Conhecer a Galiza a pé faz sentido. O território pede isso. Caminhar aqui não é só um exercício físico. É uma forma prática de perceber a paisagem, as aldeias, o clima e a relação das pessoas com o lugar.
Há rotas conhecidas, outras menos faladas, mas quase todas partilham a mesma ideia. Ritmo calmo. Distâncias humanas. E muito verde pelo caminho.
Estas são algumas das melhores rotas para quem quer descobrir a Galiza passo a passo, sem pressa e sem dramatizar.
Faça alguns treinos, escolha o seu trilho e lance-se À aventura.
Galiza a pé: o clássico Caminho de Santiago

O Caminho de Santiago dispensa apresentações, mas convém dizê-lo. Continua a ser uma das melhores formas de atravessar a Galiza a pé. Não apenas pela parte espiritual, mas pela diversidade de paisagens e pela rede de apoio ao longo do percurso.
O Caminho Francês entra pela zona de O Cebreiro e cruza aldeias, bosques e campos agrícolas até Santiago. O Caminho Português, vindo do sul, é mais suave e muito bem sinalizado. Há sempre onde dormir, comer e parar. E isso ajuda quem não quer complicar demasiado.
Aqui está a coisa. É concorrido, sobretudo no verão. Mas funciona. E funciona porque a estrutura existe.
Costa da Morte: entre falésias e mar aberto

A Costa da Morte é uma das zonas mais fortes para caminhadas na Galiza. O trilho que liga Malpica a Finisterra e Muxía passa por praias abertas, falésias, faróis e pequenas aldeias piscatórias. Não é um percurso técnico. Mas o vento e o relevo pedem atenção.
É um caminho para quem gosta de mar sem filtros. O Atlântico está sempre presente. Às vezes calmo, muitas vezes não. O melhor é fazer etapas curtas e ficar em aldeias como Lires, Camariñas ou Muxía.
Não é um percurso para correr. É para olhar.
Ribeira Sacra: trilhos entre rios e socalcos

A Ribeira Sacra é outra Galiza. Mais interior. Mais silenciosa. Aqui os trilhos seguem os rios Sil e Miño, cruzam vinhas em socalcos e passam por mosteiros antigos. Caminhar nesta região exige alguma preparação física. Há subidas e descidas acentuadas.
Mas compensa. Os miradouros sobre os canhões do Sil são dos mais impressionantes da Galiza. E há percursos bem marcados, como os trilhos circulares que ligam aldeias e pontos históricos.
É uma boa escolha fora da época alta. No verão pode ser exigente por causa do calor.
Ancares: natureza mais bruta e menos gente

Para quem prefere montanha e menos visitantes, os Ancares são uma opção clara. Trilhos longos, aldeias tradicionais, pallozas e paisagens amplas. Aqui não há multidões nem grandes infraestruturas.
Convém ir preparado. O tempo muda depressa. Mas é uma das zonas mais autênticas para caminhar na Galiza. Ideal para quem já tem alguma experiência e quer algo menos óbvio.
Parque Natural do Xurés: fronteira, termas e silêncio

O Xurés fica junto à fronteira com Portugal e liga-se naturalmente ao Gerês. Os trilhos atravessam serras, ruínas romanas, aldeias quase abandonadas e zonas termais. É um território aberto e pouco povoado.
Aqui caminha-se em silêncio. E isso nem sempre é fácil para toda a gente. Mas para quem procura espaço e poucos estímulos, funciona muito bem.
Galiza a pé: o que convém saber
A Galiza é verde, mas não é plana. O clima muda rápido. Convém levar impermeável mesmo quando o sol aparece. O calçado faz diferença. E o ritmo deve ser ajustado à paisagem, não ao relógio.
Há boas opções de alojamento local e casas rurais ao longo de quase todas estas rotas. E comer bem não costuma ser um problema.
Vale a pena conhecer a Galiza a pé?
Vale. Porque caminhar aqui ajuda a perceber o território sem filtros. As aldeias, os caminhos antigos, o mar e a montanha fazem mais sentido a este ritmo. Não é um destino para acumular quilómetros. É um destino para ligar pontos.
E a Galiza, quando é feita a pé, costuma ficar mais tempo na memória.