A Rota dos Vinhos do Douro e do Porto é um percurso de enoturismo que atravessa a Região Demarcada do Douro (RDD), a primeira região vinícola regulamentada do mundo, criada pelo Marquês de Pombal em 1756, e chega até às famosas caves de Vila Nova de Gaia, já na foz do rio.
Coordenada pelo Instituto dos Vinhos do Douro e do Porto (IVDP, IP), a rota reúne quintas, adegas, museus, restaurantes e alojamentos que abraçam os dois tesouros vinícolas da região: o Vinho do Porto e os Vinhos do Douro (DOC).
O que torna esta rota verdadeiramente especial é a concentração de Património Mundial da Humanidade num único percurso.
Em dois dias de viagem, é possível passar pelo Centro Histórico do Porto (classificado em 1996), pelo Vale do Côa (1998) e pelo Alto Douro Vinhateiro (2001), uma trilogia de reconhecimento UNESCO que pouquíssimos destinos do mundo conseguem oferecer.
Rota dos vinhos: da Ribeira às caves

Qualquer viagem pela Rota dos Vinhos começa, naturalmente, no Porto. A cidade é ela própria um copo cheio de história, desde a Ribeira, aos azulejos, passando pelça arquitectura barroca ou os eléctricos que sobem as calçadas.
Depois de explorar a cidade, o próximo passo é atravessar a icónica Ponte Luís I em direção a Vila Nova de Gaia.
É aqui, nas margens sul do Douro, que se concentram as famosas caves do Vinho do Porto, armazéns de granito onde o vinho envelhece lentamente, envolto no perfume de madeira e história.
Nomes como Taylor’s, Graham’s, Sandeman, Calem, Fonseca ou Ferreira recebem visitantes ao longo de todo o ano, com visitas guiadas, provas comentadas e experiências cada vez mais sofisticadas. Há quem passe apenas meia hora, há quem passe o dia inteiro.
E a oferta evoluiu muito, com workshops de lotação, jantares harmonizados, espectáculos de fado entre as pipas e terraços panorâmicos com uma das vistas mais deslumbrantes sobre o Porto.
O World of Wine (WOW), o complexo cultural junto às caves, é também um ponto incontornável para quem quer aprofundar o conhecimento sobre o mundo do vinho de forma interactiva.
Rumo ao Douro: a estrada mais bonita de portugal

A partir do Porto, é a EN222 que toma o comando da Rota dos Vinhos. Eleita diversas vezes uma das estradas mais belas do mundo, esta nacional acompanha o Rio Douro pelos seus meandros, revelando a cada curva um novo postal.
Para quem prefere uma experiência ainda mais contemplativa, o Comboio Histórico do Douro é uma das formas mais românticas, e mais lentas, no melhor sentido, de chegar ao coração da região.
A Região Demarcada do Douro divide-se nas três sub-regiões Baixo Corgo, Cima Corgo e Douro Superior, totalizando 21 concelhos. Cada uma tem o seu carácter próprio, as suas castas, os seus vinhos.
Mas em todas elas o cenário são os terraços de xisto escalonados até onde a vista alcança, vinhas centenárias que desafiam a gravidade e um silêncio de fundo que só o rio quebra.
As quintas: onde a rota dos vinhos ganha Alma

Se as caves de Gaia são o capítulo urbano da rota, as quintas do Douro são o seu coração selvagem. Aqui, a experiência de enoturismo tem outra dimensão, está dentro da vinha, pode sentir a terra debaixo dos pés e o vinho que prova foi produzido a metros de onde está sentado. E algumas das quintas mais emblemáticas merecem uma visita.
Quinta da Pacheca (Lamego). Uma das mais conhecidas e fotografadas do Douro. Famosa pelos quartos em formato de barril e pelo spa com tratamentos inspirados na uva, a casa senhorial do século XVIII foi recuperada com elegância. O restaurante aposta numa cozinha tradicional com toque contemporâneo.
Quinta do Crasto (Sabrosa). Internacionalmente reconhecida, premiada e com vistas absolutamente deslumbrantes sobre o vale.
As visitas guiadas às adegas e as provas comentadas terminam, muitas vezes, num almoço harmonizado na histórica Casa Centenária. Há ainda a possibilidade de fazer piqueniques nas vinhas, entre os 150 e os 500 metros de altitude.
Quinta de la Rosa (Pinhão). Uma propriedade de gestão familiar a apenas um quilómetro do Pinhão, com sala de provas fantástica, passeios a cavalo e um restaurante, a “Cozinha da Clara”, onde a gastronomia duriense está em todo o seu esplendor.
Quinta Nova de Nossa Senhora do Carmo (Sabrosa). Membro da prestigiada rede Relais & Châteaux, esta quinta alberga um museu dedicado ao ciclo produtivo do Vinho do Porto, com peças dos séculos XIX e XX. As experiências enológicas aqui são profundas e cuidadosas.
Quinta do Vallado (Peso da Régua). Com raízes no início do século XVIII e ligações à lendária Dona Antónia Adelaide Ferreira, a “Ferreirinha”, esta quinta combina vinhas velhas plantadas entre 1920 e 1950 com um hotel de charme, workshops de enologia e encontros gastronómicos.
Durante a época das vindimas muitas quintas abrem as portas a visitas mais imersivas, com participação na apanha da uva, pisa em lagar e jantares entre barricas.
O que fazer além do vinho

A Rota dos Vinhos do Douro e do Porto é muito mais do que enoturismo no sentido estrito. A região tem uma oferta de experiências ao ar livre que tem crescido enormemente nos últimos anos.
A visita às Gravuras Rupestres do Vale do Côa em Vila Nova de Foz Côa é, por si só, razão suficiente para prolongar a viagem pelo Douro Superior.
O Parque Arqueológico do Côa guarda arte rupestre pré-histórica ao ar livre e a experiência de as contemplar ao entardecer, com o rio ao fundo, é algo difícil de descrever.
O Museu do Douro, na Régua, é outro ponto de ancoragem cultural essencial para contextualizar tudo o que se vai descobrindo ao longo da rota.
O que comer comer
A gastronomia duriense é robusta, honesta e profundamente ligada ao território. O bacalhau, o cabrito, os rojões, os fumeiros da região e os doces conventuais de Lamego são companhias ideais para os vinhos da região.
Nas quintas com restaurante, e são muitas, o conceito “da quinta para a mesa” é levado a sério.
Quando visitar a Rota dos Vinhos do Douro e do Porto

A região tem beleza em todas as estações, mas cada época tem o seu argumento.
- Inverno e início de primavera. As amendoeiras em flor transformam o Douro numa paisagem cor-de-rosa e branca de rara beleza, especialmente no Douro Superior.
- Verão. O calor intenso (que pode ultrapassar os 40ºC) é compensado pelas piscinas infinitas das quintas e pelos passeios de barco ao entardecer.
- Outono (vindimas). A época mais viva e mais procurada. O vale enche-se de cor e de gente, e as experiências de enoturismo atingem o seu ponto mais imersivo.
Como aderir à rota ou planear a visita
Os aderentes à Rota dos Vinhos do Douro e do Porto estão listados no site do IVDP em ivdp.pt, onde é possível filtrar por tipo de serviço, sub-região e características da experiência.
A sede da rota fica em Peso da Régua (Rua dos Camilos, 90) e tem delegação no Porto (Rua Ferreira Borges, 27).