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Teresa Campos
Teresa Campos
01 Jul, 2021 - 10:00

Vacinar crianças contra a COVID-19: o que dizem os especialistas

Teresa Campos

Há países que já estão a vacinar crianças contra a COVID-19. Mas o que pensam os especialistas sobre este assunto? Fique a saber.

vacinar crianças contra a covid-19

Desde que surgiram as vacinas contra a COVID-19, que se questionou se e quando se começaria a vacinar crianças contra a COVID-19.

Agora que em Portugal o processo de vacinação começa a decrescer visivelmente nas faixas etárias dos vacinados e os adultos mais jovens estão prestes a poderem receber a vacina, muitos pais e educadores colocam a questão – vacinar crianças contra a COVID-19: sim ou não? Reunimos algumas das opiniões que os especialistas têm dado acerca desta matéria.

Vacinar crianças contra a COVID-19: o que diz a Organização Mundial de Saúde

No início do mês de junho, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou que vacinar crianças contra a COVID-19 não é prioritário, sobretudo tendo em conta o suprimento global extremamente limitado de doses, ideia reforçada por Kate O’Brien, pediatra e diretora do departamento de vacinas da OMS.

De acordo com a especialista, o risco dos mais novos adoecerem ou mesmo morrerem desta doença é muito baixo, pelo que a sua imunização apenas pode ajudar a interromper cadeias de transmissão do vírus.

Além disso, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, considera que seria mais benéfico os países doarem essas mesmas vacinas que iam administrar às crianças aos países pobres, com processos de vacinação mais atrasados.

Vacinar crianças contra a COVID-19: qual a posição da Agência Europeia do Medicamento

No final do mês de maio, a Agência Europeia do Medicamento (EMA) autorizou a administração da vacina da Pfizer e da BioNTech a adolescentes entre os 12 e os 15 anos de idade. A partir desse momento, passou a caber a cada Estado-Membro da União Europeia a decisão de quando ou se vai vacinar essas faixas etárias.

Até ao momento, o Infarmed adiantou que ainda estão a ser feitos alguns ensaios clínicos, embora não pareça ser necessário fazer alterações nas vacinas para que elas possam ser dadas aos adolescentes daquelas idades.

Comirnaty, a vacina de RNA mensageiro

A Comirnaty, a vacina de RNA mensageiro,  também recebeu, em dezembro do ano passado, autorização de introdução no mercado condicional em toda a União Europeia, tendo também já sido autorizada pela EMA a sua administração em jovens com mais de 16 anos de idade. Entretanto, o regulador europeu já aprovou o seu uso em crianças entre os 12 e os 15 anos de idade.

Moderna

Além disso, prevê-se que muito brevemente a farmacêutica Moderna peça aprovação à Agência de Segurança Alimentar e do Medicamento dos Estados Unidos da América para que a sua vacina possa ser dada a adolescentes entre os 12 e os 17 anos de idade.

Por outro lado, os especialistas da alemã BioNTech prevêem começar a avaliar, já no arranque de 2022, a segurança e a eficácia da sua vacina, em crianças a partir dos 12 anos de idade.

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Países que já começaram a vacinar crianças contra a COVID-19

O Canadá foi o primeiro país do mundo a aprovar a administração da vacina da Pfizer em crianças com mais de 12 anos, logo no arranque do mês de maio. Também em meados do mês passado, o regulador norte-americano (ou seja, os Estados Unidos da América) aprovou o uso da mesma vacina em adolescentes.

Com a aprovação pela EMA da vacina da Pfizer e da BioNTech em adolescentes (conforme referimos anteriormente), certos países da União Europeia já começaram a vacinar as crianças entre os 12 e os 15 anos de idade. A Alemanha, por exemplo, já começou no início de junho a vacinar contra a COVID-19  crianças e jovens em idade escolar.

Relação Covid-19 e crianças
Veja também COVID-19 e crianças: os mais novos são realmente menos afetados?

Conclusão

Alguns especialistas consideram que vacinar as crianças contra a COVID-19 pode contribuir de forma determinante para conter surtos. Até porque, de acordo com o chefe da Estratégia de Vacinas e Ameaças Biológicas para a Saúde da EMA, Marco Cavaleri, “Os dados mostram que a resposta imunitária nestes grupos é igual ou até melhor do que a que vimos nos jovens adultos.”

Assim, segundo o Comité de Medicamentos Humanos da EMA, os benefícios da vacina nos adolescentes entre os 12 e os 15 anos de idade superam largamente os riscos.

Todavia, convém também lembrar o apelo da OMS e ponderar se será mais prioritário vacinar as crianças do nosso país contra a COVID-19 ou canalizar essas mesmas vacinas para territórios onde há grupos de risco que ainda não estão imunizados. Fica a reflexão…

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