João Abreu
João Abreu
14 Jan, 2019 - 11:27
Sabe quanto custa trocar bateria de um carro elétrico?

Sabe quanto custa trocar bateria de um carro elétrico?

João Abreu

Trocar bateria de um carro elétrico em 2023 será bastante mais barato que em 2019. Perceba quais os desenvolvimentos tecnológicos que vão chegar ao mercado.

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São muitos os condutores que receiam aderir aos carros 100% elétricos. Um dos entraves mais comuns baseia-se no custo inerente a trocar bateria de um carro elétrico. Porém, esta realidade sustenta algumas preocupações por parte das marcas e dos fabricantes de baterias que, por ossos do ofício, entendem perfeitamente que com o constante carregamento das baterias estas tendem – com o passar do tempo – a perder as suas propriedades de gestão e fornecimento de energia.

Por muitas que sejam as vantagens que um carro elétrico disponibilize, são as suas desvantagens que fazem com que os mais conservadores lhe resistam e coloquem questões sobre as vantagens na sua adesão. Com as constantes intervenções políticas que são apresentadas sobre as novas mudanças das leis, há neste momento uma última atualização dos novos custos para carregar um carro elétrico, o que, para muitos, acaba por ser mais uma condicionante. Por outro lado, manter um carro elétrico não envolve investimentos muito elevados, nem na sua compra – que pode ser complementada com um incentivo do estado –, nem no seu carregamento, que pode ser feito em casa ou no trabalho, através de uma tomada convencional.

O ano de 2019 será promissor, trazendo consigo melhorias tecnológicas. Existem, inclusive, alguns estudos em curso sobre como trocar bateria de um carro elétrico, através de postos de abastecimento que aglomerem um serviço que permita a substituição direta da bateria, no momento, ao invés de a carregar. Porém, este é um cenário complexo e bastante questionável, uma vez que iria obrigar as marcas a ficarem limitadas a uma configuração estrutural standard em todos os modelos de série produzidos, para que o acesso ao compartimento das baterias fosse simples e rápido.

Fique a entender melhor os gastos envolvidos ao trocar bateria de um carro elétrico, assim como a autonomia e o uso expectável que cada marca garante para estes carros.

Quanto custa trocar bateria de um carro elétrico?


colocar bateria

Fica caro trocar bateria de um carro elétrico? A resposta é que, atualmente, sim e não se trata apenas de um mito. Contudo, a verdade é que a tendência sempre foi que esta realidade evoluísse, ao ponto de entender se, de facto, existirão progressos sobre os custos e o momento certo de trocar bateria de um carro elétrico.

Como os carros elétricos modernos percorrem as estradas há relativamente pouco tempo, não há ainda um histórico de dados que sirva de suporte estável para se poderem tirar conclusões sobre a durabilidade das suas baterias ou sobre a perda de eficácia das mesmas.

Para se poder fazer uma estimativa da durabilidade e eficácia das baterias dos carros elétricos, teve-se em conta as marcas que lideram a mobilidade elétrica: a Tesla, no segmento dos topo de gama, e a Nissan/Renault, focadas nos modelos mais acessíveis.

Não havendo ainda dados relativos aos proprietários dos Nissan Leaf, nem do Renault Zoe – por não se registarem, até ao momento, as condições de carga dos carros, a capacidade da bateria conforme o passar dos anos, nem o tempo de vida -, os estudos basearam-se em dados provenientes de utilizadores holandeses e belgas dos modelos S e X da marca Tesla, divulgados no fórum Tesla Motors Club, para poderem obter respostas quanto à capacidade da bateria de um carro elétrico.

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Da análise em causa, teve-se como amostra dados de 1040 veículos com as seguintes condições:

  • Veículos cuja capacidade da bateria oscilava entre 75 kWh e 100 kWh;
  • Modelos com uma quilometragem média de 54.000 km.

Destes modelos, pôde concluir-se que a autonomia média, entre as recargas de bateria, era de 385 km, o que pressupôs que houvesse uma perda de 5% de bateria, em relação a quando eram carros novos.

O que pareceu mais alarmante foi o facto de 250 dos 1040 clientes, que colaboraram nos estudos, afirmarem ter solicitado trocar bateria de um carro elétrico. Destas 250 ocorrências, a substituição ocorreu, na maioria dos casos, até aos 30.000 km, havendo apenas um caso que assumiu ter feito esta troca aos 77.000 km. Havendo ¼ de utilizadores a substituir as baterias enquanto o seu carro tem menos de 40.000 km, o recomendado foi que se começasse a aconselhar os clientes a integrarem-se em programas de garantia que incorporem substituições a custo zero.

