acontece por picos, o que faz com que as necessidades do organismo também variem. É natural que nas fases de maior crescimento as crianças comam mais, ao contrário do que acontece nas fases de menor crescimento;

4) Tipo de comida: todos temos as nossas preferências alimentares e as crianças não são exceção. Naturalmente que a escolha cabe aos adultos, mas importa ter em atenção que as preferências das crianças vão sempre influenciar o apetite que demonstram;

5) Contexto: é natural que quando as rotinas são quebradas a alimentação e o apetite também sofram alterações.

Obrigar as crianças a comer: sim ou não?

Obrigar as crianças a comer não é solução

As crianças sofrem frequentemente a pressão de ter de comer tudo o que está no prato, seja em casa ou no infantário. Frequentemente, os adultos recorrem inclusive à chantagem ou a recompensas para obrigar as crianças a comer. Mas será que isto é correto? Não!

Naturalmente, as crianças devem ser educadas a comer de forma saudável, a comer o que está disponível em casa e o que foi preparado pelos pais para a refeição em família. Isto não significa que as crianças não possam ter preferências e gostos alimentares a ser respeitados.

As guloseimas não devem ser sistematicamente usadas como recompensas pelo bom comportamento, na mesma medida em que a sopa não deve ser usada como castigo, porque é nestas pequenas ações que os adultos condicionam o apetite e a alimentação das crianças. A alimentação não é, nem deve ser, um instrumento de obediência ou um braço de ferro entre pais e filhos.

Os pais devem eliminar da despensa todas as alternativas alimentares menos saudáveis de forma a cativar as crianças para o consumo de alimentos saudáveis, bem como devem estimular à realização de várias refeições diárias por parte das crianças. Os pais não devem obrigar as crianças a comer, devem sim ensiná-las a comer bem. A importância da alimentação saudável deve ser tema recorrente de conversa em família, mas não deve ser motivo de tensão e stress familiar.

A maior parte dos pais habitua os filhos a comer em demasia. Apesar de não ser tarefa fácil, é importante que os pais aprendam a respeitar os sinais de fome e saciedade dos filhos, já que esses são os melhores indicadores da quantidade de comida que devem ingerir.

Se o seu filho está a evoluir de acordo com o esperado ao nível do peso o mais provável é que não haja motivo para alarme. Obrigar as crianças a comer não é solução, por isso, se a situação não se resolver procure a ajuda do pediatra que acompanha o seu filho e certamente encontrarão, em conjunto, melhores soluções.

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