Share the post "Adeus à combustão, olá ao futuro: a Alpine A110 Future é uma realidade"
O nome evoca tempos de glória e um modelo que ninguém esquece. O Alpine A110 é um marco, quase um mito, mas vai evoluir.
O Alpine A110 Future é o protótipo de desenvolvimento que esconde, sob uma carroçaria emprestada ao modelo atual, a base técnica da terceira geração do A110, a primeira totalmente elétrica da história do modelo.
A Alpine confirma que esta nova geração chegará ao mercado em 2027, encerrando um capítulo icónico ligado ao motor a combustão e abrindo outro, apoiado numa arquitetura dedicada e em tecnologia de 800 V.
Na indústria automóvel, é raro uma marca mostrar publicamente um “mulo” de testes. Normalmente estes protótipos circulam disfarçados, longe dos holofotes.
A Alpine decidiu fazer exatamente o oposto. O protótipo, batizado de A110 Future, assenta na mesma Alpine Performance Platform (APP) que vai equipar o modelo de produção, ainda que use a carroçaria da A110 anterior, com alargamentos nos guarda-lamas que sugerem eixos mais largos.
A apresentação aconteceu no Goodwood Festival of Speed, com o piloto de Fórmula 1 da Alpine Pierre Gasly a conduzir o protótipo na icónica subida da colina.
A revelação surge poucos depois de a Alpine ter produzido, na fábrica de Dieppe, o último dos 28 701 exemplares da A110 a gasolina, um marco que simboliza o fim de uma era e o arranque de outra.
Segundo a imprensa francesa, esta produção final ficou limitada a 1 750 unidades de uma série especial de despedida.
A110 Future: desenho leve no espírito de Jean Rédélé
Do ponto de vista da engenharia, a Alpine insiste que a filosofia fundadora da marca continua intacta.
Segundo a própria fabricante, o desenvolvimento do novo A110 mantém-se fiel à visão original de Jean Rédélé, assente na leveza como valor central, numa arquitetura que a marca descreve como a maior evolução de sempre na história do modelo, conjugando a agilidade de sempre com uma rigidez estrutural muito superior.
Esta base é conhecida como Alpine Performance Platform (APP) e caracteriza-se por uma estrutura em alumínio colado e rebitado, pensada tanto para maximizar a rigidez como para conter o peso.
A meta de peso, avançada por Philippe Krief, diretor de engenharia da Alpine, situa-se entre os 1 400 e os 1 500 kg, um valor que, a confirmar-se, colocaria a futura A110 entre os desportivos elétricos mais leves do seu segmento.

Duas baterias, tração traseira e tecnologia de 800 V
O A110 Future recorre a uma configuração de bateria dupla, com tecnologia cell-to-pack a 800 V. Um pack instalado à frente do habitáculo e outro exatamente no local que hoje é ocupado pelo motor turbo de quatro cilindros.
O resultado é uma repartição de massas na ordem dos 40/60 entre eixo dianteiro e traseiro, próxima da lógica de um motor central, e uma posição de condução particularmente baixa, já que nada passa sob o piso do habitáculo.
Ao nível da motorização, a solução passa por um sistema traseiro duplo “3 em 1”, com dois motores elétricos e inversores em carboneto de silício (SiC), pensados para reduzir perdas de energia e garantir uma resposta ao acelerador imediata e linear.
Informações que vão circulando referem que o próximo A110 poderá contar com uma potência da ordem dos 480 cv, superior aos 345 cv do atual A110 R Ultime, alimentada por uma bateria com cerca de 70 kWh de capacidade.
Quanto à autonomia, a marca aponta para valores acima dos 480 km, com um objetivo interno que poderá aproximar-se dos 600 km em ciclo WLTP.
Mais relevante do que o número absoluto é o critério de resistência que a Alpine definiu internamente. O carro deverá ser capaz de completar três voltas consecutivas ao Nürburgring a ritmo sustentado sem perda significativa de desempenho.
Um objetivo que, para um elétrico, é particularmente exigente.

Alpine Dynamic Module: dinâmica de condução
Se a plataforma e a bateria definem a base física do carro, o Alpine Dynamic Module é apresentado pela marca como o elemento que traduz essa base em sensações de condução.
Trata-se de uma unidade de controlo de alto desempenho que harmoniza motorização, chassis e aerodinâmica, com o objetivo de redefinir a dinâmica global do automóvel.
A sua função mais relevante chama-se Alpine Active Torque Vectoring (vetorização ativa de binário), um sistema que atua a cada 10 milissegundos para distribuir o binário entre as rodas traseiras.
Na prática, isto deverá traduzir-se numa trajetória mais incisiva em curva e numa tração mais eficaz à saída dos vértices, precisamente os atributos que sempre definiram o carácter dinâmico da A110.
Quando chega este Alpine?
A versão de série será apresentada com base na mesma plataforma, mas ainda sem data de estreia oficial confirmada para Portugal.
As primeiras informações completas sobre a nova geração são esperadas durante a primeira metade de 2026, com o lançamento comercial previsto entre o final de 2026 e o início de 2027, primeiro na Europa e depois na Ásia.
Vários órgãos de imprensa britânicos apontam ainda o Salão de Paris, em outubro, como palco provável da revelação do modelo final.
Outras variantes já em preparação
A nova plataforma abre também espaço a outras carroçarias, embora estas não devam surgir logo em 2027.
Há indicações de que a Alpine estuda uma versão descapotável e uma variante grand tourer de quatro lugares, possivelmente já para 2028 ou mais tarde, um formato que recorda o antigo A310, um 2+2 dos anos 70 que rivalizava, na época, com o Porsche 911.
Para além dos números, o maior desafio da Alpine pode não ser técnico, mas sim emocional. Para uma parte dos clientes mais fiéis à marca, abandonar o motor a combustão representa uma rutura difícil de aceitar; para outros, a questão coloca-se de forma ainda mais radical.
Um A110 elétrico consegue continuar a ser reconhecida como um verdadeiro Alpine, caso perca o sentido de leveza e a clareza mecânica que construíram a reputação do modelo atual?
Só quando o carro chegar às estradas se poderá confirmar ou desmentir. Mas as primeiras indicações são entusiasmantes.