Teresa Campos
Teresa Campos
15 Nov, 2021 - 23:28

Óculos de luz azul: tudo o que precisa de saber

Teresa Campos

Já ouviu falar em óculos de luz azul? Será que têm mesmo utilidade? Descubra o que dizem os especialistas acerca desta matéria.

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Designa-se por luz azul a luz emitida pelos ecrãs dos mais variados aparelhos eletrónicos, pelas luzes LED e fluorescentes, e pelo próprio sol. Embora ajude ao bom funcionamento do nosso corpo, atualmente há uma sobreexposição a esta luz, ao ponto de já existirem óculos de luz azul para protegerem os nossos olhos.

A proximidade e o tempo prolongado que tendemos a passar em frente aos ecrãs dos aparelhos eletrónicos pode ter um impacto bastante negativo na nossa saúde ocular. Mas será que os óculos de luz azul podem fazer a diferença?

O que é a luz azul?

Antes de mais, importa não “diabolizar” a luz azul e frisar que ela assume um papel relevante no nosso organismo, nomeadamente no que respeita à regulação do nosso ritmo circadiano.

Isto significa que a luz azul determina o nosso ritmo sono-vigília, ou seja, dá-nos indicações de quando devemos dormir e de quando devemos acordar. Também melhora a nossa capacidade de memorizar, o nosso funcionamento cognitivo e, até, o nosso humor e disposição.

Como e por que é que pode prejudicar a visão?

Apesar dos benefícios da luz azul, ela também pode prejudicar o bem-estar dos nossos olhos. Desde logo, porque eles não são capazes de impedir que esta luz chegue à retina. Consequentemente, alguns estudos têm demonstrado que existem certos sinais de alerta que podem indiciar que uma pessoa pode estar a passar muito tempo exposto à luz azul.

Alguns exemplos desses sinais são:

  • cansaço ocular;
  • olhos irritados;
  • dificuldade em focar;
  • stress oxidativo;
  • lesões no exterior da retina;
  • morte celular;
  • má qualidade de sono;
  • lesões nas células da retina;
  • problemas de visão, como a degeneração macular da idade;
  • envelhecimento precoce dos olhos;
  • maior risco de desenvolvimento de cataratas.

No entanto, importa dizer que alguns médicos relacionam sintomas como: visão desfocada, excesso de esforço na focagem, ardor nos olhos, cansaço visual, redução da capacidade de trabalho ou dores de cabeça não tanto com os efeitos da luz azul, mas antes com o facto de passarmos muito tempo com um ponto de focagem demasiado próximo, por exemplo, o computador.

criança com telemóvel

O que são e para que servem os óculos de luz azul?

Tendo em conta os possíveis malefícios de uma exposição mais intensa à luz azul, já existem óculos de luz azul, ou seja, óculos com lentes capazes de filtrarem esse tipo de luz e, assim, protegerem os nossos olhos.

Apesar da sua popularidade, os benefícios deste tipo de óculos ainda não foram cientificamente comprovados, pelo que o seu uso não está recomendado – pelo menos não oficialmente.

Além disso, muitos especialistas dizem que estas lentes não são eficazes e que começam a descascar, precisando de serem substituídas algum tempo depois . Os oftalmologistas relembram ainda que os ecrãs dos aparelhos eletrónicos atuais já possuem mais qualidade e, inclusive, filtros incorporados.

Para muitos profissionais de saúde ocular, há um consenso: se quer defender os seus olhos da luz azul, opte antes por óculos com lentes antirreflexo, que diminuem o brilho, elevam o contraste e funcionam como um escudo protetor contra a luz azul.

Este tipo de óculos pode utilizar tanto quando está na rua, exposto à luz solar, como quando está a olhar para o ecrã de um qualquer aparelho eletrónico.

óculos ou lentes de contacto
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Outras alternativas para proteger os seus olhos da luz azul

Além dos óculos, há outras medidas que pode adotar para defender os seus olhos da luz azul, nomeadamente:

  • passar menos tempo seguido frente a ecrãs de aparelhos eletrónicos;
  • evitar ter os olhos muito próximos do ecrã, mantendo uma distância de 60 a 70 centímetros;
  • evitar reflexos no ecrã ou excesso de luminosidade no espaço onde está frente ao ecrã;
  • posicionar o aparelho eletrónico, de modo a que olhe ligeiramente para baixo para focar o ecrã;
  • não deixar de ir piscando os olhos, enquanto está a olhar para o ecrã;
  • desviar, de 20 em 20 minutos, o olhar do ecrã e focar um objeto que esteja a uma distância de cerca de 6 metros;
  • aplicar lágrimas artificiais para evitar a secura ocular;
  • ativar o filtro de luz azul nos aparelhos eletrónicos que disponham dessa funcionalidade.
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