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Assunção Duarte
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26 Nov, 2018 - 15:23

Como saber qual é o meu IP? A resposta a esta e outras dúvidas

Assunção Duarte

Qual é o meu IP? Como alterá-lo? Descubra a resposta a estas perguntas e saiba se esconder o seu IP protege ou não a sua privacidade e segurança online.

Como saber qual é o meu IP? A resposta a esta e outras dúvidas

Qual é o meu IP? Esta é uma pergunta que se tornou mais pertinente do que nunca desde que as questões que envolvem a segurança e a privacidade dos utilizadores de Internet, e dos seus dados, se tornaram temas de discussão e preocupação pública.

Os endereços de IP (Internet Protocol) identificam todos os dispositivos que se ligam à Internet – computadores, tablets ou smartphones –, e são muitas vezes apontados como capazes de fornecer informação sobre os seus utilizadores, potenciando ataques de hackers ou mesmo ameaças à sua segurança física. Será mesmo assim?

O que é um IP?

qual é o meu IP

Para que a Internet funcione, as redes de computadores têm de ligar milhões de dispositivos espalhados pelos quatro cantos do mundo e conseguir que todas estas máquinas comuniquem ente si. Para isso acontecer foi necessário definir protocolos que as possam identificar, inequivocamente, quando se ligam à rede.

Esta identificação é conseguida através de uma sequência de protocolos que são identificados como TCP/IP (Transmission Control Protocol/Internet Protocol).

Desenvolvida inicialmente com objetivos militares, a comunicação TCP/IP foi adotada para a Internet com duas funções: identificar e endereçar cada máquina que se encontre online para que não se confunda com mais nenhuma outra.

Para o fazer este protocolo recorre ao endereçamento IP de cada dispositivo, o que que dizer que atribui um rótulo numérico único no mundo a cada dispositivo que se ligue online. Assim, quando qualquer um de nós se liga à Internet, o nosso equipamento assume automaticamente um endereço de IP que serve para o identificar e é ele que nos permite estabelecer qualquer comunicação para enviar e receber dados.

O protocolo IP já teve várias versões desde que surgiu. Na quarta versão do IP (IPv4), ainda a mais utilizada deste protocolo, o formato dos endereços é composto por quatro números entre o 0 e o 255 inclusive, separados por três pontos (exemplo: 127.0.0.1). Esta versão define um endereço IP como um número de 32 bits, o que corresponde aproximadamente à existência de 4 mil milhões de endereços distintos.

Com o crescimento da Internet este número está próximo de ser esgotado e uma nova versão do protocolo, o IPv6 – usando 128 bits -, já começou a ser implementado, lado a lado com a IPv4. Esta versão permitirá a criação de 340 sextiliões de endereços. Para ter uma ideia da possibilidade de combinações que o protocolo IPv6 permite, repare no exemplo de um endereço nesta versão: 2001:0db8:85a3:0000:0000:8a2e:0370:7334.

Como é atribuído o meu IP e quem gere os endereços?

Endereços de IP públicos e privados

A maioria dos endereços de IP são públicos, o que permite que estejam acessíveis através da Internet e só assim conseguimos comunicar com todas as outras máquinas online. Um pouco como eram as listas telefónicas antigas que mostravam os números de todos os utilizadores de telefone fixo. Se não tivéssemos o nosso telefone na lista, não seria possível alguém contactar-nos.

Os endereços de IP são geridos pela IANA (Internet Assigned Numbers Authority). Com sede nos Estado Unidos, esta organização mundial controla a atribuição global dos números na Internet. É esta associação que atribui a cada operador ou fornecedor de serviços de Internet um determinado intervalo de endereços de IP públicos para este atribuir aos dispositivos dos seus clientes.

Por exemplo, se o seu fornecedor de Internet é a Vodafone ou a NOS, sempre que se liga online através do seu serviço, é essa a entidade que lhe atribui um endereço de IP público, diretamente ou através de um router, se estiver a aceder via uma rede local.

No caso dos endereços de IP privados, também chamados de endereços de IP locais, a IANA reservou intervalos de números para serem utilizados em redes que não se ligam diretamente à Internet. Podem ser redes de empresas ou a rede de sua casa que tem um router ao qual se ligam vários dispositivos.

Como funciona? Através do NAT (Network Address Translation). O router serve de tradutor na rede e muda o endereço de IP privado do seu dispositivo para o IP público do router e vice-versa, para poder enviar e receber dados online. Isso quer dizer que todos os dispositivos da sua rede local podem ter o mesmo endereço público, mas cada um ter o seu endereço privado ou local. Fica assim garantido que os dados que são para o seu smartphone não vão parar ao dispositivo do seu irmão, pai ou filho, mesmo que todos estejam a utilizar o mesmo router.

Para facilitar a vida dos utilizadores, também se utilizam endereços de domínio. Estes endereços são, por sua vez, convertidos num endereço IP pelo DNS (Domain Name System). Os servidores DNS traduzem nomes para os endereços IP e vice-versa, o que nos permite escrever “http://google.com” em vez de algo como “http://74.125.224.72/” quando queremos ir ao Google.

Porque mudam os endereços de IP?

qual é o meu IP

Os endereços de IP atribuídos pelo seu fornecedor de Internet, podem nunca mudar (ser estáticos) ou podem mudar de tempos a tempos (ser dinâmicos). Tem tudo a ver com o número de dispositivos que estão online. Existem milhões de utilizadores de Internet em todo o mundo que podem, ou não, estar ligados todos ao mesmo tempo. Existem utilizadores que se ligam o dia inteiro e outros que o fazem apenas uma vez por semana.

