Miguel Pinto
Miguel Pinto
24 Ago, 2026 - 11:00

Colocado na faculdade? Estes são os próximos passos a que deve estar atento

Miguel Pinto

Se foi colocado numa faculdade, saiba que há uma série de situações que deve começar a tratar, desde burocracias, até ao alojamento.

alunos da faculdade

A notícia chegou por e-mail ou foi confirmada no site da Direção-Geral do Ensino Superior (DGES), mas o que interessa é que o nome apareceu na lista de colocados e entrou na faculdade.

Depois da alegria inicial, surge quase sempre a mesma pergunta: e agora, o que é preciso fazer? Por isso, reunimos de forma organizada, tudo o que um estudante colocado no ensino superior português precisa de tratar nas semanas seguintes à colocação, da matrícula às bolsas, passando pelo alojamento e pela vida académica que se inicia. E é preciso não esquecer que ainda há uma nova fase de candidaturas à faculdade.

Faculdade: o início de um novo desafio

Depois da confirmação da colocação, existe um conjunto de tarefas que costuma exigir atenção nas semanas seguintes, e que convém organizar por ordem de prioridade.

1. Confirmar a matrícula e a inscrição dentro do prazo

O primeiro passo, e o mais urgente, é garantir a vaga na faculdade através da matrícula e inscrição na instituição de ensino superior. Este prazo é curto e não costuma ultrapassar poucos dias úteis a contar da divulgação dos resultados.

A título de exemplo, no calendário do Concurso Nacional de Acesso de 2026, os estudantes colocados na 1.ª fase tiveram um prazo de apenas quatro dias para se matricular e inscrever, entre 24 e 27 de agosto, depois de os resultados terem sido conhecidos a 23 de agosto.

Este intervalo reduzido tende a repetir-se em anos seguintes, pelo que vale a pena tratar do assunto assim que a colocação é confirmada, sem deixar para o último dia. E há alguns aspetos importantes a ter em conta.

  • Documentos – cada instituição define a lista exata de documentos exigidos (normalmente cartão de cidadão, certificado de habilitações, ficha ENES e fotografia), pelo que convém consultar a página da faculdade ou politécnico com antecedência.
  • Horários por curso ou letra – muitas instituições organizam a matrícula por dias ou horários consoante o curso ou a ordem alfabética do apelido, apenas para evitar aglomerações. Ainda assim, é geralmente possível confirmar a matrícula fora do horário atribuído, devendo essa possibilidade ser confirmada junto dos serviços académicos.
  • Regras especiais para os arquipélagos – os candidatos residentes nos Açores ou na Madeira colocados no continente (ou vice-versa) podem beneficiar de um prazo especial, desde que entreguem, dentro do prazo normal, uma declaração de intenção de matrícula no gabinete de acesso ao ensino superior da respetiva região autónoma.

Não fazer a matrícula dentro do prazo equivale, na prática, a desistir da vaga, que fica disponível para outros candidatos nas fases seguintes.

2. Perceber se compensa concorrer à 2ª fase

congelar matrícula no ensino superior

Ficar colocado na 1.ª fase não obriga a aceitar essa colocação de forma definitiva. Quem não ficou satisfeito com o curso ou a instituição pode voltar a concorrer na 2ª fase do concurso nacional de acesso, tal como podem fazê-lo os candidatos que não ficaram colocados, os que só reúnem condições de candidatura nesta fase, ou aqueles que, apesar de colocados, não chegaram a fazer a matrícula.

Há, no entanto, uma regra decisiva a considerar antes de avançar. Se o candidato voltar a ficar colocado na .ª fase, a colocação e a matrícula da 1ª fase são automaticamente anuladas.

Não é permitido escolher entre as duas opções. Prevalece sempre a colocação mais recente. Valores já pagos de propinas costumam ser transferidos para a nova instituição, ainda que o mesmo nem sempre aconteça com o valor da matrícula ou da inscrição.

Como se organizam as vagas disponíveis para a 2ª fase?

