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Teresa Campos
Teresa Campos
16 Out, 2020 - 15:22

Já ouviu falar em violência obstétrica? Perceba o que é

Teresa Campos

A violência obstétrica ainda é uma realidade em Portugal. Saiba como prevenir essa situação e como agir se sofreu deste género de violência.

Violência obstétrica no parto

A Organização Mundial da Saúde (OMS) já publicou um documento sobre a prevenção e eliminação da violência obstétrica.

Em Portugal, o inquérito “Experiências de Parto em Portugal”, realizado pela Associação Portuguesa pelos Direitos da Mulher na Gravidez e Parto (APDMGP), revelou que 43,5 por cento das mulheres inquiridas não tiveram o parto que queriam.

Em 2017, foi apresentada uma petiçao pública “Pelo fim da Violência Obstétrica nos blocos de parto dos hospitais portugueses”. Esta petição contou com mais de 5500 assinaturas. Portanto, falar sobre violência obstétrica é a melhor forma de a combater. Informe-se!

O que é violência obstétrica?

A violência obstétrica pode ocorrer na gestação, parto, nascimento e/ou pós-parto. Ela pode ser física, psicológica, verbal, simbólica e/ou sexual e traduzir-se em situações de negligência, discriminação e/ou condutas excessivas, desnecessárias ou desaconselhadas. No geral, estes comportamentos não respeitam os corpos e os ritmos naturais da mulher.

Tome nota de alguns exemplos:

  • Lavagem intestinal e restrição de dieta;
  • Ameaças, gritos, chacotas, piadas, etc.;
  • Omissão de informações;
  • Desconsideração dos padrões e valores culturais das gestantes e parturientes;
  • Divulgação pública de informações que possam insultar a mulher;
  • Não permitir o acompanhante que a gestante escolher;
  • Não receber alívio para a dor.
conheça diferentes tipos de parto

Parto humanizado

Em resposta à violência obstétrica, existe o parto humanizado que pode ser normal, natural ou cesariana. Por humanizado, entende-se que respeita a mulher, o seu corpo e as suas especificidades. A assistência também deve ser individualizada e personalizada, devendo ouvir-se sempre a mulher. É importante sublinhar que o não cumprimentos destes pressupostos é uma violação dos direitos humanos.

Episiotomia, parto induzido e cesariana

O recurso a cada uma das intervenções indicadas acima deve ser bem explicado à mulher, dando espaço ao seu esclarecimento e autonomia. Sempre que um destes procedimentos seja feito de forma desnecessária e imposta, eles podem ser considerados um modo de violência obstétrica.

Além disso, o tratamento frio ou os comentários desnecessários, assim como o toque vaginal constante e sem permissão são gestos capazes de comprometer o bem-estar físico e emocional da mulher, comprometendo o decorrer normal e saudável do trabalho de parto.

Nos casos onde os maus tratos são infligidos após o parto, nomeadamente afastando o bebé da mãe, sem razão justificada para tal, isso pode interferir no próprio decorrer do pós-parto. Ou seja, pode contribuir para depressões pós-parto e para dificuldades na vinculação mãe-bebé.

Parto humanizado: o que é e como acontece
Veja também Parto humanizado: o que é e como acontece

Petição pública

A petição pública a que já nos referimos no início deste artigo surgiu na sequência duma má experiência de parto. Assim, a petição pede para que seja revista a formação dada aos profissionais da Obstetrícia, assim como a legislação que assiste os direitos da mulher na gravidez e no parto. Além disso, revela-se fundamental a afixação nas Unidades de Obstetrícia do SNS informação clara e inequívoca, sobre o que é Violência Obstétrica.

Consulte aqui a petição.

Pós-parto

Plano de parto

Uma forma de se proteger na hora do parto e garantir que as suas vontades são salvaguardadas é o plano de parto. Este plano é uma espécie de guia em relação àquilo que as mulheres gostariam que fosse ou não feito durante o trabalho de parto, parto e pós-parto. Claro que nem sempre todos esses pontos podem ser cumpridos. Porém, desta forma, tem um documento que salvaguarda os seus direitos e preferências.

Se considerar que foi vítima de violência obstétrica, deve denunciar o caso. Primeiro, deve fazê-lo ainda em recinto hospitalar. Depois, pode e deve contactar algumas associações de apoio a recém-mamãs como a APDMGP.

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