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Teresa Campos
Teresa Campos
05 Mai, 2020 - 11:37

Asma: todos os cuidados que deve ter no verão e com a COVID-19

Teresa Campos

A asma é uma patologia caracterizada por faltas de ar esporádicas. Saiba a relação entre esta doença e a COVID-19 e os cuidados a ter no verão.

Mulher com asma a usar inalador

São vários os estudos e os inquéritos que concluem que os sintomas de asma podem agravar-se no verão, devido a algumas condições caraterísticas desta estação do ano.

A mudança de temperatura; a diminuição da humidade relativa do ar; o uso mais frequente do ar condicionado; a maior concentração de pó e outros poluentes; a prática de exercício físico são algumas das situações que podem aumentar o risco de inflamação dos brônquios.

Para prevenir a ocorrência das crises de asma, é importante beber muita água; evitar a exposição solar, nas horas de mais calor; fazer uma alimentação saudável e adequada à estação; vestir roupa fresca e arejada; tomar corretamente a medicação para controlo da asma, prescrita pelo médico.

asma: o que dizem os especialistas

Em Portugal existem cerca de 700 mil doentes asmáticos, um quarto dos quais em idade pediátrica, de acordo com os dados do Inquérito Nacional de Controlo da Asma de 2010 e que continuam a ser os mais recentes nesta área.

Apesar de ser uma doença crónica, não existindo cura, “com o tratamento adequado, a asma pode ser controlada e pode permitir ao doente ter uma boa qualidade de vida e sem restrições”, salienta Ana Mendes, da Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica (SPAIC).

Apesar disso, “a asma também pode matar”, alerta a especialista que reforça ainda: “Portugal tem uma taxa de mortalidade por asma idêntica à dos países com melhores indicadores de saúde, mas, nos últimos anos, tem-se verificado um aumento, ainda que ligeiro, mas preocupante, do número de casos. A maioria das mortes por asma é evitável e pode traduzir a dificuldade de perceção da gravidade e da possibilidade de controlo da doença”.

A asma é uma patologia do aparelho respiratório de definição difícil, embora o diagnóstico, normalmente, seja muito fácil. Caracteriza-se por episódios de falta de ar esporádica, que se denominam dispneia. Estes episódios de falta de ar são reversíveis, espontaneamente ou por ação de fármacos.

A maioria dos doentes tem asma desde a infância. Muitos melhoram substancialmente, durante a adolescência. Contudo, isso não quer dizer que não possam vir a ter um episódio de asma ao longo do resto da sua vida.

Asma: tudo o que precisa de saber

Criança com asma

Características da asma

  • Grandes variações dos débitos respiratórios (volume de ar);
  • Resposta exagerada a estímulos externos, fazendo com que exista um aumento da atividade dos brônquios;
  • Inflamação da mucosa respiratória (com esta inflamação existe um estreitamento das vias aéreas, sobretudo na expiração).

Sintomas associados à asma

  • Sibilância: sonoridade aguda e/ou chiada produzida pelas vias áreas;
  • Dispneia: falta de ar;
  • Opressão torácica: sensação de pressão no peito;
  • Tosse seca: particularmente à noite ou ao amanhecer;
  • Cansaço: depois de tossir ou sem razão aparente.

Medidas não farmacológicos

Existe um conjunto de medidas não farmacológicas que um doente com asma deve seguir:

1. Deixar de fumar: o tabaco é altamente nocivo e, além disso, faz aumentar a inflamação das vias aéreas, pois é um elemento irritante para elas. Por isso, ninguém deve fumar em casa de um doente asmático;

2. Evitar o excesso de peso;

3. Não varrer junto do doente – sempre que possível, utilizar o aspirador para não levantar tanto pó;

4. Limpar o pó com um pano humedecido;

5. Evitar locais com fumo;

6. Fazer diariamente exercícios respiratórios como, por exemplo, tocar algum instrumento de sopro, apagar velas, ou fazer bolas de sabão;

7. Arejar a casa com frequência;

8. Não usar roupa felpuda;

9. Evitar utilizar roupa que permaneceu muito tempo guardada;

10. Não mexer em velharias como, por exemplo, livros antigos;

11. Se utilizar aquecimento, o ar deve ser humidificado;

12. Evitar bolor dentro de casa;

13. Quem padece de asma deve evitar agentes irritantes: cheiros fortes (tinta, verniz), escapes de automóveis, perfumes, etc.

Homem com asma no médico

Tratamentos farmacológicos

Para tratar os sintomas da asma são utilizados fármacos chamados broncodilatadores. A sua função é a dilatação dos brônquios, para que o ar tenha mais espaço para passar e, assim, aumentar o volume de ar no organismo. Existem dois grupos de broncodilatadores para inalar: os agonistas β2 e os anticolinérgicos.

Para tratar a inflamação da muscosa respiratória são utilizados corticóides ou antileucotrienos. Mais recentemente, tem-se vindo a recorrer a associações de fármacos compostas por corticoide e broncodilatador de longa duração.

Portanto, um doente com asma normalmente tem a medicação que utiliza apenas em SOS, quando sente uma crise, que é um broncodilatador para inalar. E, como tratamento de longa duração, utiliza antileucotrienos ou corticóides, dependendo do grau e do quão controlada está a sua asma.

asma e covid-19

A asma não aparenta ser um fator de risco para contrair a infeção pelo novo coronavírus, alertou nesta segunda-feira, dia 16 de março, a Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica (SPAIC). A entidade adverte apenas para a asma com sintomas não controlados, que podem contribuir para um quadro de maior gravidade perante a COVID-19.

“Embora as informações ainda sejam escassas e, por isso, possam ser imprecisas, a asma, por si só, não parece ser um fator de risco para contrair a infeção pelo coronavírus, nem para ter formas mais graves desta doença. Contudo, a asma que não esteja bem controlada poderá contribuir para uma maior gravidade do quadro que se associe à eventual doença covid-19 em asmáticos”, esclarece a SPAIC.

Por isso, o organismo recomenda que todas as pessoas com asma e rinite alérgica “mantenham uma boa adesão ao tratamento preventivo diário”, além das medidas preconizadas de higiene e de isolamento social. Assim sendo, a medicação deve ser tomada nas doses e à hora recomendada pelo médico alergologista assistente, de modo a prevenir eventuais crises asmáticas, reforça a entidade.

Em caso de crise asmática, a SPAIC recomenda a que reforce “a sua medicação de acordo com o plano que o seu alergologista tenha elaborado, procurando não recorrer a serviços de urgência hospitalares, a não ser que seja estritamente necessário”.

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