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Bárbara do Carmo
Bárbara do Carmo
05 Jun, 2020 - 15:41

Via Algarviana: conhecer o Algarve a pé muito para lá das praias

Bárbara do Carmo

São cerca de 300 quilómetros que atravessam o interior do Algarve, desde Alcoutim até Sagres. Ponha pés ao caminho e conheça a Via Algarviana.

Pormenor da Via Algarviana

A Via Algarviana é uma grande rota pedestre que liga Alcoutim ao Cabo de S. Vicente, com uma extensão de 300 quilómetros, na sua maioria instalados na Serra Algarvia.

O itinerário atravessa 11 concelhos do Algarve (Alcoutim, Aljezur,Castro Marim, Tavira, S. Brás de Alportel, Loulé, Silves, Monchique, Lagos, Portimão e Vila do Bispo) e cerca de 21 freguesias, sendo que em 2 dos concelhos apenas estão previstas, para já, ligações ao itinerário principal .

via algarviana: um algarve como nunca o viu

Homens a caminhar na Via Algarviana

Em cada freguesia que se encontra pelo percurso, houve a preocupação de aproximar a via dos locais de maior interesse natural e cultural, bem como de serviços de alojamento e restauração, incluindo empreendimentos de Turismo Rural, e aldeias típicas do interior algarvio.

Para além do seu valor intrínseco, a Via Algarviana pode ser considerada a “espinha-dorsal” de uma rede de percursos pedestres no Algarve, que a complementam e lhe criam diversas alternativas, ao sabor dos gostos e das capacidades dos caminhantes. Neste sentido, todos os percursos que cruzam com o traçado da Via Algarviana são divulgados e identificados no terreno, bem como aqueles que se liguem a esta.

Esta grande rota pedestre está dividida em 14 setores, que em tempos foi passagem de milhares de peregrinos rumo ao Promontório de Sagres, e é agora um convite para explorar um Algarve rural, tradicional e surpreendente.

Conheça a extensão de cada setor

  • Setor 1 – Alcoutim – Balurcos 24,20 km
  • Setor 2 – Balurcos – Furnazinhas 14,30 km
  • Setor 3 – Furnazinhas – Vaqueiros 22,60 km
  • Setor 4 – Vaqueiros – Cachopo 14,88 km
  • Setor 5 – Cachopo – Barranco do Velho 29,10 km
  • Setor 6 – Barranco do Velho – Salir 14,90 km
  • Setor 7 – Salir – Alte 16,20 km
  • Setor 8 – Alte – Messines 19,30 km
  • Setor 9 – Messines – Silves 27,60 km
  • Setor 10 – Silves – Monchique 28,60 km
  • Setor 11 – Monchique – Marmelete 14,70 km
  • Setor 12 – Marmelete – Bensafrim 30,00 km
  • Setor 13 – Bensafrim – Vila do Bispo 30,19 km
  • Setor 14 – Vila do Bispo – Sagres 17,65 km

Estes setores caracterizam-se pelas paisagens marcadas por panorâmicas únicas, por uma variedade de fauna e flora quase rara, por lagos e lagoas perdidos na paisagem e por pequenas vilas e aldeias cheias de história, sossegados restaurantes e gentes acolhedoras.

Um Algarve marcado pela desertificação que, ainda assim, guarda pérolas de um inestimável valor cultural e património natural  quase em estado virgem.

via algarviana: alguns dos destaques

Setor 1 – Alcoutim – Balurcos 

O arranque para explorar a Via Algarviana não é fácil. São 24,20 quilómetros de um trajeto classificado como difícil, com uma duração de cerca de 7 horas. Este percurso começa junto ao Rio Guadiana, que acompanha o caminheiro na parte inicial do troço. Uma paisagem marcada pelas velhas oliveiras, por amendoeiras e figueiras.

Neste primeiro setor a existem alguns monumentos que merecem visita como o Castelo da Vila de Alcoutim, Núcleo Museológico de Arqueologia de Alcoutim ou o Conjunto Megalítico do Lavajo. Para quem quer aproveitar para se refrescar, a praia Fluvial de Alcoutim convida a uns mergulhos. 

