Miguel Pinto
Miguel Pinto
07 Set, 2026 - 10:00

76 anos de história perto do fim: Volkswagen prepara o fim da Seat até 2029

Miguel Pinto

A longa história da Seat pode estar a chegar ao fim. Com a crise a apertar, o Grupo Volkswagen tem na mesa o fim da marca.

símbolo da Seat

Depois de 76 anos de história, a Seat aproxima-se do fim, com o Grupo Volkswagen a preparar a extinção gradual da marca espanhola até ao final de 2029, transferindo a produção, a rede comercial e os recursos de engenharia para a Cupra.

De acordo com um relatório interno, que terá sido já aprovado pela administração executiva da Volkswagen e que seguiu para aprovação final do conselho de supervisão, a Seat será “descontinuada de forma ordenada e eficiente em termos de custos” até ao final da década.

O documento garante ainda a manutenção do apoio a clientes atuais, incluindo assistência pós-venda e o cumprimento de obrigações contratuais em curso.

A marca não desmentiu a informação, admitindo que “todo o setor, incluindo o Grupo Volkswagen e, naturalmente, a Seat, atravessa uma transformação profunda, impulsionada pelo compromisso com a eletrificação”.

Sublinhou ainda que “não foram tomadas decisões nesta fase” e que qualquer alteração estratégica relativa à Seat S.A. será comunicada em devido tempo.

Seat: uma trajetória que já vinha a desenhar-se

traseira do Cupra Leon

Apesar de a Volkswagen ter apresentado a Seat, ainda em janeiro de 2026, como parte integrante do seu futuro, os números contam uma história diferente.

A Cupra, que nasceu em 1996 como a insígnia reservada aos modelos mais desportivos da Seat antes de se tornar marca autónoma em 2018, ultrapassou largamente a marca-mãe em vendas.

No primeiro semestre de 2026, a Cupra entregou 170.100 veículos, contra 129.600 da Seat, representando quase 57% das 299.700 entregas conjuntas das duas marcas.

Em 2025, a tendência já era clara, quando a Cupra cresceu 32,5%, para 328.800 unidades, enquanto a Seat recuou 17%, para 257.400 veículos.

A gama europeia da Seat resume-se hoje a quatro modelos (Ibiza, Arona, Ateca e Leon), praticamente todos com várias gerações de vida útil. O Ibiza e o Arona chegaram ao mercado em 2017 e já foram sujeitos a duas atualizações de meio de vida, a mais recente no ano passado.

O Ateca remonta a 2016. Apenas o Leon teve uma substituição relevante desde a autonomização da Cupra, ainda assim partilhada com esta última. Mais significativo, porém, é que a Seat continua sem qualquer modelo elétrico no seu catálogo.

Martorell continua a ser central para o grupo

O eventual desaparecimento da marca não significa o encerramento da fábrica de Martorell, nos arredores de Barcelona, onde trabalham cerca de 10.000 dos 13.000 trabalhadores da Seat.

Pelo contrário, esta unidade industrial é o centro operacional de um investimento de dez mil milhões de euros do Grupo Volkswagen na eletrificação em Espanha.

A 3 de junho de 2026, Martorell iniciou a produção em série dos primeiros carros elétricos fabricados em Espanha, num evento que contou com a presença, por videoconferência, do primeiro-ministro espanhol.

Os modelos em causa foram o Cupra Raval e o Volkswagen ID. Polo. A gama de elétricos acessíveis nascidos desta plataforma inclui ainda o Volkswagen ID. Cross e o Skoda Epiq. Nenhum deles ostenta o emblema da Seat.

Porque se mantém a Cupra e não a Seat?

Seat Ibiza Branco

A lógica por trás da decisão é essencialmente financeira e estratégica. Segundo o próprio documento citado, “continuar com a Seat na sua forma atual implicaria a mobilização de recursos adicionais”.

A Cupra, com preços de transação mais elevados e margens mais saudáveis, tornou-se o motor de crescimento preferencial do grupo em Espanha, ao mesmo tempo que a Skoda e a própria Volkswagen ocupam os restantes segmentos de mercado onde a Seat também competia.

Para os responsáveis do grupo liderado por Oliver Blume, manter duas marcas espanholas com posicionamentos cada vez mais sobrepostos representa uma desnecessária duplicação de esforços.

O que muda para quem já tem um Seat

Para os atuais proprietários de veículos Seat, a Volkswagen garante continuidade no fornecimento de peças, assistência em oficina, atualizações de software e cumprimento de garantias.

Os modelos atualmente em produção deverão ainda cumprir o respetivo ciclo de vida até ao horizonte de 2029, sem que estejam previstos encerramentos abruptos de fábricas ou despedimentos associados diretamente ao fim da marca.

Refira-se, no entanto, que se trata ainda de um plano sujeito a aprovação final do conselho de supervisão da Volkswagen, pelo que nada está formalmente confirmado.

Tanto o grupo alemão como a Seat Cupra têm reiterado que nenhuma decisão definitiva foi tomada, remetendo qualquer esclarecimento adicional para o momento em que existir uma posição oficial.

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