Share the post "Regresso às aulas 2026: o guia de compras que poupa dinheiro"
O regresso às aulas custa, em média, 604 euros por estudante e isso antes de contar com a mochila nova, a cadeira que combina com a decoração ou a secretária que finalmente chega ao quarto. Setembro aperta os orçamentos, mas há uma diferença enorme entre comprar por impulso e comprar com estratégia. Este guia mostra como.
Segundo o Observador Cetelem Regresso às Aulas 2025, o gasto médio por estudante deverá atingir os 604 euros, com 164 euros destinados a material essencial como mochilas, cadernos e canetas. E 34% das famílias prevê gastar entre 50 e 100 euros por filho só em material escolar. O número parece razoável até perceber que, somados os artigos esquecidos nas listas e as compras de última hora, o orçamento estica sempre mais do que o planeado.
A solução não é gastar menos a qualquer custo. É gastar onde importa e reconhecer que há compras que amortizam ao longo de vários anos letivos.
Secretária: o investimento que rende mais anos
Um filho que estuda à mesa de jantar, dobrado sobre um caderno, ou sentado numa cadeira de adulto demasiado alta, está a pagar o preço errado, não em dinheiro, mas em postura. A compra de uma secretária adequada é, muitas vezes, o investimento que as famílias adiam até perceber que não há forma de contornar.
O que justifica a escolha de uma boa secretária de estudo? Espaço de trabalho suficiente para livros, computador e caderno ao mesmo tempo, sem pilhas sobrepostas que distraem. Superfície à altura certa, que evita que o pescoço se incline de forma excessiva e prolongada. E arrumação integrada, como gavetas ou prateleiras laterais, que mantém o material à mão sem ocupar espaço no tampo.
Para crianças do 1.º ao 4.º ano, o ponto-chave é a altura regulável: a superfície da secretária deve ficar ao nível dos cotovelos quando o braço está dobrado a 90 graus. A partir do 2.º ciclo, já é possível optar por modelos de adulto, mas é importante verificar se a altura é confortável para evitar tensão nas costas ou no pescoço. Uma secretária bem escolhida dilui o custo por ano letivo até valores muito razoáveis.
Cadeiras de escritório ideais para uma boa postura
A cadeira de estudo é onde os erros de compra mais se fazem sentir. Um adolescente que passa três a quatro horas diárias a estudar numa cadeira sem um bom suporte está a acumular tensão na zona lombar, nos ombros e no pescoço. Os efeitos não aparecem de imediato, mas instalam-se.
As cadeiras de escritório desenhadas para estudo têm vantagens claras: encosto com curvatura que acompanha a coluna, altura de assento ajustável, e assento estofado que reduz a pressão nas coxas durante sessões longas. A ergonomia é fundamental para prevenir problemas nas costas e melhorar a postura e para crianças mais novas, o encosto regulável em altura é essencial, já que a cadeira tem de acompanhar o crescimento.
Dois critérios práticos antes de comprar: os pés do estudante apoiam-se completamente no chão com a altura mínima da cadeira? E o encosto toca na zona lombar, não só nos ombros? Se a resposta a qualquer uma das perguntas for não, o modelo não serve. Os apoios de braço são úteis para adolescentes que usam computador, mas podem ser um obstáculo para crianças mais novas, vale verificar se são removíveis antes de decidir.
Mochilas escolares: o peso difícil de controlar
As mochilas escolares são, paradoxalmente, o item que mais se compra por estética e menos por critério. O resultado: crianças com as costas curvadas, alças a cortar os ombros, e mochilas que não duram um ano inteiro.
A Organização Mundial de Saúde recomenda que o peso da mochila não ultrapasse 10% do peso corporal da criança, o que, para uma criança de 30 kg, significa um máximo de 3 kg. Em Portugal, um estudo da DECO realizado em 2017 com 174 alunos do 2.º ciclo concluiu que 66% das crianças carregam mochilas acima desse limite, valor ainda mais preocupante do que o registado no estudo anterior da mesma associação, em 2003.
A mochila ideal deve ter alças largas e acolchoadas, vários compartimentos para distribuir o peso, e dimensão proporcional ao tamanho da criança. Quanto à durabilidade: tecido impermeável e costuras reforçadas nos pontos de maior tensão fazem a diferença entre uma mochila que passa um ano e uma que passa três. O custo por uso é muito mais favorável nos modelos resistentes, mesmo que o preço inicial seja mais alto.
Como planear sem desperdiçar
Antes de abrir qualquer site de compras, três passos evitam despesas desnecessárias.
Primeiro, faça o inventário do que existe em casa. Secretária e cadeira ainda em bom estado não precisam de ser substituídas por capricho. Mochila com alças intactas e impermeabilidade funcional aguenta mais um ano. Cerca de 63% das famílias portuguesas planeia reutilizar pelo menos parte dos artigos do ano anterior, uma escolha que combina economia com pragmatismo.
Segundo, separe o urgente do desejável. Uma secretária partida ou uma cadeira sem regulação de altura é urgente, pois, afeta a postura e a concentração todos os dias. Uma mochila nova quando a atual ainda está funcional é desejável, pode esperar até haver promoção.
Terceiro, compare antes de comprar. As campanhas de regresso às aulas arrancam em julho e agosto, com stocks mais completos e preços mais competitivos. Comprar em setembro, sob pressão, é a forma mais cara de se preparar para o ano letivo.
Com uma lista bem estruturada e as prioridades certas, é possível preparar um espaço de estudo funcional e proteger a postura dos seus filhos, sem esvaziar a conta bancária.
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Cetelem / BNP Paribas Personal Finance. (2025). Observador Cetelem Regresso às Aulas 2025. Líder Magazine. https://lidermagazine.sapo.pt/regresso-aulas-2025-familias-gastos/
Escolha do Consumidor. (2025, agosto). Regresso às aulas: hábitos e gastos das famílias portuguesas. Postal. https://postal.pt/economia/regresso-as-aulas-saiba-quanto-os-portugueses-vao-gastar-quanto-esperam-poupar-e-como-o-fazem/
DECO — Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor. (2017). Estudo sobre o peso das mochilas escolares: 174 alunos do 2.º ciclo em seis escolas públicas e privadas. Sábado. https://www.sabado.pt/portugal/detalhe/deco-alerta-para-peso-excessivo-nas-mochilas-escolares
Organização Mundial de Saúde. (s.d.). Recomendação de peso máximo de mochila escolar. Citada em DECO (2017) e confirmada pelo Observador. https://observador.pt/2018/09/10/medidas-para-reduzir-o-peso-das-mochilas-escolares-nao-estao-a-ser-aplicadas/