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Um guia para tempos complicados
Teresa Campos
Teresa Campos
05 Abr, 2021 - 10:59

Asma: aprenda a controlar os sintomas e a evitar as crises

Teresa Campos

A asma é uma patologia que se caracteriza por faltas de ar esporádicas. Saiba como controlar os sintomas e prevenir as crises.

Mulher com ataque de asma

A asma é uma doença que afeta as vias aéreas, provocando o estreitamento dos brônquios e o aumento da produção de muco. Por isso, normalmente cria dificuldade respiratória e pieira. É uma doença crónica, sem cura, mas cujos sintomas podem ser controlados e as crises evitadas.

A asma está associada a uma resposta exagerada do sistema imunitário à exposição a agentes irritantes como bactérias, vírus, poeiras, poluição ou pólenes. Saiba mais sobre esta doença.

Asma: o que dizem os especialistas

Em Portugal, existem cerca de 700 mil a 1 milhão de doentes asmáticos, um quarto dos quais em idade pediátrica, de acordo com os dados do Inquérito Nacional de Controlo da Asma de 2010 e que continuam a ser os mais recentes nesta área.

Apesar de ser uma doença crónica, não existindo cura, “com o tratamento adequado, a asma pode ser controlada e pode permitir ao doente ter uma boa qualidade de vida e sem restrições”, salienta Ana Mendes, da Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica (SPAIC).

Apesar disso, “a asma também pode matar”, alerta a especialista que reforça ainda que: “Portugal tem uma taxa de mortalidade por asma idêntica à dos países com melhores indicadores de saúde, mas, nos últimos anos, tem-se verificado um aumento, ainda que ligeiro, mas preocupante, do número de casos. A maioria das mortes por asma é evitável e pode traduzir a dificuldade de perceção da gravidade e da possibilidade de controlo da doença”.

A asma é uma patologia do aparelho respiratório de definição difícil, embora o seu diagnóstico, normalmente, seja muito fácil. Caracteriza-se por episódios de falta de ar esporádica, que se designam por dispneia. Estes episódios de falta de ar são reversíveis, espontaneamente ou através da ação de fármacos.

A maioria dos doentes tem asma desde a infância. Muitos melhoram substancialmente, durante a adolescência. Contudo, isso não quer dizer que não possam vir a ter um episódio de asma ao longo do resto da sua vida.

Homem com asma no médico

Asma: sintomas e tratamento

A asma está associada a alguns fatores de risco, como ter história familiar da doença; eczema; alergias alimentares; alergias ambientais; ou rinite alérgica. Também há agentes que podem desencadear mais frequentemente crises asmáticas, tais como: ácaros domésticos; pólenes; pêlos de animais; fumo de tabaco; poluição; fármacos; ar frio; infeções víricas; e irritantes químicos.

A sintomatologia associada à asma não é permanente, surgindo apenas em momentos de crise. Alguns desses sintomas são:

  • falta de ar (dispneia);
  • tosse seca (à noite ou ao amanhecer);
  • pieira/sibilância;
  • sensação de aperto no peito (opressão torácica);
  • cansaço (devido à tosse ou sem motivo aparente).

Diagnóstico

Para diagnosticar a asma, é necessário realizar algumas análises e exames, como: análises ao sangue; exames funcionais respiratórios (espirometria com prova de broncodilatação); exames de avaliação da hiperreatividade brônquica; radiografia ao tórax; testes cutâneos; e avaliação da inflamação das vias aéreas.

Medidas não farmacológicos

O controlo da asma também pode ser feito através da adoção de medidas não farmacológicas, nomeadamente:

  • Deixar de fumar: o tabaco aumenta a inflamação das vias aéreas, pois é um elemento irritante para elas;
  • Combater o excesso de peso;
  • Evitar o contacto com o pó, limpando-o com um pano húmido e usando aspirador;
  • Não frequentar locais com fumo;
  • Fazer exercícios respiratórios como apagar velas ou fazer bolas de sabão;
  • Arejar frequentemente a casa;
  • Não usar roupa com muito pêlo ou que esteve muito tempo guardada;
  • Não mexer em coisas antigas, como livros ou papéis;
  • Humidificar o ar;
  • Evitar ambientes com bolor;
  • Evitar agentes irritantes: cheiros fortes (tinta, verniz), escapes de automóveis, perfumes, etc.
Crianças com COVID-19 e sintomas raros são preocupação

Tratamentos farmacológicos

Para tratar os sintomas da asma, são utilizados fármacos como os broncodilatadores. A sua função é dilatar os brônquios, para que o ar tenha mais espaço para passar e, assim, aumentar o volume de ar no organismo. Existem dois grupos de broncodilatadores para inalar: os agonistas β2 e os anticolinérgicos.

Para tratar a inflamação da mucosa respiratória, são utilizados corticóides ou antileucotrienos. Mais recentemente, tem-se vindo a recorrer a associações de fármacos compostos por corticóides e broncodilatadores de longa duração.

Portanto, um doente com asma só faz medicação em SOS, quando sente uma crise, recorrendo geralmente a um broncodilatador para inalar. Como tratamento de longa duração, pode utilizar antileucotrienos ou corticóides, em função do grau e do quão controlada está a doença.

Para evitar as crises de asma, pode ainda ter outros cuidados, como tomar vacinas para a alergia/imunoterapia; prevenir outras infeções respiratórias; e reduzir a exposição a alergénios, como: ácaros, pó, tabaco, fumo e poluição.

Mulher com alergia ao pólen
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Asma e COVID-19

A asma não aparenta ser um fator de risco para contrair a infeção pelo novo coronavírus, segundo alertou a Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica (SPAIC). A entidade adverte apenas que a asma com sintomas não controlados pode contribuir para um quadro mais severo de COVID-19.

“Embora as informações ainda sejam escassas e, por isso, possam ser imprecisas, a asma, por si só, não parece ser um fator de risco para contrair a infeção pelo coronavírus, nem para ter formas mais graves desta doença. Contudo, a asma que não esteja bem controlada poderá contribuir para uma maior gravidade do quadro que se associe à eventual doença covid-19 em asmáticos”, esclarece a SPAIC.

Por isso, o organismo recomenda que todas as pessoas com asma e rinite alérgica “mantenham uma boa adesão ao tratamento preventivo diário”, além das medidas preconizadas de higiene e de distanciamento físico. Assim sendo, a medicação deve ser tomada nas doses e à hora recomendada pelo médico alergologista assistente, de modo a prevenir eventuais crises asmáticas, reforça a entidade.

Em caso de crise asmática, a SPAIC recomenda que reforce “a sua medicação de acordo com o plano que o seu alergologista tenha elaborado, procurando não recorrer a serviços de urgência hospitalares, a não ser que seja estritamente necessário”.

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