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Assunção Duarte
Assunção Duarte
12 Mar, 2021 - 09:31

Vacinar animais contra a Covid-19. Será que vai ser preciso?

Assunção Duarte

Para já ainda não, mas vacinar animais contra a Covid-19 pode vir a ser crucial para conter a evolução do vírus num futuro próximo. Saiba porquê.

Vacinação de animais contra Covid-19

Vacinar animais contra a Covid-19 não é atualmente uma necessidade de saúde pública. Depois de um ano de pandemia, existe um consenso generalizado entre os cientistas que afirmam que os animais não desempenham um papel significativo na propagação e transmissão da doença aos humanos. 

Os relatos de animais de estimação infectados com o mais recente coronavírus são muito raros, apesar de haver registos de casos em alguns cães e gatos. Há também registos de infecções entre animais selvagens de alguns parques zoológicos como tigres ou gorilas, e alguns surtos entre animais de produção intensiva, como foi o caso das martas (visons) que foram abatidas em grande escala na Dinamarca.

Todos os casos são esporádicos, e como os dados são poucos ainda pouco se sabe sobre o efeito do vírus nos animais. A maioria não apresenta sintomas. Mas, para os cientistas, estes casos podem significar que mais tarde ou mais cedo os animais domésticos também poderão vir a precisar de vacinas próprias. 

Vacinar animais contra a Covid-19

Para conter a evolução do vírus

O principal receio é que os animais domésticos possam servir como uma espécie de reservatório do vírus, onde pode passar de animal para animal, desenvolvendo-se ao ponto de voltar a ser capaz de contagiar de novo os humanos. 

É por isso muito provável que em breve se possa começar a pensar na vacinação de algumas espécies de animais domésticos para conter a propagação e evolução da pandemia. Este já é o caso das martas. Nos EUA já se aceitaram os pedidos para desenvolver vacinas COVID para esta espécie e a Rússia afirma mesmo que já desenvolveu uma vacina experimental.

Para  evitar a propagação à vida selvagem

Há ainda um outro grande receio que assusta os cientistas. Estes temem que quer as pessoas quer os animais domésticos possam transmitir o vírus à vida selvagem. Se isso acontecer fica criado um novo e ilimitado reservatório para a doença, que será quase impossível de controlar.

O comércio de animais selvagens e a desflorestação são apenas algumas das atividades humanas que fazem com que pessoas e animais domésticos se  aproximem cada vez mais da vida selvagem. Quando mais reduzimos a área do globo ocupada pela natureza mais obrigamos essa vida selvagem a vir ter connosco, criando situações de verdadeiro perigo.

Não só o novo coronavírus que pode avançar “floresta a dentro”, sem limites, capaz de regressar mais tarde aos humanos, como também inúmeras doenças desconhecidas que podem avançar “cidades a dentro”, criando novas pandemias muito difíceis de controlar. 

Assim, aos esforços continuados com a nossa saúde pública que passam não só por manter a prática de medidas de proteção individual, mas também pela vacinação da maior parte da população, podem vir a juntar-se a vacinação de muitas espécies de animais domésticos, incluindo os nossos animais. 

Gato com máscara

Vacinar animais contra a Covid-19: vacinas em teste

A farmacêutica Zoetis já avançou o ano passado com o desenvolvimento de uma vacina Covid-19 para cães e gatos. Os dados mostraram que ambas as espécies tiveram respostas imunológicas importantes à vacina, mesmo que ainda seja necessário fazer mais estudos sobre a sua capacidade de prevenção da infecção. 

Como as vacinas são feitas para um patogénico específico e não para uma espécie específica, é possível utilizar vacinas desenvolvidas para um espécie em várias outras espécies adaptando as quantidades a ministrar aos efeitos que podem provocar nos diferentes sistemas imunológicos. 

É o caso das vacinas desenvolvidas para cães e gatos que também servem para leões e tigres, ou o caso da vacina da gripe humana e do sarampo que também é ministrada em grandes primatas. Por isso, os gorilas do jardim zoológico de San Diego nos EUA, foram os primeiro primatas selvagens a receber a vacina experimental desenvolvida para cães e gatos. 

Gorilas recebem vacina:  vírus pode dizimar espécies ameaçadas

Em Janeiro, gorilas do jardim zoológico de San Diego foram os primeiros a testar positivo para o novo coronavírus. Mostraram desde sintomas leves como tosse, a sintomas mais preocupantes num gorila mais velho, como doença cardíaca e pneumonia. Todos parecem estar a reagir bem ao tratamento experimental com anticorpos para a doença. 

As reservas genéticas de gorilas existentes nos jardins zoológicos de todo o mundo, são essenciais para preservar esta espécies. O facto destes animais serem susceptiveis ao vírus alarmou os cientistas da conservação porque existem menos de 5 000 gorilas na natureza. 

As populações selvagens vivem em pequenos grupos familiares muito próximos geograficamente pelo que a infecção facilmente se pode espalhar colocando em risco de extinção estas populações já muito precárias. A vacinação de pessoas e dos seus animais domésticos pode ajudar a conter a expansão do vírus a espécies que estamos há anos a tentar tirar da extinção.

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