Miguel Pinto
Miguel Pinto
18 Jun, 2026 - 12:00

Vem aí uma onda de calor com temperaturas acima dos 40 graus

Miguel Pinto

Portugal vai ser atingido por uma nova onda de calor extremo, com temperaturas que podem ultrapassar os 40 graus. Saiba como se proteger.

onda de calor em junho

Se a onda de calor de maio já pareceu difícil de suportar, é importante estar preparado para o que se avizinha. Portugal está prestes a viver aquele que pode ser um dos episódios de calor mais intensos e prolongados dos últimos anos e desta vez o timing não podia ser mais simbólico. O pico coincide praticamente com o início oficial do verão, a 21 de junho.

O fenómeno responsável por tudo isto tem um nome, heat dome, ou cúpula de calor. Trata-se de uma massa de ar quente que fica aprisionada sobre uma região pela ação de um anticiclone.

Neste caso, trata-se de um sistema de alta pressão estacionado sobre os países nórdicos que impede a dissipação do calor durante vários dias consecutivos.

Os modelos meteorológicos convergem na formação de uma vasta cúpula de calor sobre a Europa Ocidental que poderá atingir o seu pico entre os dias 22 e 26 de junho. Portugal, Espanha e França estão entre os países mais expostos a este fenómeno.

Onda de calor: os números que impressionam

As temperaturas vão começar a subir de forma significativa a partir de sábado, 20 de junho, sendo provável que se mantenham muito elevadas na semana seguinte, com máximas que podem chegar aos 40 graus ou superiores em algumas regiões, segundo previsões do IPMA.

Os cenários por região apontam para valores que deixam pouco espaço à dúvida.

  • Santarém: entre 37ºC e 40ºC
  • Castelo Branco: entre 38ºC e 41ºC
  • Évora e Beja: entre 39ºC e 42ºC
  • Bragança e Vila Real: entre 36ºC e 39ºC
  • Interior da Península Ibérica: cenários mais extremos admitem valores próximos dos 43ºC a 45ºC

E o calor não vai parar quando o sol se puser. Os modelos meteorológicos antecipam noites tropicais generalizadas, com temperaturas mínimas acima dos 20ºC em várias regiões, especialmente no Sul e em parte do litoral.

Em algumas áreas do interior alentejano e do Vale do Guadiana poderão ocorrer noites tórridas, com os termómetros a não descerem dos 25ºC.

Autoridades de saúde reforçam alertas

Cuidados a ter com a pele após a praia

A Direção-Geral da Saúde (DGS), em conjunto com a ANEPC e o INSA, tem reforçado os alertas dirigidos à população. As autoridades alertam para o risco acrescido de desidratação, insolação e agravamento de doenças crónicas, sobretudo em idosos, crianças e pessoas com patologias pré-existentes.

Os grupos identificados como mais vulneráveis são crianças, pessoas idosas, doentes crónicos, grávidas e trabalhadores com atividade no exterior, em especial quem vive sozinho e pode não ter quem preste atenção ao seu estado de saúde.

Em caso de emergência, os sinais de alerta a reconhecer incluem suores intensos, febre, vómitos ou náuseas, e pulsação acelerada ou fraca. Nestes casos, deve contactar-se a linha SNS 24, através do número 808 24 24 24.

Como atravessar esta onda de calor com segurança

Com alguns ajustes no dia a dia, é possível atravessar este período com mais conforto e segurança. Aqui ficam as recomendações essenciais.

Hidratação: mais do que se pensa

A DGS recomenda beber água regularmente, pelo menos 1,5 litros por dia, mesmo sem sentir sede e evitar bebidas alcoólicas e com cafeína. A desidratação instala-se mais rapidamente do que o organismo avisa e a sensação de sede já é, em si, um sinal de alerta tardio.

As horas de ouro (e as de evitar)

Deve evitar-se a exposição solar direta entre as 11h00 e as 17h00. Quando for necessário sair, a recomendação é usar roupa leve, larga e de cores claras, e um chapéu de abas largas. O protetor solar com fator igual ou superior a 30 deve ser aplicado de duas em duas horas.

Casa fresca sem ar condicionado (é possível)

Manter persianas, estores e janelas fechados durante o dia (especialmente nas divisões expostas a sul e poente) é uma das medidas mais eficazes. À noite, assim que o exterior arrefecer, abre tudo para renovar o ar.

Os ventiladores de teto são mais eficientes do que os de mesa, e colocar um recipiente com gelo em frente a um ventilador proporciona um alívio imediato.

Alimentação nos dias de calor

A aposta deve ser em refeições leves e ricas em água, como gazpachos, saladas, e frutos com alto teor de líquidos como melancia, melão, pepino e morangos. Refeições pesadas a meio do dia devem ser evitadas.

Não esquecer os mais vulneráveis

As autoridades de saúde apelam a que se preste especial atenção a crianças, idosos, doentes crónicos e pessoas com mobilidade reduzida, acompanhando quem viva sozinho. Um telefonema ou uma visita pode fazer toda a diferença nestes dias.

Esta sequência de ondas de calor (uma em maio, outra a caminho em junho) não é uma coincidência. Portugal encontra-se numa zona particularmente vulnerável às alterações climáticas e episódios como este tendem a tornar-se cada vez mais frequentes e intensos.

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