Marta Maia
Marta Maia
14 Abr, 2020 - 15:57

As 5 principais burlas do momento e como proteger-se delas

Marta Maia

A epidemia de COVID-19 deu o mote a uma vaga de burlas no universo online. Explicamos-lhe as mais frequentes e como pode proteger-se.

Burlas com COVID-19

Fechados em casa por longos períodos de tempo por conta do estado de emergência, os portugueses estão, mais do que nunca, ligados ao mundo digital. A internet e os telemóveis passaram a ser canais privilegiados de comunicação, informação e consumo, mas também deixaram o consumidor mais exposto a burlas que em tempos de COVID-19 tendem a proliferar.

Um comunicado recente do Portal da Queixa dá conta de uma vaga de fraudes que, em março, foi 34% maior do que os registos do mesmo período do ano passado. São cerca de 16 queixas por dia desde que começou o estado de emergência, e a tendência é para que o número de casos cresça, acreditam os responsáveis por esta rede social de consumidores. Na internet e pelo telefone, os consumidores estão a ser um alvo preferencial das redes do cibercrime.

Covid-19: as 5 burlas online Mais frequentes

São vários os motivos pelos quais o momento epidémico que o país atravessa ficou tão atraente para os burlões. Por um lado, os consumidores estão mais expostos porque passam várias horas do dia ligados à internet ou a usar os telefones. Por outro, a incerteza característica da emergência é propícia à procura indiscriminada de material de proteção, por exemplo.

Juntam-se, assim, dois ingredientes perigosos: a vulnerabilidade e a necessidade, que a escassez de máscaras e desinfetantes agravou. Com as farmácias a perderem capacidade de responder à procura de mercado, as vendas na internet surgiram como alternativa, o que pode, no entanto, acarretar diversos riscos.

Para lá dos perigos habituais de comprar online, os portugueses enfrentam agora fraudes específicas, montadas para tirar proveito da fragilidade coletiva do momento. A maioria está relacionada com esquemas fraudulentos através de SMS, roubos de identidade e dados pessoais, lojas online fictícias, phishing e outros tipos de cibercrimes.

Não desvalorizando a necessidade de estar sempre atento e navegar na internet com cuidado permanente, destacamos as cinco burlas mais frequentes nestes tempos marcados pela pandemia de COVID-19, para que possa ter atenção redobrada.

fazer compras online
1

Burlas através do MB Way

As queixas por fraude com o MB Way aumentaram 391% face ao mesmo período do ano passado, confirma o Portal da Queixa. E não é por acaso: sem poderem sair de casa, os portugueses aderem em força aos pagamentos à distância, para os quais a aplicação da SIBS é ideal. O problema é que nem todos os utilizadores estão à vontade com o funcionamento do sistema, transformando-se em presas fáceis para os criminosos.

Como funcionam

O criminoso promete vender um produto ou um serviço à vítima e exige que o pagamento seja feito pelo MB Way. Para isso, passa-lhe um conjunto de instruções, que incluem uma ida ao multibanco e a associação de um número de telefone no menu do MB Way. Ao cumprir estes passos, a vítima associa o número do burlão à própria conta bancária, autorizando-o a fazer levantamentos em qualquer caixa multibanco do país.

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2

SMS e e-mails fraudulentos em nome dos CTT

O crescimento das compras online durante o período de quarentena fez aumentar o fluxo de entregas dos correios, que fazem circular encomendas um pouco por todo o país. Também aqui há espaço para fraudes que envolvem falsas entregas e processos alfandegários.

Como funcionam

A vítima recebe um SMS ou um e-mail em nome dos CTT a informar que tem uma encomenda retida na alfândega (geralmente um telefone que terá ganho num concurso). A mensagem encaminha a vítima para um endereço da internet onde, alegadamente, deve pagar uma pequena taxa para desalfandegar o prémio. Esse endereço, na verdade, remete para um site de “phishing” que rouba os dados pessoais e bancários inseridos pelo utilizador.