Setor 5 – Cachopo – Barranco Velho

Classificado como bastante difícil, dadas as características do terreno, o setor 5 é também um dos que oferece uma das melhores paisagens de toda a rota. São cerca de 29 quilómetros, num percurso que dura perto de 8 horas, por trilhos em plena Serra do Caldeirão.

Grandes sobreiros e densos matos de medronheiros e urzes caracterizam a paisagem. Pelo caminho vai cruzar-se com a Ribeira Odeleite antes de começar a subir para Parises. Em Barranco Velho a cortiça é o motor a economia e marca a região desde o artesanato até ao património histórico. 

Setor 10 – Silves – Monchique 

Este troço é muito difícil, mas merece cada quilómetro de esforço, num total de 28. Começa em Silves, outrora capital do Algarve, localidade que merece uma visita demorada naquela que será uma viagem ao passado mouro. A paisagem é neste troço predominantemente florestal, até se chegar à vila de Monchique.

Ainda neste setor vai passar por pequenas aldeias que vivem da agricultura de subsistência como  Zebro, Barreiro, Touril e Foz do Barreiro. Aqui o artesanato é famoso, desde a cestaria de cana e vime, às colheres de pau, até à olaria e tecelagem e ainda as famosas cadeiras de tesoura típicas de Monchique. 

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Setor 11 – Monchique – Marmelete 

Este setor tem uma extensão de cerca de 14 quilómetros classificados como ‘Algo Difícil’. Este percurso começa numa das referências do património nacional – o Convento do Desterro, fundado em 1631. Daqui o percurso segue por um eucaliptal denso até Fóia, a partir daqui entra-se na serra de Monchique, o pulmão algarvio, devendo ser feito o desvio para chegar ao ponto mais alto (902 metros) para apreciar a panorâmica. Até chegar a Marmelete, o trilho desenvolve-se por um longo vale com uma beleza natural ímpar, percorrendo pequenos povoados serranos.  

Setor 14 – Vila do Bispo – Sagres

O último setor da Via Algarviana estende-se por 16,6 quilómetros e é classificado como fácil. Este percurso localiza-se no Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina e é um excelente local para a observação de aves.

Neste troço vai passar por vários campos agrícolas desativados e por pequenos montes rurais. Aqui pode visitar a Praia do Telheiro e assistir ao pôr do sol no Cabo de São Vicente e dar por encerrada a sua aventura pelo interior algarvio. 

Ponta de Sagres

via algarviana: Percurso sinalizado

A Via Algarviana está sinalizada ao longo de todo o percurso, com indicações de quilómetros percorridos, próximas localidades e com informações referentes a pontos de interesse e locais de apoio ao caminhante (como restaurantes ou alojamento). 

Para além da rota principal há várias outras rotas que podem merecer atenção: são cerca de 12 os percursos complementares que conduzem a locais idílicos, e ainda existem 4 rotas temáticas – a rota do contrabandista, da água, da geologia e das árvores monumentais.

Lembramos que a melhor altura para embarcar nesta aventura é a primavera, mas se decidir ir este verão tenha particular atenção às temperaturas que se fazem sentir a cada dia e proteja-se.

Como vê, não há desculpas para não partir à aventura. Equipe-se a rigor e ponha-se a caminho, numas férias que serão diferentes e inesquecíveis.

Como chegar?

Para iniciar a rota a partir de Alcoutim, esta  vila pode ser o seu ponto de partida se for de carro. A Rede Expresso e a CP também podem ser opção. Para chegar a Alcoutim deve seguir pela A1 e A2 até apanhar a IP2, em Castro Verde. Siga pela IP2 até à  N123, IC27 até Alcoutim. 

Onde ficar?

Se optar por fazer os setores aqui descritos sítios como a Pousada da Juventude de Alcoutim ou a Casa de Campo Vale das Hortas (Setor 1). No Setor 5 pode pernoitar na Pensão Tia Bia. A Pensão Miradouro da Serra (Setor 10), a Casa África (Setor 11) e a Cercas Velhas (Setor 14) são boas opções. Se escolher outras opções, o site da viaalgarviana.org disponibiliza várias sugestões de acordo com os torços que escolher. 

Onde comer?

Opções para provar as iguarias do interior algarvio não faltam. Consulte os guias oficiais para ver todas as sugestões e não se esqueça que na ementa não pode falta o ensopado de borrego, o porco preto, as migas, o cozido de grão e as sopas de tomate.

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