Com diferenças de acessibilidade tão grandes, a atribuição de endereços de IP estáticos seria difícil de gerir, especialmente com o protocolo de IPv4, que oferece um número de endereços mais limitado. Haveria momentos em que os IPs iriam esgotar, tornando impossível identificar algumas máquinas que ficavam sem conseguir comunicar, e outros em que haveria muitos endereços que não estavam a ser utilizados, desperdiçando a sua existência.

O conceito de endereço de IP dinâmico foi criado para que as operadoras possam gerir o seu intervalo fixo de endereços de IP de forma a que os seus clientes possam ter sempre um endereço disponível para o seu equipamento quando se ligam à internet.

Sendo assim, nunca somos verdadeiros donos do nosso IP, apenas o temos emprestado, até ele ser emprestado a outro utilizador se a nossa operadora assim o necessitar.

Que informações pode dar o meu IP?

Os endereços de IP são atribuídos a máquinas e não a pessoas, isto quer dizer que só o seu fornecedor de Internet sabe o nome e a morada que estão por trás do IP do seu dispositivo.

Essa informação é-lhes essencial por causa da faturação, mas é mantida privada, a não ser que as autoridades judiciais precisem dela. Mas para a identificação e o endereçamento IP poderem funcionar eficazmente, este protocolo recorre a uma tecnologia de geolocalização que permite identificar, de forma aproximada, a localização geográfica de um computador, smartphone ou email através do seu IP quando este se liga online.

Mesmo que seja impossível saber o seu nome e morada através do seu IP, é possível saber a partir de que país ou cidade está a aceder e qual é o seu fornecedor de Internet. Claro que se revelar mais dados sobre si online, algum pirata, com acesso ao seu IP e a esses dados suplementares, poderá descobrir a sua localização real, mas nunca apenas pelo seu endereço de IP.

Lembre-se também que, quando usa uma rede Wi-Fi gratuita de algum centro comercial ou café, é-lhe atribuído um IP através dessa rede, o que também poderá dar informação extra sobre as suas rotinas e hábitos. A seu favor tem o facto da maioria das operadoras utilizarem os tais endereços dinâmicos que, ao mudarem de tempos a tempos, podem baralhar os hackers.

Qual é o meu IP? É importante saber?

Saber o seu IP não é essencial para a sua segurança online, mas pode ser útil se utilizar um programa de acesso remoto ao seu computador, para verificar se são apenas os seus dispositivos que estão a aceder à sua rede ou se precisar de validar informação que mostra o IP do emissor ou do recetor.

Então, qual é o meu IP? É fácil descobrir qual é o seu endereço de IP público online. Basta entrar em sites que, gratuitamente, lhe mostram o seu atual rótulo numérico, como é o caso do Qualmeuip.

Para saber o seu endereço de IP local poderá encontrá-lo no próprio dispositivo, acedendo às configurações de rede e procurando qualquer informação que esteja associada à sua ligação Wi-Fi e de dados móveis. Online também consegue aceder ao seu IP local através de sites como o Whatsmyip, com um limite máximo de visualizações gratuitas.

Para localizar um IP que não seja o seu, também existem várias ferramentas online que o podem ajudar, como a IP Fingerprints ou o IP Lookup.

É possível esconder ou mudar o meu IP?

Sim, é possível e pode trazer algumas vantagens. Por exemplo, se quiser manter a privacidade do que faz na Internet para evitar a publicidade direcionada de alguns sites, ou se quiser aceder a conteúdo geograficamente bloqueado ou ainda se pura e simplesmente quiser evitar uma pegada digital.

A forma mais fácil de ocultar o seu endereço de IP é mudá-lo frequentemente. Isso acontece quando entra online através de várias redes Wi-Fi públicas diferentes que lhe vão atribuir IPs diferentes em cada acesso, e também pode acontecer se desligar o cabo do modem por mais de cinco minutos. Esse momento, com o hardware desligado, pode ser suficiente para levar o seu fornecedor a atribuir-lhe um outro IP.

Mas se o seu objetivo é alterar o seu endereço de IP temporariamente para, por exemplo, ele aparecer localizado num outro país enquanto navega online, aí já terá de recorrer a ferramentas que existem na Internet como, por exemplo, o MyIPHide. São ferramentas pagas que costumam afetar apenas os browsers, quer dizer que têm de estar a correr enquanto navega na Internet, mas não afetam outras atividades que o levem à rede, como a utilização de programas, por exemplo.

Se quiser uma solução mais definitiva para esconder o seu IP tem de optar por um serviço de VPN (Virtual Private Network), que lhe dá privacidade e anonimato no acesso ao fornecer-lhe um canal de comunicação que utiliza técnicas de criptografia e autenticação.

Um bom exemplo de redes deste tipo são as utilizadas pelas universidades que disponibilizam, por este meio, acessos a conteúdos e serviços internos para os seus alunos. Existem serviços de VPN gratuitos, mas que podem ser mais lentos, menos seguros e ter várias limitações. Quando escolher o seu serviço de VPN leia com atenção as condições de utilização para não ter surpresas desagradáveis.

Deixamos-lhe aqui o acesso a uma ferramenta popular de VPN, o TunnelBear, que lhe oferece uma versão gratuita, limitada a 500 MB de dados mensais, mas que pode contratar, em várias modalidades, a partir de 10 euros por mês com tráfego ilimitado.

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