Miguel Pinto
Miguel Pinto
09 Set, 2026 - 11:00

UMM elétrico? Mítico jipe português pode estar a preparar um regresso silencioso

Miguel Pinto

Será que vem aí um versão elétrica do mítico jipe português UMM? Pelo menos, apareceu no Caramulo um protótipo com 200 cavalos.

UMM elétrico

A possibilidade de a UMM voltar a produzir automóveis ganhou um novo fôlego depois do Caramulo Motorfestival 2026, onde a marca portuguesa mostrou, sem grande alarido, um protótipo que reacende décadas de nostalgia automóvel nacional.

Entre camuflagem, especulação e alguma discrição propositada, o UMM Alter voltou a estar em destaque, desta vez com uma ficha técnica que nada tem a ver com os motores a gasóleo que tornaram a marca famosa.

No Center Stage by Cartrack, um dos palcos mais concorridos do Caramulo Motorfestival, surgiu um protótipo camuflado que tentava disfarçar as linhas de chapa quinada tão características da marca, criadas pelo arquiteto e designer português Carlos Galamba.

O veículo, baseado no histórico UMM Alter, está equipado com um motor elétrico com mais de 200 cv e uma bateria de 55 kWh. O protótipo foi desenvolvido com o apoio do Instituto Superior de Engenharia de Lisboa (ISEL) e o carro parece manter grande parte da base técnica original do UMM Alter, incluindo carroçaria, chassis e suspensões, sendo a grelha dianteira fechada um dos pormenores que denuncia a ausência do tradicional motor de combustão.

Filipe Baptista da Silva, administrador da UMM, explicou o propósito do projeto em declarações à imprensa presente no evento: referiu que “trazemos um protótipo onde testamos coisas novas, diferentes, um elétrico, é um conjunto de experiências que estamos a fazer”.

UMM: regresso ou apenas exercício tecnológico?

UMM clássico

Convém gerir expectativas. Este protótipo representa, para já, sobretudo uma plataforma de desenvolvimento e experimentação tecnológica, e um eventual regresso à produção continua a ser prematuro e incerto, com a própria administração da UMM a manter prudência sobre o tema.

Questionado diretamente sobre o futuro da marca, Baptista da Silva optou por não fechar portas, mas também não assumiu qualquer compromisso, frisando que “o futuro na UMM é sempre uma página em branco, que está sempre em aberto”.

A apresentação do protótipo não corresponde, assim, ao anúncio de um novo modelo de produção, nem a UMM revelou se este trabalho vai dar origem a um veículo de estrada, ou que soluções técnicas poderão eventualmente transitar destas experiências para um produto futuro.

Trata-se, essencialmente, de uma demonstração pública de que a marca continua a explorar tecnologia, incluindo a elétrica, mesmo sem um caminho de regresso definido.

A UMM e a eletrificação com apoio universitário

Um dos aspetos mais interessantes deste protótipo é a origem do seu sistema elétrico.

A participação do Instituto Superior de Engenharia de Lisboa no desenvolvimento do sistema elétrico e da respetiva gestão representa uma aposta em competências nacionais para desenvolver a tecnologia que poderá estar na base de uma nova geração da marca portuguesa.

Esta opção contrasta com a estratégia mais recente da marca, que em anos anteriores tinha admitido explorar outras vias de eletrificação.

A UMM já tinha manifestado interesse num regresso assente em pilha de combustível a hidrogénio, o que demonstra que a marca tem vindo a testar diferentes caminhos tecnológicos antes de decidir qual poderá, de facto, sustentar um novo capítulo de produção.

Do ponto de vista filosófico, a marca parece querer manter aquilo que sempre a definiu, mantendo uma filosofia de simplicidade e robustez mecânica que sempre a distinguiu em qualquer terreno, abdicando de soluções complexas como motores independentes por roda.

UMM: quase cinquenta anos de história

UMM em competição

Para compreender o significado deste protótipo, importa recordar de onde vem a UMM. A história da marca começa em 1977, quando a União Metalo-Mecânica, até então dedicada a equipamentos agrícolas, decidiu diversificar a sua atividade e entrar no mercado automóvel, adquirindo os direitos de produção da francesa Cournil.

Os primeiros modelos, batizados UMM 4×4 Cournil, deram lugar em 1979 ao UMM Alter, um todo-o-terreno que se destacou pelo design simples e robusto e que se tornou um dos jipes mais respeitados da sua época.

O veículo foi amplamente utilizado pelas forças armadas portuguesas, serviços de emergência e corporações de bombeiros, além de ter sido exportado para países como França, Angola e Espanha.

Vertente desportiva

A marca deixou também a sua marca no automobilismo de aventura. Em 1982, a UMM estreou-se no Paris-Dakar com uma evolução do motor de origem Peugeot, um diesel de 2,3 litros e 76 cavalos, tendo conseguido chegar ao final da prova com as três unidades inscritas, um feito que reforçou a reputação de fiabilidade e robustez mecânica da marca.

O período entre 1982 e 1984 é habitualmente apontado como a época dourada da UMM na mais dura prova de todo-o-terreno do mundo.

A produção regular, no entanto, não sobreviveu à pressão das grandes marcas internacionais.

A produção em série terminou formalmente em 1994, embora tenha continuado em pequenos lotes até 2006, ano em que a empresa desapareceu definitivamente do setor automóvel, depois de um total de quinze mil unidades produzidas.

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