Começamos esta secção com uma questão, relativa à inversão da tendência das altas despesas de substituição das baterias, sendo que a boa notícia que podemos relatar é que o valor das baterias pode baixar até cerca de 30%, graças ao desenvolvimento tecnológico, no decorrer dos próximos anos.

Custo atual de uma bateria nova

Existem várias construtoras que disponibilizam o preço de uma bateria nova, para cada modelo. Inicialmente, as primeiras baterias eram vendidas por valores que simplesmente não comportavam o valor inicial do investimento.

Porém, devido à nova competitividade face aos modelos movidos a combustão, assim como os valores oscilantes do preço dos combustíveis, a preocupação em reduzir o valor da venda de baterias é evidente, embora os custos sejam, em alguns casos, ainda demasiado elevados. Ora espreite o seguinte top 5.

  1. Toyota Prius: 2.350 €;
  2. Nissan Leaf: 7.080 €;
  3. Renault Zoe: 7.500 €;
  4. Porsche Cayenne E-Hybrid: 23.680 €;
  5. BMW i3: 37.580 €.

Custos das baterias dos carros elétricos no futuro

custos bateria

A empresa de materiais Sila Nanotechnologies desenvolveu uma tecnologia capaz de aumentar a capacidade energética das atuais baterias dos carros elétricos, podendo reduzir os seus custos em cerca de 30%. Esta nova tecnologia promete substituir o grafite de ânodo – utilizado nas baterias atuais – por outro, com base de sílico.

As baterias atuais dos carros elétricos são compostas por lítio, que integram dois elétrodos: um cátodo e um ânodo, que são responsáveis pelo fluir da corrente elétrica. O anôdo – elétrodo através do qual a carga elétrica positiva flui – é formado, em parte, por grafite. É precisamente este material que a empresa pretende substituir. Como a troca será por sílico, a densidade energética será mais alta e poderá ser a solução para aumentar a capacidade de autonomia e ciclo de vida das baterias dos carros elétricos.

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Até à próxima década, crê-se que esta tecnologia possa ser implementada em mais de 1.000.000 de baterias de carros elétricos, de acordo com Gene Berdichevsky, CEO da Sila Nanotechnologies e ex-engenheiro da Tesla. O próprio afirma ainda: “Temos como objetivo o ano de 2023 para lançar os primeiros carros elétricos com esta nova tecnologia. Para ter impacto significativo na indústria automóvel, vamos precisar de uma capacidade de muitos GWh”.

Foi graças a uma equipa de investigadores da Universidade de Vrije, em Bruxelas, que estimou a redução em quase 30% nos custos por kWh das baterias de lítio.

É ainda importante frisar que são vários os fabricantes automóveis que têm como parceira a Sila Nanotechnologies, caso da BMW, o que nos leva a acreditar que a introdução desta tecnologia será linear, de entre os vários atuais produtores de carros elétricos.

Mais autonomia

Enquanto esta tecnologia inovadora, que carrega consigo menos despesas nas deslocações com os carros elétricos, não chega aos modelos vendidos atualmente, talvez tenha curiosidade em conhecer os 7 carros elétricos com mais autonomia e fazer uma escolha inteligente ao adquirir um híbrido ou um automóvel completamente elétrico.

  1. Tesla Model S: autonomia de 632 km;
  2. Tesla Model X: autonomia de 565 km;
  3. Nissan Leaf: autonomia de 380 km;
  4. Hyundai IONYQ: autonomia de 320 km;
  5. Volkswagen E-GOLF: autonomia de 202 km;
  6. BMW i3: autonomia de 185 km;
  7. Kia Soul EV: autonomia de 156 km.

Até 2023, acredita-se que muitos desenvolvimentos tecnológicos consigam marcar presença no mercado dos carros elétricos. Resta-nos esperar que sejam implementadas novidades que possam evitar que, em tão pouco tempo, se tenha que trocar a bateria de um carro elétrico. Este é, sem dúvida, um dos desafios mais importantes – se não o mais importante – sobre o coeficiente do estado, eficiência e duração das baterias previsto e, consequentemente, sobre o valor de investimento inicial na aquisição de um modelo elétrico.

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