Teresa Campos
Teresa Campos
21 Nov, 2023 - 11:56

Cancro da mama: prevenção, sintomas e combate

Teresa Campos

O cancro de mama é a segunda causa de morte por cancro nas mulheres. Fique a saber mais sobre esta patologia e não facilite.

Cancro da mama

O cancro da mama é o tumor maligno mais comum nas mulheres. Segundo a Liga Portuguesa Contra o Cancro (LPCC), em Portugal, surgem 6000 novos casos de cancro da mama por ano, o que corresponde a 11 novos casos por dia. A cada dia que passa, morrem quatro mulheres vítimas desta doença.

Importa, ainda, referir que, em cada 100 casos de cancro na mama, 1 desenvolve-se no homem. Apesar da estatística estar a favor do público masculino, é fundamental ter noção de que o cancro de mama masculino também existe e é uma realidade.

Cancro de mama: sintomas e tratamentos

palpação para despistar cancro da mama
A palpação da mama é um dos exames que pode salvar vidas

FATORES DE RISCO DO CANCRO DA MAMA

Idade: À medida que se envelhece, o risco de surgimento de cancro da mama aumenta. Daí que a apalpação, os rastreios e os exames de rotina sejam tão importantes.

Excesso de peso: A obesidade aumenta o risco de cancro da mama quer nas mulheres (sobretudo na menopausa), quer nos homens.

Álcool: O consumo regular e em excesso de bebidas alcoólicas é também um dos fatores de risco associado a este cancro.

Histórico familiar e alterações genéticas: Quem possui um familiar direto que tem ou já teve cancro de mama, vê duplicado o risco de desenvolver cancro de mama.

Alterações mamárias: Mulheres com células mamárias anormais (quando analisadas ao microscópio) têm mais riscos de ter a doença.

Menstruação precoce e menopausa tardia: Uma primeira menstruação antes dos 12 anos, assim como uma menopausa tardia são fatores que aumentam o risco de desenvolver cancro de mama.

Sedentarismo: A falta de exercício físico faz com que o risco de ter cancro de mama aumente. Até porque o sedentarismo agrava o aumento de peso e a obesidade e, com isso, potencia o aparecimento da doença.

Terapêutica hormonal de substituição: O risco associado à terapêutica hormonal de substituição não é consensual. Há médicos que desaconselham a toma de comprimidos para substituir hormonas, após a menopausa, pois consideram que daí pode advir um maior risco de desenvolver a doença.

Raça: o cancro de mama ocorre mais frequentemente em mulheres caucasianas (brancas), comparativamente com mulheres latinas, asiáticas ou afro-americanas.

Radioterapia no peito: mulheres que tenham feito radioterapia na zona do peito, antes dos 30 anos, apresentam um risco aumentado de vir a ter cancro de mama. O mesmo sucede com mulheres com linfoma de Hodgkin que tenham sido sujeitas a radiação.

Densidade da mama: mulheres mais velhas que apresentam, essencialmente, tecido denso (não gordo) numa mamografia.

SINTOMAS

Estes são os sintomas mais comuns do cancro da mama:

  • alterações no aspeto e no apalpar da mama ou do mamilo;
  • aparecimento de nódulo ou espessamento na mama ou na zona da axila;
  • sensibilidade no mamilo;
  • alteração da forma ou do tamanho da mama;
  • retração do mamilo;
  • dor;
  • aspeto escamoso, vermelho ou inchado da pele da mama;
  • mamilo com saliências ou reentrâncias, de modo a parecer casca de laranja;
  • secreção ou perda de líquido pelo mamilo.

DIAGNÓSTICO

Em caso de suspeita de cancro da mama, há uma série de exames e procedimentos a seguir para confirmar  diagnóstico e, também, para definir quais os métodos de tratamentos mais indicados. Fique a par de alguns:

  • biópsia mamária: colheita de uma pequena amostra da glândula mamária na zona suspeita (por vezes, também pode ser recolhido um gânglio da axila).
  • ressonância magnética;
  • ecografia;
  • radiografia;
  • cintigrafia óssea;
  • tomografia computorizada (TAC).

TRATAMENTO

O tratamento do cancro da mama pode variar, de acordo com o tipo de cancro em causa e as caraterísticas do doente em questão. Existem dois grandes grupos de tratamentos.

  • Tratamentos locais: destroem e removem as células cancerígenas. Exemplo: cirurgia e radioterapia.
  • Terapêutica hormonal e terapêuticas dirigidas: administradas no sangue, elas controlam e eliminam o cancro de todo o corpo. Exemplo: quimioterapia e hormonoterapia.
  • Terapêutica sistémica: reduz o tamanho do cancro, facilitando a intervenção cirúrgica e a radioterapia. Esta é uma opção sobretudo para os cancros já metastizados (ramificados).

Atualmente, com um diagnóstico precoce e o tratamento certo, o cancro da mama é reversível na grande maioria dos doentes.

tratamento cancro
Se diagnosticado cedo, o cancro da mama pode ser combatido com sucesso

Mitos e prevenção

MITOS

Já avançámos neste artigo alguns dos fatores de risco para o desenvolvimento de cancro de mama. Porém, há ainda muitos mitos acerca do surgimento desta doença, que importa derrubar. Aqui ficam alguns:

  • usar desodorizante/ antitranspirante;
  • usar soutien com aros;
  • levar uma pancada na mama;
  • beber água quente de uma garrafa de plástico;
  • pintar o cabelo ou lavá-lo com champô;
  • viver sob stress.

PREVENÇÃO

Embora sejam vários os fatores que podem contribuir para o aparecimento do cancro de mama, é certo que ter hábitos de vida saudáveis é algo essencial para reduzir o risco de vir a padecer desta ou doutras patologias. Por isso:

  • aça uma alimentação saudável, rica em fruta e legumes;
  • evite o excesso de gordura e o excesso de peso;
  • pratique exercício físico;
  • não fume, nem beba;
  • amamente durante o maior período de tempo possível;
  • esteja atento ao seu corpo e aos sinais que ele lhe dá.
Não perca Cancro da mama no homem. Sintomas e fatores de risco

Autoexame da mama

A palpação da mama deve ser um gesto de rotina para todas as mulheres, pois pode ser o primeiro passo para detetar algum problema, seja cancerígeno ou não. O autoexame deve ser feito uma vez por mês, todos os meses, após o período menstrual.

Como fazer?

De pé, em frente ao espelho, examine o peito em três posições diferentes:

  1. com os braços esticados, junto ao corpo;
  2. com os braços levantados acima da cabeça;
  3. com as mãos nas ancas.

Deitada, apoiada numa almofada:

  1. deite-se e coloque uma almofada por baixo das costas, do lado direito.
  2. de seguida, coloque o braço direito atrás da cabeça e palpe a mama com suaves movimentos (em pequenos círculos), com a ponta dos dedos da mão esquerda (sem usar as unhas).
  3. percorra toda a mama, desde a zona axilar até à linha do sutiã.
  4. procure por nódulos ou outras alterações. Repita estes passos para a mama esquerda.

No duche

  1. palpe o peito com movimentos circulares, de fora para o centro, verificando toda a área da mama e zona axilar.
  2. examine ambos os seios.

A Liga Portuguesa Contra o Cancro promove, ainda, programas de rastreio do cancro de mama um pouco por todo o país. Fique a saber a localização de algumas unidades de rastreio ou, em caso de diagnóstico positivo, contacte a linha cancro 808 255 255. E saiba que não está sozinho nesta batalha!

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