Share the post "O Range Rover Sport tornou-se elétrico, mas continua pronto para tudo na estrada e fora dela"
O Range Rover Sport entra numa nova fase com a chegada da primeira versão 100% elétrica da sua história.
O novo Range Rover Sport Electric combina a imagem musculada e o posicionamento desportivo do SUV britânico com dois motores elétricos, até 550 cv e 850 Nm de binário, prometendo manter intacta uma das características que mais distingue a família Range Rover, a capacidade de sair do asfalto.
A eletrificação não chega, portanto, acompanhada de uma mudança radical de personalidade.
Pelo contrário. A Range Rover procurou utilizar as vantagens do motor elétrico, nomeadamente a resposta imediata e a entrega de binário, para tornar o Sport ainda mais rápido e preciso, sem abdicar das capacidades todo-o-terreno.
Um SUV de luxo silencioso, pesado e elétrico capaz de atravessar água com 90 centímetros de profundidade e enfrentar inclinações de 45 graus. Aparentemente, os tempos mudaram e a eletrificação também quer sujar as rodas.
Os preços deste novo modelo começam nos 122.157 euros, atingindo os 155.899 euros na versão de topo. As encomendas já estão abertas e prevê-se que chegue a Portugal ao longo de 2027.
Novo Range Rover: dois motores elétricos e até 550 cv
O novo Range Rover Sport Electric recorre a dois motores elétricos de 260 kW, um em cada eixo, formando um sistema de tração integral. A gama é composta pelas versões EV450 e EV550.
A EV450 desenvolve 450 cv, enquanto a EV550 eleva a potência para 550 cv. Nesta última, o binário máximo chega aos 850 Nm, o valor mais elevado alguma vez disponibilizado num Range Rover Sport.
A resposta do binário é também particularmente rápida, com a marca a indicar uma entrega 50% mais rápida do que no Range Rover Electric.
No caso da EV550, a aceleração dos 0 aos 100 km/h demora apenas 4,5 segundos com o Dynamic Launch Mode. A marca britânica posiciona, assim, o elétrico ao nível das versões de elevada performance equipadas com motores de combustão.
O objetivo não é apenas produzir um SUV elétrico rápido em linha reta.
A afinação foi desenvolvida para tornar o Range Rover Sport Electric mais ágil e envolvente, aproveitando também a redução do centro de gravidade proporcionada pela colocação da bateria no piso.
Uma bateria de 118,5 kWh

A energia é armazenada numa bateria de 118,5 kWh, associada a uma arquitetura elétrica de 800 volts.
A autonomia máxima anunciada chega aos 609 quilómetros em ciclo WLTP, enquanto a Range Rover aponta para uma autonomia estimada em condições reais de cerca de 535 km.
Como sempre acontece com os valores WLTP, estes números devem ser encarados como referência e não como uma promessa de que será possível percorrer 609 km em qualquer circunstância.
Peso, temperatura, velocidade, utilização do climatizador, dimensão das jantes e estilo de condução têm impacto direto na autonomia.
A própria Range Rover alerta ainda que a condução fora de estrada e o reboque podem reduzir substancialmente a autonomia elétrica.
Carregamento rápido até 350 kW
A arquitetura de 800 V permite também carregamentos de elevada potência. Num carregador rápido de corrente contínua de 350 kW, o Range Rover Sport Electric consegue passar dos 10 aos 80% em cerca de 22 minutos, segundo os dados da marca.
Em condições ideais, 10 minutos de carregamento podem acrescentar até 220 km de autonomia.
Range Rover com centro de gravidade mais baixo

A transformação não se limita ao sistema de propulsão. A Range Rover Sport Electric recebeu uma afinação específica do chassis, com uma carroçaria mais rígida e um centro de gravidade mais baixo do que o das versões híbridas plug-in.
Segundo a informação divulgada pela marca, a estrutura é 61% mais rígida do que a do Range Rover Sport PHEV, enquanto o centro de gravidade foi reduzido em 73 mm.
A suspensão pneumática Dynamic Air Suspension trabalha em conjunto com o Electronic Active Roll Control, os amortecedores Twin Valve e o sistema Adaptive Dynamics.
Este último monitoriza 100 parâmetros até 500 vezes por segundo para ajustar o comportamento do veículo.
O sistema de controlo ativo da carroçaria pode aplicar até 1400 Nm de força em cada eixo, contribuindo para controlar os movimentos da carroçaria em curva, aceleração e travagem.
A direção às quatro rodas, disponível como opção, completa o conjunto e pretende melhorar tanto a agilidade em estrada como a capacidade de manobra em espaços mais apertados.
Um elétrico que não esquece o todo-o-terreno
Se existe uma característica que seria difícil de sacrificar num Range Rover Sport, seria a capacidade fora de estrada. A marca fez questão de demonstrar que a eletrificação não altera esse princípio.
O novo modelo dispõe de um sistema Intelligent Traction Management especificamente calibrado para a propulsão elétrica e de um sistema de tração integral virtual.
A gestão independente dos motores permite controlar de forma muito rápida a distribuição de binário entre os eixos.
O resultado anunciado é uma capacidade de atravessar água até 900 mm de profundidade e superar inclinações de até 45 graus.
Para demonstrar estas capacidades, o Range Rover Sport Electric foi submetido a testes nas pedreiras de mármore de Carrara, em Itália, onde enfrentou superfícies de aderência variável, temperaturas extremas e inclinações de até 45 graus.
Silêncio passa a fazer parte da experiência
Um dos aspetos que muita gente irá sentir falta neste Range Rover Sport Electric é o ruído de um motor de combustão.
Pois bem, a Range Rover optou por desenvolver uma assinatura sonora específica para o modelo.
A ideia não é simplesmente reproduzir artificialmente o som de um motor, mas criar uma paisagem sonora associada aos diferentes modos de condução e ao caráter dinâmico do veículo.
A performance pode aumentar e a resposta pode tornar-se mais imediata, mas desaparece uma parte importante da experiência sensorial associada a um SUV de elevada potência.
Um design que muda pouco, mas o suficiente

Visualmente, o Range Rover Sport Electric mantém as proporções e a presença do modelo que já se conhece. A transformação é mais evidente nos detalhes.
A grelha dianteira foi otimizada aerodinamicamente e apresenta uma configuração específica para a versão elétrica.
As jantes também assumem um desenho orientado para melhorar a eficiência aerodinâmica, enquanto a ausência de saídas de escape denuncia a principal diferença na traseira.
A abordagem é deliberadamente conservadora. Quem olhar para o SUV não encontrará uma tentativa de criar uma nova linguagem visual exclusivamente elétrica.
A intenção é que continue a ser imediatamente reconhecido como um Range Rover Sport.
No habitáculo, a experiência mantém a orientação luxuosa e tecnológica do modelo, com um painel de instrumentos digital de 12,3 polegadas, sistema Pivi Pro e Head-up Display disponível.
A chegada do Range Rover Sport Electric representa mais do que o aparecimento de uma nova motorização.
É uma demonstração de como a Range Rover pretende fazer a transição para a mobilidade elétrica sem transformar os seus modelos em simples veículos de transporte.