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Bárbara do Carmo
Bárbara do Carmo
14 Set, 2021 - 12:45

Belver: um segredo cravado em pleno Alto Alentejo

Bárbara do Carmo

Belver é uma pequena encosta banhada pelo rio Tejo, cheia de história. Um castelo que remonta à fundação da nacionalidade e que armazenou tesouros.

Vista do Castelo de Belver

Localizado no distrito de Portalegre, concelho de Gavião, Belver é uma pequena encosta banhada pelo rio Tejo, cheia de história. Um retiro pela natureza alentejana que não pode perder. Para quem vem do norte, chegar a Belver é um caminho que só por si faz merecer a visita. Entrando por Penela (na região centro) e apanhado o IC8 são pouco mais de 110 quilómetros, numa estrada nacional que corta a paisagem calma pincelada de verde. 

Pelo caminho e pode parar para uma visita rápida à Sertã e desfrutar da Albufeira de Castelo de Bode. E ainda, aproveitar para conhecer Proença-a-Nova e, entre outras coisas, deliciar-se com a gastronomia local – como o plangaio, a salada de almeirão e o queijo cabreiro, ou para os gulosos o bolo finto, as broas de mel e a afamada tigelada. 

Estes são só os pit stops não obrigatórios, mas que valem bem a pena, caso queira fazer a viagem nas calmas e entrar com o espírito certo em Belver. 

O Castelo da Bela Vista (Belver)

A primeira paragem ao chegar a esta pequena povoação do distrito de Portalegre é o castelo. Datado do século XII, foi mandado erguer pela Ordem dos Hospitalários por doação do rei D. Sancho I.

O objetivo desta empreitada era assegurar a proteção da região e impedir a conquista muçulmana. No entanto, durante a história portuguesa, desempenhou sempre um papel importante devido à sua localização, na linha defensiva do Tejo. 

Para além disso, o Castelo de Belver – que significava Bela Vista – é um dos mais importantes marcos de arquitetura militar medieval existente em território nacional. 

Se as razões para visitar este castelo ainda não o convenceram, saiba que, segundo reza a lenda, foi nele que esteve encarcerado Luís de Camões, em 1553. No interior das muralhas, pode ainda visitar a Capela e o retábulo de São Brás.  De facto, visitar o Castelo de Belver é descobrir marcos importantes da nossa história, aprender mais sobre arquitetura militar e surpreender-se com as vistas desafogadas até ao Tejo. 

Vista do promontório de Belver

Belver: a história dos saboeiros

O passado desta pequena vila alentejana vai além das batalhas da reconquista. No século XVI a produção de sabão tornou-se a principal atividade económica da região, com a instalação da Real Fábrica do Sabão. Para homenagear esta indústria tão importante à época, em 2013 foi inaugurado o Museu do Sabão numa antiga Escola Primária. 

Aqui pode aprender tudo sobre os saboeiros – desde o processo de fabrico, até à distribuição, passando pelas diferenças entre sabão mole e duro  – a história completa desta indústria está aqui retratada, neste que é um dos quatro museus de sabão que existem em todo o mundo. 

Passadiço do Alamal

Depois de explorar o passado longínquo local, desfrute da natureza e dos cenários áridos do alto Alentejo. Para começar esta emersão aproveite um fim de tarde, quando o calor não estiver tão forte, para passear junto ao rio pelo Passadiço do Alamal.

Renovados em 2017, estes passadiços, com pouco mais de um quilómetro e meio, são o plano perfeito para acabar um dia em beleza. Ligam a praia fluvial do Alamal com a ponte de Belver, num serpenteado sobre o rio, crava a paisagem granítica da região. Para se refrescar do calor alentejano nada como um mergulho na praia fluvial do Alamal. Um vasto areal entra pelas águas tépidas do Tejo em perfeita harmonia com vários medronheiros e madressilvas.

Uma praia com todas as comodidades exigidas nos dias que correm: bar, nadador salvador, instalações sanitárias, bons acessos e parque de merendas. Pode ainda alugar gaivotas ou canoas se quiser afastar-se um pouco pelas águas calmas do Tejo. Tudo mais que razões para partir à descoberta deste pequeno segredo com sotaque alentejano.

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