Miguel Pinto
Miguel Pinto
13 Jan, 2026 - 13:30

Está frio, mas estas piscinas de água quente são já aqui ao lado

Miguel Pinto

Pode estar tempo frio, mas um mergulho em água quente é sempre retemperador. Venha conhecer Muíño da Veiga, em Ourense.

piscinas de água quente em Ourense

Para combater o frio, um banho de água quente cai sempre bem. E pode ser feito ao ar livre. Não acredita? Basta conhecer o Muíño da Veiga, em Ourense, na Galiza, para descobrir um sítio onde águas tépidas brotam com naturalidade.

O cenário é simples. Um antigo moinho, recuperado sem excessos. O rio Minho a passar ali mesmo ao lado, frio, persistente, indiferente.

E, no meio dessa paisagem quase rural, piscinas de água termal que mantêm temperaturas elevadas durante todo o ano, frequentemente entre os 38 e os 42 graus. Um contraste eficaz. Quase terapêutico só de olhar.

Não há arquitetura espetacular, nem design ostensivo. Há pedra, madeira, vapor a subir devagar e uma sensação muito específica de que o corpo percebe o lugar antes da cabeça. E água quente.

Talvez seja isso que distingue Muíño da Veiga de outras zonas termais mais “arrumadas”. Aqui, o ambiente não tenta domesticar a experiência.

Espaço público para desfrutar a água quente

As termas de Muíño da Veiga são de acesso gratuito e ao ar livre, integradas num espaço público cuidado, mas deliberadamente simples. A entrada não impressiona. E ainda bem.

Quem chega percebe rapidamente que o interesse não está na fotografia perfeita, mas no tempo passado dentro de água quente, em silêncio ou em conversas baixas que nunca chegam a ser confidências.

Há piscinas principais, zonas de menor profundidade e áreas onde a água circula de forma contínua. Tudo sem circuitos artificiais nem coreografias de spa. A lógica é outra. Funcional. Quase bruta.

Vista de Puebla de Sanabria com neve
Veja também Puebla de Sanabria: passeio fascinante mesmo aqui ao lado

Benefícios que não precisam de marketing

As águas termais de Ourense são conhecidas pelas suas propriedades relaxantes e terapêuticas, associadas sobretudo ao alívio de tensões musculares, problemas articulares e stress acumulado.

Em Muíño da Veiga, esses benefícios surgem sem folhetos explicativos nem promessas exageradas. A água faz o seu trabalho. O corpo agradece. E pronto.

Mesmo no inverno, quando o vapor contrasta com o ar frio da Galiza interior, o espaço mantém uma frequência constante de utilizadores. Locais, sobretudo. O que é sempre um bom sinal.

Um ritual urbano com sabor rural

Apesar de estar relativamente próximo do centro de Ourense, Muíño da Veiga conserva uma atmosfera quase campestre. O som dominante é o da água. Depois, passos. Vozes ocasionais. Nada que interrompa o essencial.

Não é um sítio para correr. Nem para “ver tudo”. É um sítio para ficar, para entrar na água sem pressa, sair, voltar a entrar. Repetir. O tempo, ali, comporta-se de forma estranha. Estica. Encolhe. Desaparece um pouco.

Quando ir (e quando não ir)

De manhã cedo ou ao final do dia, o espaço revela a sua melhor versão. Menos gente, luz mais suave, outra calma.

Aos fins de semana e em épocas de maior afluência turística, pode perder-se alguma da serenidade que o define.

Ainda assim, raramente se transforma num lugar caótico. Talvez porque o próprio ambiente imponha respeito.

Muíño da Veiga sem filtros

moinho nas termas de água quente de ourense

Muíño da Veiga não compete com spas de luxo nem tenta reinventar a experiência termal. Não precisa.

A sua força está precisamente na ausência de artifício, na relação direta entre água, paisagem e corpo. Um lugar onde o bem-estar não é conceito de marketing, mas consequência natural.

Em Ourense, terra de águas quentes e hábitos antigos, Muíño da Veiga continua a cumprir o seu papel com discrição.

E talvez seja isso que o torna tão fácil de recomendar. Sem exageros. Sem promessas vazias. Apenas água quente, rio ao lado e tempo suficiente para deixar o resto ficar para depois.

Veja também