Cláudia Pereira
Cláudia Pereira
03 Ago, 2026 - 17:00

O que faz um solicitador em Portugal e quanto ganha

Cláudia Pereira

Descubra o que faz um solicitador em Portugal, que formação e estágio são exigidos e quanto pode ganhar por mês, do início de carreira à experiência sénior.

Chega um contrato de compra e venda de um carro, uma execução de dívida ou um registo predial complicado e o nome que aparece a tratar do processo, muitas vezes, não é o de um advogado, mas sim o de um solicitador. Poucos portugueses sabem exatamente o que este profissional faz, mas quase todos já precisaram de um, mesmo sem saber.

Para quem pensa em mudar de carreira ou está a escolher curso, a pergunta mais prática costuma ser: compensa financeiramente? A resposta tem nuances e passa por perceber a formação exigida, o percurso até à cédula profissional e a forma como se distribuem os rendimentos ao longo da carreira.

O que faz um solicitador no dia a dia

O solicitador é um profissional liberal, licenciado em Solicitadoria ou em Direito, que representa cidadãos e empresas junto de tribunais, conservatórias e repartições públicas. Atua como mandatário judicial em muitos processos e presta consulta jurídica, sempre inscrito na Ordem dos Solicitadores e dos Agentes de Execução (OSAE).

O solicitador representa e aconselha juridicamente cidadãos e empresas perante a administração pública, tribunais e outras entidades. Pode requerer o exame de processos e certidões sem necessidade de exibir procuração, o que agiliza muito burocracia que, de outra forma, arrastaria semanas.

Na prática, os solicitadores tratam sobretudo de registo predial, comercial, civil e automóvel, procurações, heranças e inventários, além de acompanharem processos onde a lei não exige advogado como injunções, processos executivos ou notificações de preferência, por exemplo.

Há ainda uma especialização própria: o agente de execução, responsável por cobrar dívidas judicialmente sob supervisão do tribunal. Exercer como agente de execução é incompatível com o mandato judicial comum, o profissional tem de escolher um dos dois caminhos.

Como se tornar solicitador em Portugal

O primeiro passo é concluir uma licenciatura em Solicitadoria ou em Direito. Depois, segue-se a inscrição no estágio profissional da OSAE, que decorre em duas fases e tem duração máxima de 18 meses, sob orientação de um patrono formador.

Ao longo do estágio, há sessões formativas, resolução de casos práticos e um trabalho final sobre um tema de Direito, avaliado por um júri. Só depois de aprovação nesta fase e após exame de acesso, é atribuída a cédula profissional definitiva, que substitui a cédula de estagiário.

As inscrições para o estágio abrem normalmente no início do ano civil, com prazo limitado e documentação específica: certificado de habilitações, registo criminal e comprovativo de residência, entre outros. Quem quer avançar deve consultar o site da OSAE com antecedência, porque as vagas e os prazos mudam a cada edição.

Se este é um percurso que está a considerar, compare primeiro os planos curriculares de Solicitadoria com os de Direito para perceber qual se ajusta melhor ao seu objetivo.

Quanto ganha um solicitador em Portugal

Os valores variam consoante a fase da carreira e o regime de trabalho, profissão liberal por conta própria ou colaboração com escritórios de advogados e empresas. Segundo dados de mercado de 2026, um solicitador recém-formado, com menos de três anos de experiência, tende a receber cerca de 1.070 euros por mês.

Em meio de carreira, entre quatro e nove anos de experiência, o valor médio sobe para perto de 1.470 euros mensais. Já um profissional sénior, com dez a vinte anos de casa, pode aproximar-se dos 2.330 euros, e quem ultrapassa vinte anos de exercício chega, em média, aos 2.860 euros por mês.

No global, a média salarial da profissão ronda os 1.770 euros por mês, um valor acima da média salarial nacional. Estes números referem-se sobretudo a solicitadores em regime de colaboração ou emprego; quem exerce por conta própria, em regime de profissão liberal, tem rendimentos mais dependentes do volume de processos e da carteira de clientes, com maior oscilação mês a mês.

Vale a pena seguir esta carreira

A vantagem competitiva do solicitador está no nicho: atua em processos onde a lei dispensa advogado, o que reduz custos para o cliente e abre um mercado próprio. Mas a profissão exige tempo de investimento antes do primeiro rendimento estável, entre a licenciatura e a cédula definitiva, contam-se normalmente pelo menos quatro a cinco anos.

Quem pondera a mudança de carreira deve também considerar a possibilidade de trabalhar por conta própria desde cedo, o que implica gerir a irregularidade dos recibos verdes e planear a poupança para os meses mais fracos.

Escolher entre solicitadoria e advocacia não é só uma questão de vocação, também é uma questão de números, de tempo de formação e de como cada um prefere gerir a instabilidade natural de uma profissão liberal. Faça as contas com calma antes de decidir.

Fontes

Jobted.pt. (2026). Quanto ganha um Solicitador? (salário 2026). https://www.jobted.pt/salário/solicitador

Ordem dos Solicitadores e dos Agentes de Execução. (2025). Estágio para solicitadores. https://www.osae.pt

Wikipédia. (2025). Solicitador. https://pt.wikipedia.org/wiki/Solicitador

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