Teresa Campos
Teresa Campos
12 Jan, 2022 - 11:22

Já ouviu falar em violência obstétrica? Perceba o que é

Teresa Campos

A violência obstétrica ainda é uma realidade em Portugal. Saiba como prevenir essa situação e como agir se sofreu deste género de violência.

Violência obstétrica no parto

A Organização Mundial da Saúde (OMS) já publicou um documento sobre a prevenção e eliminação da violência obstétrica.

Em Portugal, o inquérito “Experiências de Parto em Portugal”, realizado pela Associação Portuguesa pelos Direitos da Mulher na Gravidez e Parto (APDMGP), revelou que 43,5 por cento das mulheres inquiridas não tiveram o parto que queriam.

Falar sobre violência obstétrica é a melhor forma de a combater. Informe-se!

O que é violência obstétrica?

A violência obstétrica pode ocorrer na gestação, parto, nascimento e/ou pós-parto. Ela pode ser física, psicológica, verbal, simbólica e/ou sexual e traduzir-se em situações de negligência, discriminação e/ou condutas excessivas, desnecessárias ou desaconselhadas. No geral, estes comportamentos não respeitam os corpos e os ritmos naturais da mulher.

Tome nota de alguns exemplos:

  • lavagem intestinal e restrição de dieta;
  • ameaças, gritos, chacotas, piadas, etc.;
  • omissão de informações;
  • desconsideração dos padrões e valores culturais das gestantes e parturientes;
  • divulgação pública de informações que possam insultar a mulher;
  • não permitir o acompanhante que a gestante escolher;
  • não receber alívio para a dor.
conheça diferentes tipos de parto

Parto humanizado

Em resposta à violência obstétrica, existe o parto humanizado que pode ser normal, natural ou cesariana. Por humanizado, entende-se que respeita a mulher, o seu corpo e as suas especificidades.

A assistência também deve ser individualizada e personalizada, devendo ouvir-se sempre a mulher. É importante sublinhar que o não cumprimentos destes pressupostos é uma violação dos direitos humanos.

Episiotomia, parto induzido e cesariana

O recurso a cada uma das intervenções indicadas acima deve ser bem explicado à mulher, dando espaço ao seu esclarecimento e autonomia. Sempre que um destes procedimentos seja feito de forma desnecessária e imposta, eles podem ser considerados um modo de violência obstétrica.

Além disso, o tratamento frio ou os comentários desnecessários, assim como o toque vaginal constante e sem permissão são gestos capazes de comprometer o bem-estar físico e emocional da mulher, comprometendo o decorrer normal e saudável do trabalho de parto.

Nos casos onde os maus tratos são infligidos após o parto, nomeadamente afastando o bebé da mãe, sem razão justificada para tal, isso pode interferir no próprio decorrer do pós-parto. Ou seja, pode contribuir para depressões pós-parto e para dificuldades na vinculação mãe-bebé.

Parto humanizado: o que é e como acontece
Veja também Parto humanizado: o que é e como acontece

Petição pública

Uma petição pública em Portugal, feita em 2017, contou com mais de 5 mil assinaturas e surgiu na sequência de uma má experiência de parto. É um exemplo de ação que pode ser realizada para dar visibilidade ao tema.

A petição em causa pedia para que fosse revista a formação dada aos profissionais da Obstetrícia, assim como a legislação que assiste os direitos da mulher na gravidez e no parto.

Além disso, pediu a afixação de informação Além disso, pediu a afixação de informação clara e inequívoca sobre o que é Violência Obstétrica, nas Unidades de Obstetrícia do SNS.

Consulte aqui a petição.

Pós-parto

Plano de parto

Uma forma de se proteger na hora do parto e garantir que as suas vontades são salvaguardadas é o plano de parto. Este plano é uma espécie de guia em relação àquilo que as mulheres gostariam que fosse ou não feito durante o trabalho de parto, parto e pós-parto.

Claro que nem sempre todos esses pontos podem ser cumpridos. Porém, desta forma, tem um documento que salvaguarda os seus direitos e preferências.

Se considerar que foi vítima de violência obstétrica, deve denunciar o caso. Primeiro, deve fazê-lo ainda em recinto hospitalar. Depois, pode e deve contactar algumas associações de apoio a recém-mamãs como a APDMGP.

Veja também