3

SMS e e-mails fraudulentos em nome da MEO e da EDP

Ninguém quer ficar fechado em casa sem internet ou sem energia – muito menos quando os serviços estão todos fechados e não há forma de resolver burocracias. As redes de cibercrime aproveitam este medo para enganar os consumidores.

Como funcionam

A vítima recebe um SMS ou um e-mail a informar que tem dívidas pendentes com o fornecedor de energia ou telecomunicações e que, se não pagar essa dívida nas próximas horas, verá o serviço cortado. Incapaz de confirmar a veracidade da mensagem (porque quase sempre é propositadamente enviada a horas tardias em que o atendimento telefónico das operadoras não está disponível), a vítima acaba por pagar ao criminoso.

4

Passatempos fraudulentos em nome da Worten e do Continente

A história do prémio que ganhou num concurso em que não se lembra de ter participado é velha, mas ganhou muita força nas últimas semanas. As empresas visadas esforçam-se por desmascarar estes esquemas, mas o Portal da Queixa garante que continua a receber denúncias com frequência.

Como funcionam

A vítima recebe um SMS a dizer que venceu um passatempo da Worten ou do Continente. A mensagem pede que a vítima preencha um formulário para poder levantar o prémio, mas esse formulário não só serve para roubar dados pessoais e bancários como, muitas vezes, leva à subscrição inadvertida de serviços de mensagem pagos que só são notados quando chega a fatura mensal ou quando lhe é debitado um valor do saldo de telecomunicações.

5

Burlas na venda de <strong>equipamentos de proteção individual contra a COVID-19</strong>

A falta de equipamentos de proteção individual nas farmácias leva muitos portugueses a comprar pela internet. O aumento da procura, no entanto, também levou à criação de lojas online falsas.

Como funcionam

A página promete a entrega de máscaras, gel desinfetante e outros produtos e equipamentos de proteção adequados à prevenção da COVID-19. Os produtos, no entanto, não existem: a vítima paga mas não recebe nada em casa, ou recebe produtos que não cumprem as normas de segurança.

Como se Proteger das Burlas em tempo de cOVID-19

Nem sempre é fácil detetar um esquema fraudulento à primeira, mas há cuidados que pode ter que fazem toda a diferença. Esteja atento a tudo o que faz online e, sobretudo, tome todas as precauções antes de preencher formulários online.

Confirme os endereços das páginas e dos e-mails

Tenha sempre atenção ao endereço das páginas que visita. Se desconfiar, procure a loja verdadeira no Google e compare o endereço desta com o da página para onde foi encaminhado. O mesmo para os e-mails: se o que está depois do símbolo “@” não for o domínio oficial da empresa, muito provavelmente a mensagem é falsa.

Confirme a segurança dos certificados

Todas as páginas com formulários seguros são certificadas. Essa certificação é visível pelo pequeno cadeado que aparece do lado esquerdo do endereço. Se não vê o cadeado, não insira dados pessoais, palavras-chave ou dados bancários em lado nenhum.

Preste atenção ao texto

Raramente os burlões são bons com a língua portuguesa. Se recebeu uma mensagem com erros de gramática ou com frases estranhas, é altamente provável que ela seja fraudulenta.

Procure evidências físicas

Desconfie sempre de lojas online que não têm morada física. Onde está a sede? E o armazém? Se não encontra evidências de que o negócio existe no “mundo real”, não acredite que ele exista no mundo virtual.

Importante é, sobretudo, manter a cautela. Na internet há gente bem e mal intencionada, e a sua proteção começa por si.

Para descomplicar a informação

As informações sobre os temas que envolvem o impacto social do novo Coronavírus são dinâmicas e constantemente atualizadas. Por isso, os conteúdos publicados nesta secção não devem substituir a consulta com profissionais e especialistas, tanto da saúde como do direito e temas afins. Neste projeto, contamos com a parceria da Fidelidade e da Multicare. Saiba mais sobre a parceria.

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