Olga Teixeira
Olga Teixeira
16 Mar, 2022 - 09:22

Como renegociar seguros: dicas para poupar sem perder proteção

Olga Teixeira

Saiba como renegociar os seus seguros e poupe nos seguros de vida e da casa. Veja como economizar sem correr riscos.

Como renegociar seguros

Renegociar seguros é uma forma de conseguir poupar algum dinheiro, mas é importante perceber o que está a negociar. O segredo é conseguir economizar, mas sem que isso signifique correr mais riscos.

Os seguros de vida e da casa são dos que mais pesam no orçamento familiar e, por isso, qualquer poupança nesta despesa é importante. Renegociar os seguros pode representar uma redução significativa dos seus gastos mensais ou anuais.

Seja pelo conforto de manter a mesma seguradora/mediador, seja por receio de mudar o seguro de vida do crédito habitação e ter um agravamento no spread, a verdade é que muitas vezes mantemos os mesmos seguros durante anos.

No entanto, é sempre boa ideia tentar renegociar os seus seguros e ver onde pode poupar.

Como renegociar seguros: por onde começar

Para poder renegociar os seus seguros e ter a certeza que vai mesmo poupar, é importante saber que seguro tem. Isto é, quais são as coberturas que possui. Só assim pode comparar propostas e preços de uma forma mais eficaz.

Antes de renegociar é importante ter em conta que um seguro mais barato pode significar ter menos coberturas. E se há casos em que isso pode não fazer muita diferença, já que são coberturas a que dificilmente vai recorrer, noutros é importante garantir que o barato não lhe vai sair caro.

Assim, é importante ler com atenção as condições da apólice e depois procurar, para as mesmas coberturas (ou semelhantes) um preço mais baixo.

Mudar de seguradora? Nem sempre

Renegociar seguros pode significar procurar outra seguradora com preços mais baixos, mas também manter-se na mesma seguradora, mas com outras condições.

Por exemplo, há empresas que fazem um desconto se tratar de todo o processo online ou se optar pelo débito direto. Noutros casos, pode poupar se pagar o seguro anualmente, em vez de pagar por mensalidades.

Se tem vários seguros em várias seguradoras, pondere juntar todos na mesma. É um bom argumento para renegociar seguros e conseguir um bom desconto.

A dica, seja qual for o seguro em questão, é tentar perceber como pode ficar a pagar menos. E, para saber, a melhor forma é perguntar.

O QUE FAZER PARA RENEGOCIAR OS SEUS SEGUROS

Há sempre margem para renegociar seguros de saúde, da casa e seguros de vida. Embora sejam extremamente importantes, não é necessário gastar mais do que o necessário para garantir proteção nestas situações.

Seguro da casa
Veja também Seguro da casa: como escolher o mais adequado para si

Renegociar seguro de saúde

Este é um passo que pode dar todos os anos, já que a duração destes contratos é anual.

Leu a apólice e percebeu que está a pagar por coberturas desnecessárias? Está na altura de renegociar este seguro para que se adapte às suas necessidades (e não o contrário).

Se não está a pensar ter filhos pode, por exemplo, abdicar da cobertura de gravidez e parto. Caso mude de ideias, tem sempre a opção de escolher uma solução que abranja essa possibilidade.

Reavalie as coberturas relacionadas com estomatologia, porque pode não compensar pagar mais para ter essa opção disponível.

O mesmo se aplica, por exemplo, à hospitalização no estrangeiro. Se comprar a viagem com o seu cartão de crédito, é bastante provável que tenha um seguro de viagem que cubra acidentes e doença fora do país. E, nesse caso, não vale a pena estar a pagar duas vezes a mesma coisa.

Outra forma de renegociar seguros de saúde e poupar dinheiro é tentar juntar, no mesmo seguro de saúde, todos os elementos do agregado familiar. Peça uma simulação e perceba se esta opção permite poupar algum dinheiro.

Renegociar seguro de vida

É um seguro muitas vezes associado ao crédito habitação, embora não seja obrigatório. Ou seja, embora possa não ser fácil, é possível pedir um empréstimo para comprar casa sem fazer seguro de vida.

Além disso, os clientes não são obrigados a aceitar a seguradora que é sugerida pelo banco. A instituição financeira também não pode usar o seguro de vida que propõe como condição para a aprovação do crédito ou para manter o spread.

Assim, é sempre possível renegociar este seguro e transferi-lo para outra empresa. No entanto, é importante fazer as contas e perceber se compensa.

Ao avaliar as suas coberturas do seguro de vida tenha atenção a estas siglas: IAD e ITP. A cobertura por Invalidez Absoluta e Definitiva (IAD) tem um preço mais baixo, mas só a pode acionar se a incapacidade for superior a 80%. Na cobertura por Invalidez Total e Permanente (ITP) o seguro pode ser acionado se de uma doença ou acidente resultar uma incapacidade de 66,6%. E, nessa situação, o empréstimo fica saldado.

Se a sua empresa lhe oferece um seguro de vida, então, procure associá-lo ao crédito habitação. Mesmo que a cobertura seja inferior, pode tentar fazê-lo e pagar o valor excedente.

Transferir seguro de vida do crédito habitação
Veja também Como e quando transferir o seguro de vida do crédito habitação

Renegociar o seguro da casa

O seguro de incêndio é obrigatório para quem é proprietário de um apartamento e, por isso, tem coberturas obrigatórias de que não pode abdicar.

Neste tipo de seguro pode escolher duas modalidades: Incêndio e Elementos da Natureza ou ter esta opção incluída num seguro multirriscos. Assim, pode tentar comparar as duas opções e renegociar o seguro de forma a ter apenas um, mas mais abrangente.

Cuidados a ter ao renegociar o seguro multirrisco

No caso do seguro multirrisco, o cálculo do prémio é feito de acordo com o valor da reconstrução. Ou seja, quanto custaria reconstruir a casa se esta fosse destruída. O montante é determinado pela seguradora e deve corresponder ao custo de mercado da respetiva reconstrução, tendo em conta o tipo de construção ou outros fatores que possam influenciar esse custo.

A APS – Associação Portuguesa de Seguradores tem um simulador para poder calcular esse valor e, assim, perceber se o seguro que tem é o mais indicado.

Deve, no entanto, ter em atenção que o valor que consta da apólice  é o valor mínimo de reconstrução. Caso exista perda total do imóvel, este montante pode não ser suficiente para a reconstrução. Quando o capital seguro é inferior ao custo da reconstrução aplica-se a regra proporcional. Isto é, o segurador só paga a parte
dos prejuízos proporcional à relação entre o custo de reconstrução à data do sinistro e o capital seguro.

Além disso, as assembleias de condóminos podem determinar que o seguro seja feito por um montante superior ao do valor de reconstrução, pelo que, antes de renegociar o seu seguro, deve informar-se sobre estas situações.

A regra proporcional também é usada nos seguros de recheio da casa. Se fizer um seguro por um valor menor, em caso de perda a indemnização é também menor.

Assim, ao renegociar os seguros da casa, é importante perceber se uma aparente poupança não será prejudicial caso aconteça algo.

Fontes

Associação Portuguesa de Seguradores: Simulador do Custo de Reconstrução de Imóveis.
Instituto de Seguros de Portugal: Brochura sobre Seguros de Habitação.

Veja também