Inês Pereira
Inês Pereira
29 Ago, 2019 - 09:44
Aprendizagem associativa: o que é e quais as vantagens

Aprendizagem associativa: o que é e quais as vantagens

Inês Pereira

Todos os dias adquirimos novos hábitos e conhecimentos, sendo que em muitos casos a responsável é a aprendizagem associativa. Conheça agora esta técnica.

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Com certeza já ouviu, e afirmou até, aquela velha máxima que diz que estamos sempre a aprender. Talvez lhe pareça apenas uma frase feita mas trata-se de uma ideia bastante real. Afinal, todos os dias aprendemos com as nossas experiências e aquilo que já vivemos, o que nos prepara para situações futuras e cria padrões de comportamento que nos permitem prever alguns resultados. A isto chama-se aprendizagem associativa, um método algo complexo mas muito produtivo.

Graças a este tipo de aprendizagem somos capazes de evitar determinados estímulos, que reconhecemos como tendo consequências indesejáveis, e de procurar ativamente outros, associados a resultados mais agradáveis. Este conceito assenta na ideia de que a explicação do comportamento reside na capacidade de associação. E sim, é bastante provável que isto lhe soe extremamente familiar dado que é a base da corrente teórica do behaviorismo, estudada na escola.

Bom, está na altura de ficar a compreender melhor este método de aprendizagem a que todos recorremos diariamente, muitas vezes sem sequer nos apercebermos.

Aprendizagem associativa de A a Z: saiba tudo

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Talvez não reconheça o nome, mas é bastante provável que conheça o método. Com certeza já ouviu dizer que a melhor tática para treinar um animal é através do reforço positivo, correto? Ora, acontece que isto trata-se precisamente de aprendizagem associativa. Significa isto que este tipo de aprendizagem é observável não só nos seres humanos mas também nos animais.

A aprendizagem associativa pode definir-se como o processo através do qual os seres humanos e outros seres vivos estabelecem um vínculo de associação entre dois (ou mais) eventos. A relação criada pelo sujeito resulta depois numa aprendizagem lógica, o que dá origem a uma reação por parte do aprendiz.

Resultado? Verifica-se uma mudança no comportamento do indivíduo, que passa a partir deste momento a ter a capacidade de antecipar que determinado fenómeno ou estímulo resultará obrigatoriamente numa dada consequência.

No entanto, para que isto aconteça é necessário que o cenário em que se verifica a relação entre os dois elementos se repita de forma consistente. Sem a existência de um padrão de semelhança não será possível existir uma sensibilidade para a associação e será visto apenas como um acontecimento isolado.

Curiosamente, numa fase inicial considerava-se que esta aprendizagem não envolvia a vontade do sujeito e que ele era uma personagem meramente passiva. Contudo, a realidade é que as variáveis cognitivas do aprendiz estão implicadas no processo, pelo que este é, atualmente, considerado um elemento ativo.

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E quais são as vantagens? Em suma, a aprendizagem associativa permite fazer previsões e criar estratégias para lidar com determinada situação graças à informação que recolhemos. Torna-se assim possível associar estímulos, ideias, conceitos e, até mesmo pensamentos, o que, em alguns casos, pode até originar novos conhecimentos sem a existência de uma estimulação palpável.

Agora que já percebe o conceito, está na altura de ficar a conhecer os principais tipos de aprendizagem associativa.

Condicionamento clássico

O condicionamento clássico é um dos tipos mais simples entre as modalidades de aprendizagem por associação. Com base neste método, considera-se que o comportamento dos seres vivos é resultado do facto de aprenderem a relação que existe entre diversos estímulos. Assim, o aparecimento ou desaparecimento de um acontecimento estará diretamente relacionado com o aparecimento ou desaparecimento do outro.

Embora dependa do estímulo, da rapidez da associação e da importância, esta relação é assimilada com base na repetição. Por outro lado, a associação pode ocorrer ao nível da estimulação positiva como da estimulação negativa: no primeiro caso, aprendemos que as coisas que gostamos se relacionam com algo neutro; no segundo caso, percebemos que estímulos dolorosos estão associados a outros aspetos neutros, o que origina o medo.

Importa agora perceber o que é um estímulo neutro. Suponha que saliva sempre que um empregado de restaurante lhe serve o seu prato favorito. De repente, e de forma repetida, ouve um sino imediatamente antes do indivíduo lhe servir a comida. O resultado será começar a salivar mal ouve o sino porque associa um estímulo ao outro. Neste cenário o sino é absolutamente neutro, uma vez que lhe era indiferente.

Condicionamento operante

O condicionamento operante, por sua vez, assenta numa série de consequências. Um determinado comportamento ou estímulo tem uma série de consequências, que alteram a probabilidade de reaparecimento desse mesmo comportamento devido à associação que aprendemos.

É neste caso que se insere a técnica do reforço positivo ou negativo, que implica a continuidade ou cessação de dada atitude. No reforço positivo, o comportamento tem como recompensa um estímulo agradável, ao passo que o resultado do reforço negativo será um estímulo desagradável.

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