Cidade das Profissões
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23 Out, 2018 - 09:00
Orientação vocacional dos jovens vs exigências da sociedade atual

Orientação vocacional dos jovens vs exigências da sociedade atual

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O insucesso no primeiro ano da universidade pode ter origem numa causa comum: a relação entre a orientação vocacional e as exigências da sociedade atual.

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Como entender as diferenças entre aquilo que se aplica à orientação vocacional dos jovens e as exigências da sociedade? É sobre este tema que nos vamos debruçar neste artigo.

Cada vez mais, nos nossos dias, a sociedade se vê confrontada com a insatisfação dos jovens face às escolhas vocacionais que lhes são impostas. Apesar de ser um tema bastante estudado e desenvolvido, a Orientação Vocacional ainda é vista como um modo de encontrar uma solução profissional e não um objetivo de vida.

Este facto é demonstrado pelas percentagens de alunos que optam por áreas de estudo que desconhecem e que, após experimentação, não gostam, levando-os ao insucesso, não apenas no ensino secundário, mas também no ensino superior.

Orientação Vocacional vs Exigências da Sociedade Atual: saiba mais

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Os jovens contam com apoio adequado nas escolhas vocacionais?

Quando as Universidades apresentam estudos que demonstram que 68% dos jovens tem insucesso no primeiro ano de faculdade (estudo realizado pelo Observatório Permanente do Abandono e Promoção do Sucesso Escolar da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro – UTAD), percebemos que estamos perante muitos jovens que claramente não estavam preparados para encetar um percurso de vida. Na verdade, os jovens não têm apoio nas suas escolhas e, portanto, nas tomadas de decisão que lhes são impostas e que são tão importantes na concretização dos seus projetos de vida.

Apesar das entidades competentes reconhecerem esta realidade, não são tomadas medidas que colmatem estas dificuldades e que levem a uma solução para esta situação fundamental para a vida dos nossos jovens. Constatamos que a forma como é feita a Orientação Vocacional nos nossos dias nada mudou desde há 30 anos quando foram instituídos os Psicólogos nas escolas para tratarem este tema (Cfr. Decreto-Lei n.º 190/91, de 17 de maio).

Os profissionais de Orientação Vocacional nas escolas não têm a disponibilidade necessária para trabalharem estas matérias, pois as prioridades são outras, acabando por descurar, em prol de outras urgências, esta temática tão importante para os jovens e, consequentemente, para a sociedade atual.

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Passados anos de estudo, continua-se a privilegiar a realização de um teste vocacional como chave para uma escolha vocacional/profissional certa e esquecemo-nos de contextualizar a importância dos jovens e da sua individualidade perante tal escolha. Não proporcionamos aos jovens as ferramentas necessárias para uma tomada de decisão consciente, limitando-a aos resultados da aplicação de testes vocacionais.

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Há um enorme desafio que se coloca a todos os intervenientes num processo de Orientação Vocacional, torná-lo uma prioridade, isto se queremos contribuir para um futuro melhor dos nossos jovens e da sociedade. Jovens insatisfeitos serão profissionais insatisfeitos nos vários contextos de vida. É, portanto, da maior importância refletir sobre o que queremos para o futuro. É premente repensar perspetivas e estruturar mudanças que possam levar a uma alteração concreta da Orientação Vocacional dos nossos jovens nos nossos dias.

Neste contexto, é fundamental perguntarmos o que é que estamos à espera para priorizar esta temática nas escolas? Qual o papel do Estado, do Ensino Português e da Sociedade perante esta questão? E das famílias que acabam por viver esta problemática diretamente?

Ao exigirmos que os jovens façam escolhas tão fundamentais sem o apoio necessário, mas ao mesmo tempo esperando que sejam os melhores no ensino para que se tornem os melhores profissionais, influenciando direta ou indiretamente as suas escolhas, corremos o risco de, lamentavelmente, nos aproximarmos perigosamente de uma realidade que em nada abona o futuro dos nossos jovens.

São robots que queremos? Ou queremos jovens felizes, futuros profissionais felizes nos vários contextos de vida? Vale a pena refletir.

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