  • As vagas sobrantes da 1.ª fase, já conhecidas publicamente;
  • As vagas de colocados na 1.ª fase que não chegaram a fazer a matrícula;
  • As vagas libertadas por recolocações de estudantes já colocados anteriormente;
  • As vagas resultantes de retificações às colocações da 1.ª fase.

Estas duas últimas categorias só são conhecidas depois de fecharem as candidaturas, o que explica porque é que mesmo cursos sem vagas aparentes na 1.ª fase podem, ainda assim, abrir uma vaga na 2.ª fase.

Quem pondera esta hipótese deve ainda confirmar os prazos atualizados junto da DGES antes de decidir, já que o calendário de cada ano letivo pode sofrer alterações por despacho ministerial.

3. Candidatar-se a bolsa de estudo, se for elegível

Garantida a matrícula, segue-se um dos passos com maior impacto financeiro: a candidatura à bolsa de ação social escolar.

O sistema sofreu alterações relevantes a partir do ano letivo de 2026/2027, com um novo modelo de cálculo que passa a considerar não só o rendimento do agregado familiar, mas também o custo real de estudar no concelho onde o curso é frequentado:

  • Prazo geral – as candidaturas decorrem, em regra, entre meados de agosto e o início de outubro, através da plataforma BeOn.
  • Prazo alternativo após a matrícula – quem se inscreve na instituição antes do fim do prazo geral dispõe sempre de 20 dias úteis a contar da inscrição para submeter o requerimento, mesmo que esse período ultrapasse a data-limite habitual.
  • Bolsa de Incentivo – foi criado um novo apoio fixo destinado a estudantes que ingressam pela primeira vez no ensino superior e cujo agregado familiar pertence ao escalão mais baixo do abono de família.
  • Estudantes deslocados – as regras de apoio ao alojamento foram reforçadas, com prioridade de acesso às residências para bolseiros, mas sem perda do apoio para quem opta por alojamento privado.

Mesmo quem tem dúvidas sobre a elegibilidade deve submeter a candidatura, uma vez que a análise é feita caso a caso pelos serviços de ação social da instituição.

aluna da faculdade a ir para as aulas

4. Tratar do alojamento, se for estudante deslocado

Para quem vai estudar longe de casa, o alojamento costuma ser a preocupação seguinte, e não deve ser deixado para a última hora, sobretudo nas cidades universitárias com maior procura, como Lisboa, Porto ou Coimbra:

  • Residências dos serviços de ação social das próprias instituições, geralmente mais económicas e com prioridade para estudantes bolseiros;
  • Residências privadas para estudantes, com vagas próprias e calendários de reserva independentes do calendário académico;
  • Arrendamento de quarto ou apartamento no mercado privado, com contrato e recibos de renda eletrónicos, documentos que podem também ser exigidos para efeitos de apoio ao alojamento.

Vale a pena começar esta pesquisa assim que a colocação é conhecida, comparando preços, distância à instituição e condições de acesso a transportes públicos.

alojamento no ensino superior
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5. Reunir a documentação para o início das aulas

Além dos documentos exigidos na matrícula, há outras formalidades que costumam surgir nas primeiras semanas de curso:

  • Cartão de estudante, necessário para aceder a serviços da instituição, biblioteca e eventuais descontos;
  • Seguro escolar, que cobre acidentes ocorridos em atividades letivas e extracurriculares;
  • Inscrição em unidades curriculares, feita através da plataforma académica da instituição, com regras próprias sobre limites de créditos e horários;
  • Atualização de morada fiscal e de dados na Segurança Social, especialmente relevante para quem passa a residir fora de casa dos pais ou encarregados de educação.

6. Vida académica e as associações de estudantes

Para além da vertente burocrática, entrar na faculdade é também o início de uma nova fase de vida social e académica.

As associações de estudantes costumam organizar semanas de receção aos novos alunos (praxes académicas incluídas, em instituições onde essa tradição existe), sessões de acolhimento e apresentação de cursos, e são normalmente a melhor fonte de informação sobre associativismo, desporto universitário e atividades extracurriculares.

Participar nestas iniciativas, ainda que de forma moderada, ajuda a criar uma rede de contactos que costuma ser útil ao longo de todo o percurso académico.

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