Comprar casa por menos de 500 euros por metro quadrado ainda é possível em Portugal, mas só em três concelhos do país. É o que revela uma análise do idealista aos preços pedidos pelos proprietários no segundo trimestre de 2026, divulgada a 14 de julho.
A diferença explica-se pela pressão da procura: nos grandes centros urbanos e no litoral, os preços continuam a subir com força, enquanto o interior mantém valores muito mais baixos. É aí que se concentram praticamente todos os municípios mais acessíveis do ranking.
Para quem procura casa fora de Lisboa, do Porto ou do Algarve, esta lista pode ser um bom ponto de partida, desde que a decisão pese também o acesso a emprego, saúde e transportes, e não só o preço por metro quadrado.
Os cinco municípios mais baratos do país
No topo do ranking está o Sabugal, no distrito da Guarda, onde o preço mediano pedido pelos proprietários é de 468 euros por metro quadrado, o valor mais baixo do país. Segue-se Penamacor, em Castelo Branco, com 488 euros/m², e Pampilhosa da Serra, em Coimbra, com 495 euros/m². São os únicos três concelhos onde o metro quadrado ainda não ultrapassa os 500 euros.
Completam o top cinco Pinhel, também na Guarda (521 euros/m²), e Mogadouro, em Bragança (575 euros/m²). Numa casa de 100 metros quadrados, a diferença entre comprar no Sabugal ou na média nacional pode significar poupar largas dezenas de milhares de euros — e isso é antes de contar com o IMT e as restantes despesas da escritura.
A lista completa dos 25 municípios mais acessíveis
Castelo Branco é o distrito com mais presenças no ranking, com cinco municípios: Penamacor, Oleiros, Idanha-a-Nova, Belmonte e Proença-a-Nova. Eis a lista completa, por ordem de preço.
| Posição | Município | Distrito | €/m² |
|---|---|---|---|
| 1.º | Sabugal | Guarda | 468 |
| 2.º | Penamacor | Castelo Branco | 488 |
| 3.º | Pampilhosa da Serra | Coimbra | 495 |
| 4.º | Pinhel | Guarda | 521 |
| 5.º | Mogadouro | Bragança | 575 |
| 6.º | Melgaço | Viana do Castelo | 576 |
| 7.º | Mação | Santarém | 595 |
| 8.º | Nisa | Portalegre | 603 |
| 9.º | Gouveia | Guarda | 605 |
| 10.º | Góis | Coimbra | 619 |
| 11.º | Celorico da Beira | Guarda | 626 |
| 12.º | Oleiros | Castelo Branco | 656 |
| 13.º | Idanha-a-Nova | Castelo Branco | 662 |
| 14.º | Castanheira de Pêra | Leiria | 677 |
| 15.º | Belmonte | Castelo Branco | 677 |
| 16.º | Pedrógão Grande | Leiria | 679 |
| 17.º | Vila Pouca de Aguiar | Vila Real | 687 |
| 18.º | Proença-a-Nova | Castelo Branco | 717 |
| 19.º | Moura | Beja | 744 |
| 20.º | Vouzela | Viseu | 752 |
| 21.º | Crato | Portalegre | 757 |
| 22.º | Mortágua | Viseu | 757 |
| 23.º | Miranda do Corvo | Coimbra | 770 |
| 24.º | Valpaços | Vila Real | 782 |
| 25.º | Santa Comba Dão | Viseu | 789 |
Vale a pena confirmar se o concelho que procura está nesta lista antes de alargar a pesquisa a outras zonas do interior.
O município mais barato em cada distrito
O idealista analisou também o concelho mais acessível dentro de cada distrito e região autónoma. Os contrastes são grandes: em Lisboa, o município mais barato é Azambuja, e ainda assim o preço (2.151 euros/m²) é quase cinco vezes superior ao do Sabugal. No Porto, é Felgueiras que lidera a acessibilidade, e em Setúbal destaca-se Santiago do Cacém.
No Algarve, Alcoutim tem o metro quadrado mais baixo do distrito, ainda assim mais do dobro do valor pedido no Sabugal. Compare o preço do seu distrito com a média nacional antes de decidir onde procurar casa.
| Distrito/Ilha | Município mais barato | €/m² |
|---|---|---|
| Aveiro | Sever do Vouga | 1.103 |
| Beja | Moura | 744 |
| Braga | Celorico de Basto | 1.003 |
| Bragança | Mogadouro | 575 |
| Castelo Branco | Penamacor | 488 |
| Coimbra | Pampilhosa da Serra | 495 |
| Évora | Estremoz | 1.068 |
| Faial (ilha) | Horta | 1.532 |
| Faro | Alcoutim | 1.053 |
| Guarda | Sabugal | 468 |
| Leiria | Castanheira de Pêra | 677 |
| Lisboa | Azambuja | 2.151 |
| Madeira (ilha) | Santana | 1.993 |
| Pico (ilha) | Lajes do Pico | 1.176 |
| Portalegre | Nisa | 603 |
| Porto | Felgueiras | 1.510 |
| Porto Santo (ilha) | Porto Santo | 3.638 |
| Santa Maria (ilha) | Vila do Porto | 1.745 |
| Santarém | Mação | 595 |
| São Miguel (ilha) | Nordeste | 1.668 |
| Setúbal | Santiago do Cacém | 2.641 |
| Terceira (ilha) | Angra do Heroísmo | 1.693 |
| Viana do Castelo | Melgaço | 576 |
| Vila Real | Vila Pouca de Aguiar | 687 |
| Viseu | Vouzela | 752 |
No extremo oposto: os municípios mais caros
A mesma análise identificou as cinco localidades mais exclusivas do país. Lisboa está no topo, com o metro quadrado a custar 6.107 euros, 13 vezes mais do que no Sabugal. Seguem-se Cascais (5.694 euros/m²), Grândola (5.488 euros/m²), Oeiras (4.689 euros/m²) e Loulé (4.663 euros/m²), reflexo da forte procura na área metropolitana de Lisboa e no litoral algarvio.
A evolução recente dos preços da habitação em Portugal ajuda a perceber porque é que esta distância entre litoral e interior continua a aumentar.
Vale a pena comprar casa no interior?
Um preço mais baixo por metro quadrado não conta a história toda. Antes de avançar, vale a pena rever todos os custos e despesas associados a uma compra de casa, desde o IMT à escritura, e confirmar as tabelas de IMT em vigor em 2026.
Quem tem menos de 35 anos deve ainda verificar se cumpre os requisitos das isenções fiscais para a compra da primeira casa, que se aplicam também fora dos grandes centros e podem reduzir ainda mais o custo final.
Municípios do interior oferecem mais casa por menos dinheiro, mas o preço por metro quadrado é só metade da equação. Antes de fechar negócio, pesa também o que perdes em proximidade a emprego, escolas e cuidados de saúde. Subscreva a newsletter do Ekonomista e fique a par das estratégias que fazem a diferença no seu orçamento.