Para combater o frio, um banho de água quente cai sempre bem. E pode ser feito ao ar livre. Não acredita? Basta conhecer o Muíño da Veiga, em Ourense, na Galiza, para descobrir um sítio onde águas tépidas brotam com naturalidade.
O cenário é simples. Um antigo moinho, recuperado sem excessos. O rio Minho a passar ali mesmo ao lado, frio, persistente, indiferente.
E, no meio dessa paisagem quase rural, piscinas de água termal que mantêm temperaturas elevadas durante todo o ano, frequentemente entre os 38 e os 42 graus. Um contraste eficaz. Quase terapêutico só de olhar.
Não há arquitetura espetacular, nem design ostensivo. Há pedra, madeira, vapor a subir devagar e uma sensação muito específica de que o corpo percebe o lugar antes da cabeça. E água quente.
Talvez seja isso que distingue Muíño da Veiga de outras zonas termais mais “arrumadas”. Aqui, o ambiente não tenta domesticar a experiência.
Espaço público para desfrutar a água quente
As termas de Muíño da Veiga são de acesso gratuito e ao ar livre, integradas num espaço público cuidado, mas deliberadamente simples. A entrada não impressiona. E ainda bem.
Quem chega percebe rapidamente que o interesse não está na fotografia perfeita, mas no tempo passado dentro de água quente, em silêncio ou em conversas baixas que nunca chegam a ser confidências.
Há piscinas principais, zonas de menor profundidade e áreas onde a água circula de forma contínua. Tudo sem circuitos artificiais nem coreografias de spa. A lógica é outra. Funcional. Quase bruta.
Benefícios que não precisam de marketing
As águas termais de Ourense são conhecidas pelas suas propriedades relaxantes e terapêuticas, associadas sobretudo ao alívio de tensões musculares, problemas articulares e stress acumulado.
Em Muíño da Veiga, esses benefícios surgem sem folhetos explicativos nem promessas exageradas. A água faz o seu trabalho. O corpo agradece. E pronto.
Mesmo no inverno, quando o vapor contrasta com o ar frio da Galiza interior, o espaço mantém uma frequência constante de utilizadores. Locais, sobretudo. O que é sempre um bom sinal.
Um ritual urbano com sabor rural
Apesar de estar relativamente próximo do centro de Ourense, Muíño da Veiga conserva uma atmosfera quase campestre. O som dominante é o da água. Depois, passos. Vozes ocasionais. Nada que interrompa o essencial.
Não é um sítio para correr. Nem para “ver tudo”. É um sítio para ficar, para entrar na água sem pressa, sair, voltar a entrar. Repetir. O tempo, ali, comporta-se de forma estranha. Estica. Encolhe. Desaparece um pouco.
Quando ir (e quando não ir)
De manhã cedo ou ao final do dia, o espaço revela a sua melhor versão. Menos gente, luz mais suave, outra calma.
Aos fins de semana e em épocas de maior afluência turística, pode perder-se alguma da serenidade que o define.
Ainda assim, raramente se transforma num lugar caótico. Talvez porque o próprio ambiente imponha respeito.
Muíño da Veiga sem filtros

Muíño da Veiga não compete com spas de luxo nem tenta reinventar a experiência termal. Não precisa.
A sua força está precisamente na ausência de artifício, na relação direta entre água, paisagem e corpo. Um lugar onde o bem-estar não é conceito de marketing, mas consequência natural.
Em Ourense, terra de águas quentes e hábitos antigos, Muíño da Veiga continua a cumprir o seu papel com discrição.
E talvez seja isso que o torna tão fácil de recomendar. Sem exageros. Sem promessas vazias. Apenas água quente, rio ao lado e tempo suficiente para deixar o resto ficar para depois.