Miguel Pinto
Miguel Pinto
24 Mai, 2019 - 11:01
Do Bussaco à Curia. E uma óbvia paragem para o leitão

Do Bussaco à Curia. E uma óbvia paragem para o leitão

Miguel Pinto

Fomos do Bussaco à Curia e deixamos aqui sugestões sobre o que ver e onde ficar. Quanto ao que comer, estando na Mealhada, a escolha é natural.

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O relógio no hall do Curia Palace Hotel está parado nas 8h00. Ou será nas 20h00? Está certo duas vezes ao dia e talvez pouco importe para a verdadeira viagem ao passado que constitui uma estadia neste alojamento, onde os traços de um passado glorioso espreitam em cada recanto, ao mesmo tempos que a modernidade vai irrompendo em alguns pormenores incontornáveis. Mas já lá vamos. Agora vamos do Bussaco à Curia.

Do Bussaco à Curia: património, história e natureza

Do Bussaco à Curia

Quem sai do Porto atulhado de turistas e rola pela A1 rumo à zona da Mealhada, sente que está a sair da grande cidade assim que começa a ser envolvido pelo esfuziante verde que (ainda) vai dominando a zona do Bussaco. Quando se começa a subir a serra, os pulmões enchem-se de ar puro, o olfacto experimenta cheiros até então desconhecidos, a vista deslumbra-se com árvores impossíveis de agarrar num só abraço.

Quando já se está quase em estado zen, chega-se à primeira portagem. Sim, é verdade, para seguir pela Mata Nacional do Bussaco tem que pagar cinco euros, se for de carro. Se for mais aventureiro e atlético, pode ir a pé ou de bicicleta e aí não lhe cobram nada.

Um quilómetro mais à frente, abre-se a boca de espanto pela primeira vez. O Hotel Palace do Bussaco (o da Curia já lá vamos…) é uma verdadeira obra de arte e a sua imponência só podia mesmo sair da cabeça de um artista italiano, Luigi Manini. Em estilo manuelino, tem imensas referências aos Descobrimentos e painéis de azulejos absolutamente deslumbrantes. Claro que não e fácil de visitar, até porque está regra geral lotado, mas ainda assim os jardins em redor e o próprio edifício proporcionam imagens fantásticas. E há muito a ver nas redondezas.

Mata Nacional

Na Mata Nacional do Bussaco, há uma série de espaços que merecem uma visita demorada e, porque não, umas sessões de fotografia. O Vale dos Abetos, o Lago Grande, a majestosa Fonte Fria ou o Jardim Novo são alguns dos locais que não deve perder. Depois há ainda uma série de atividades, como percursos pedestres, que podem ser percorridos ou livremente ou sob marcação. Até pode ir do Bussaco à Curia.

Museu Militar do Bussaco

No Museu Militar do Bussaco passa-se em revista uma parte importante da nossa história, designadamente a que está directamente ligada às invasões francesas, em finais do século XVIII, inícios do século XIX. Inaugurado em 1910, está bem próximo do monumento aos combatentes da Guerra Peninsular e marca o momento em que as forças anglo-lusas deram uma tareia aos homens de Napoleão Bonaparte. O museu conta com coleções valiosas, como uma imperdível parada de soldadinhos de chumbo.

Luso

A freguesia do Luso está no Bussaco? Ou o Bussaco está no Luso? Seja como for, tirando as termas e a fonte de água sempre fresca (essa mesmo, a Água do Luso), pouco mais há a oferecer. Pode aproveitar para encher alguns garrafões de água na Fonte de S. João, que fazem mesmo muito jeito em dias de calor.

Depois de voltar a descer a mata, eis-nos a rolar em direcção à Curia, que é logo ali à frente. Um estrada pontuada por frondosas árvores dá as boas-vindas a uma estância termal que já foi uma das mais concorridas do país. Aliás, o parque das termas ainda ali está a lembrar tempos de antanho e que, aos poucos, se vai tentando recuperar.

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Do Bussaco à Curia: regresso ao passado

Do Bussaco à Curia

Estamos de volta do Bussaco à Curia, mais propriamente ao Palace Hotel, um complexo desmesurado, hoje em dia um projecto absolutamente megalómano. Mas na altura era assim que se faziam as coisas e a unidade era praticamente auto-suficiente.

O edifício principal está todo recuperado. Se os quartos respondem a todas exigências de conforto e modernidade, as áreas comuns respiram antiguidade e requinte, permitindo perceber como era nos seu momentos de glória. A central telefónica, a piscina de dimensões olímpicas algo decrépita, o campo de ténis ou o fantástico restaurante permitem adivinhar outros tempos e clientelas.

As termas tiveram o seu tempo áureo entre 1920 e 1950, grosso modo. Com o declínio desta actividade, também a atractividade da terra se foi perdendo, começando agora a tentar encontrar-se novos caminhos. Além das tradicionais termas, há os modernos spa e pode sempre visitar o Curia Park. Nas redondezas pode ainda visitar espaços como as Caves do Solar de São Domingos, a Barragem de Santa Luzia ou a Quinta do Encontro (com excelentes vinhos).

Onde Comer

Quando a fome aperta, não há muito que pensar nesta região. Sim, é isso que está a pensar, o famoso leitão à Bairrada. Os restaurantes sucedem-se e a dificuldade é escolher. A maior parte deles reclama ser o “verdadeiro”, o “único”, o “melhor” leitão da região. A verdade é que esta é uma iguaria que quase sempre sabe bem, independentemente do espaço escolhido.

Fomos ao Pedro dos Leitões. Como podíamos ter ido à Meta, à Metinha, ao Nelson ou ao Rei. O importante é que a confecção do bacorinho esteja como manda a tradição, mesmo havendo sítios fora da Bairrada onde se come um belo leitão. E essa tradição faz-se acompanhar, claro está, por um dos excelentes espumantes da Bairrada e a batata frita na hora. O colesterol ressente-se, mas o palato agradece.

Do Bussaco à Curia

Onde ficar

Os Curia Palace Hotel ou o Palace Bussaco Hotel são duas excelentes opções. Quem desejar algo mais barato, pode optar pela Quinta dos Três Pinheiros, o Alegre Hotel ou o Vinil M Hotel.

Como ir

Quem circula pela A1, apanha a saída da Mealhada e logo aparecem várias placas a indicarem o Bussaco e a Curia. E mal se sai da portagem aparece o primeiro restaurante de leitão.

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