Ekonomista
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23 Set, 2026 - 09:30

Q-Day Conference 2026: a confiança pesa mais do que a IA

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Portugal debate agentes de inteligência artificial no Q-Day Conference 2026. Saiba o que muda para empresas e profissionais e porque a confiança pesa mais.

A partir de 24 de setembro, a Culturgest, em Lisboa, recebe a 17.ª edição da Q-Day Conference, este ano dedicada aos agentes de inteligência artificial — sistemas capazes de tomar decisões e executar tarefas com pouca ou nenhuma intervenção humana constante.

O tema chega numa altura em que cada vez mais empresas portuguesas testam este tipo de ferramentas, mas poucas conseguem provar que o investimento compensou. É essa a principal conclusão do Observatório Quidgest 2026-27, estudo que ouviu profissionais de 50 países e cujos resultados serão apresentados na conferência.

Para quem gere um negócio, um consultório ou apenas a própria carreira, perceber esta distinção — entre experimentar tecnologia e integrá-la com resultados mensuráveis — pode ser a diferença entre gastar e investir.

O que são, afinal, os agentes de inteligência artificial

Um agente de IA não se limita a responder a perguntas. Recebe um objetivo, decide os passos necessários para o atingir e executa tarefas sozinho — desde preencher um formulário até coordenar-se com outros agentes para fechar um processo inteiro.

É essa autonomia que distingue um agente de um simples assistente de conversação, como um chatbot. Já existem exemplos concretos no mercado — o ChatGPT Agent é um dos primeiros a chegar ao público em geral — mas é também o que levanta a questão central da Q-Day Conference: quem controla as decisões que o agente toma em nome de uma empresa ou de uma pessoa?

Na sessão de abertura, a Quidgest lança o livro Valuable AI Agents — From LLMs to Agent Capability Enablement, que propõe um modelo para ligar estes agentes aos processos reais de uma organização, em vez de os deixar a funcionar isolados de tudo o resto.

A resistência já não é o problema — a confiança é

Durante anos, o maior obstáculo à adoção de IA nas empresas foi a desconfiança dos próprios trabalhadores. Segundo o Observatório Quidgest 2026-27, isso mudou: a resistência das pessoas deixou de ser o principal entrave.

O que trava agora a adoção é a falta de governação e de confiança institucional — ou seja, a ausência de regras claras sobre quem responde por uma decisão tomada por um agente automático. E há um sintoma direto disso: a maioria das organizações continua sem conseguir demonstrar o retorno real do que já investiu em IA.

Existe, segundo o estudo, uma distância significativa entre “estar a experimentar agentes de IA” e tê-los verdadeiramente integrados na operação diária. É nessa distância que o dinheiro se perde — em testes que nunca chegam a produção, em subscrições que ninguém cancela e em decisões automatizadas que depois têm de ser corrigidas manualmente.

Quanto custa avançar sem governação

Antes de contratar qualquer ferramenta de IA para o próprio negócio, vale a pena fazer três perguntas simples: quem revê as decisões do agente, o que acontece quando ele erra e quanto tempo é preciso para medir se compensou.

Sem resposta a estas três perguntas, o risco não é só financeiro. É também operacional: um agente mal configurado pode enviar um orçamento errado a um cliente, agendar duas vezes o mesmo compromisso ou responder de forma incoerente com a marca.

Teste durante um trimestre inteiro antes de decidir manter ou cancelar. Só com esse período é possível comparar o tempo poupado com o tempo gasto a corrigir erros — e chegar a uma conclusão que não seja apenas intuição. Há já sete formas simples de medir se a IA está mesmo a ganhar tempo no dia a dia, um bom ponto de partida antes de avançar para um agente mais autónomo.

Se já usa ferramentas de IA no dia a dia do seu negócio, pode ler como usar o Chat GPT no trabalho em seis utilizações produtivas para perceber onde a fronteira entre assistente e agente ainda faz diferença.

Como participar na Q-Day Conference 2026

A conferência tem entrada gratuita, presencial ou online, mediante inscrição prévia, e conta este ano com os Altos Patrocínios do Presidente da República, António José Seguro, e da Presidente do Parlamento Europeu, Roberta Metsola.

O dia está dividido em três painéis — soberania digital, dependência tecnológica como risco estratégico e competências para orquestrar agentes de IA — além de uma sessão dedicada à diáspora tecnológica portuguesa e da entrega dos Prémios de Co-Inovação, que distinguem projetos que já aplicam estas soluções na prática.

Quem participar recebe ainda um exemplar gratuito do livro apresentado na abertura, com o modelo proposto pela Quidgest para tornar os agentes de IA parte do processo de negócio, e não apenas uma demonstração isolada.

O que fica depois de 24 de setembro

A tecnologia dos agentes de IA já existe e já funciona em demonstração. O que falta, segundo o próprio estudo que motiva a conferência, é a parte menos vistosa: regras claras, responsabilidade definida e uma forma honesta de medir o retorno.

Antes de investir mais tempo ou dinheiro num agente de IA para o seu negócio, pergunte-se se sabe responder às três questões acima. Se não sabe, talvez o mais rentável seja começar por aí.

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Fontes

Quidgest. (2026). Q-Day 2026: “IA: a Era dos Agentes”. https://quidgest.com/q-day-2026/