David Afonso
David Afonso
13 Jun, 2023 - 11:16

China já é o maior exportador de automóveis do mundo

David Afonso
China é o maior exportador de automóveis do mundo

O título não engana. A China é o maior exportador de automóveis do mundo, ultrapassando o Japão e emergindo agora como o maior player deste segmento automóvel.

Nas últimas décadas, a indústria automóvel chinesa registou um crescimento constante, ultrapassando os concorrentes tradicionais (Alemanha e Japão, principalmente), conquistando assim uma posição dominante no mercado global.

Como a China alcançou este sucesso? Que fatores contribuem para a sua posição de liderança?

Neste artigo, exploramos em pormenor a ascensão da China como principal exportador de automóveis e examinar os fatores que impulsionaram este crescimento.

Como a China se tornou o maior exportador de automóveis do mundo?

Especificamente, a China exportou 1,07 milhões de veículos nos primeiros três meses de 2023, um aumento de 58% em comparação com o mesmo período de 2022. Entretanto, o Japão distribuiu 954 185 unidades no primeiro trimestre de 2023.

A eletrificação funciona a seu favor. A elevada procura de automóveis híbridos plug-in e elétricos, principalmente na Europa, permitiu a chegada de diferentes marcas chinesas ao velho continente, com grande aceitação entre o público.

A sua liderança no sector da mobilidade com emissões zero foi confirmada num relatório da Agência Internacional da Energia, que revela que a China venderá 60% de todos os automóveis elétricos do mundo até 2022. Esta percentagem tende a aumentar.

Além disso, o seu potencial tecnológico permitiu-lhe posicionar-se como líder mundial das baterias para automóveis elétricos. A quota de mercado da CATL passou de 32% em 2021 para 34% em 2022, sendo responsável por um terço das baterias utilizadas no mundo.

Fatores que contribuem para o sucesso da China

O sucesso da China como maior exportador de automóveis pode ser atribuído a vários fatores-chave.

1

Incentivos estatais

Em primeiro lugar, o governo chinês implementou políticas de apoio, incluindo incentivos fiscais e subsídios, para promover o crescimento da indústria automóvel.

Estas políticas encorajaram o investimento em investigação e desenvolvimento, bem como a produção de veículos elétricos e outras tecnologias emergentes.

2

Infraestruturas e mão de obra

Em segundo lugar, as vastas capacidades de fabrico e as infraestruturas da China desempenharam um papel crucial no seu domínio das exportações.

O país possui uma cadeia de abastecimento bem estabelecida, uma mão de obra qualificada e instalações de produção avançadas, o que lhe permite produzir veículos a um custo competitivo. Isto tornou os automóveis chineses atrativos para os consumidores nacionais e internacionais.

3

Mercado local

Por último, o crescimento da classe média chinesa e o aumento do poder de compra dos consumidores impulsionaram a procura de automóveis. Uma vez que cada vez mais consumidores chineses aspiram a ter automóveis, os fabricantes de automóveis nacionais aproveitaram esta oportunidade para oferecer uma vasta gama de veículos económicos e repletos de funcionalidades.

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Economia global

A situação económica gerada pelo conflito entre a Ucrânia e a Rússia, e a saída de muitos fabricantes de automóveis deste último país, aumentou a procura de veículos da China. Isto deve-se a estes estarem entre os poucos dispostos a desempenhar este papel.

A presença de marcas internacionais na China, onde agora têm fábricas ou parcerias com marcas locais para produzir veículos, tem sido um fator determinante para o aumento exponencial das exportações. A partir daí, há uma participação global.

carros elétricos a carregar na China
O mercado automóvel chinês tem vindo a assistir a um crescimento exponencial

Marcas de automóveis chinesas

Com efeito, além do contexto e dos fatores que afirmam a China como o maior exportador de automóveis do mundo, é preciso também referir que carros das fábricas chinesas circulam nas estradas mundiais.

Curiosamente, o maior exportador de veículos de energia alternativa do gigante asiático foi a divisão chinesa da Tesla, com 90 000 automóveis, de acordo com os meios de comunicação social locais. Atrás dela estão a SAIC Motor, com 50 000 automóveis, e a BYD, com 30 000 veículos.

A Gigafactory da Tesla em Xangai, inaugurada em 2019 com uma capacidade de produção de cerca de 250 000 veículos por ano, produz atualmente 1,25 milhões de automóveis anuais e, de acordo com alguns meios de comunicação social, solicitou autorização para aumentar a produção para 1,75 milhões de automóveis.

Convém ainda referir que as marcas de automóveis chinesas sofreram uma transformação significativa nos últimos anos. Anteriormente associadas à baixa qualidade e à imitação, as marcas chinesas fizeram progressos notáveis em termos de design, desempenho e fiabilidade.

Esta melhoria da qualidade e da tecnologia ajudou as marcas de automóveis chinesas a ganhar aceitação nos mercados nacional e internacional. Os fabricantes de automóveis chineses estão agora a competir frente a frente com marcas globais estabelecidas, desafiando o seu domínio em determinados segmentos.

Vai a China manter o título?

Em suma, a indústria automóvel da China registou um crescimento notável, levando o país a tornar-se o maior exportador mundial de automóveis.

Através de uma combinação de políticas governamentais de apoio, capacidades de produção e uma classe média em expansão, assim como o contexto económico mundial, a China estabeleceu-se como uma força dominante no mercado automóvel global.

O impacto da indústria automóvel chinesa não pode ser ignorado, uma vez que remodela as cadeias de abastecimento, impulsiona a inovação e desafia os intervenientes estabelecidos.

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