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Teresa Campos
Teresa Campos
25 Mar, 2020 - 10:51

COVID-19 e as alergias de primavera: perceba a relação entre ambas

Teresa Campos

Hoje, é Dia Mundial da Alergia, uma iniciativa da OMS e da Organização Mundial da Alergia. Saiba mais sobre a COVID-19 e as alergias de primavera.

diferenças entre a covid19 e as alergias da primavera

Hoje, é Dia Mundial da Alergia, o qual tem como objetivo sensibilizar a população para a importância de diagnosticar e tratar adequadamente as patologias alérgicas. Como não podia deixar de ser, este ano o tema é a COVID-19 e as alergias. Perceber as diferenças entre a COVID-19 e as alergias de primavera, assim como entender de que forma as alergias podem agravar um quadro clínico de COVID-19, são as principais finalidades desta iniciativa mundial.

Além disso, é também importante conseguir perceber a diferença entre este novo vírus e aqueles que já conhecemos há mais tempo e que provocam, nomeadamente, as gripes e constipações. Obviamente, que nem sempre pode ser fácil fazer estas distinções. Porém, se estivermos atentos a alguns aspetos, talvez consigamos distinguir bem os sintomas da COVID-19 e as alergias da primavera.

Dia Mundial da Alergia

A relação entre a COVID-19 e as alergias tem sido muito analisada, não só por haver sintomas comuns entre ambas as patologias, mas também por algumas alergias poderem representar um fator de agravamento da COVID-19.

Neste sentido, a Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica (SPAIC) tem vindo a publicar um conjunto de recomendações, dirigidas a doentes e a prestadores de cuidados de saúde, sobre a relação entre as várias doenças alérgicas e a COVID-19.

Segundo Pedro Martins, vice-presidente da SPAIC, em Portugal, estima-se que a doença alérgica afete cerca de 1/3 da população: 30% da população tem queixas de rinite; 18% tem queixas de conjuntivite; 6.7% sofre de asma; e cerca de 5% reportam alergia alimentar.

A maior parte das alergias identificadas está relacionada com os ácaros do pó doméstico, com os pólenes de gramíneas, parietária e oliveira e com os epitélios do cão e do gato.

De acordo com a SPAIC, para diagnosticar este problema de saúde, é importante consultar um médico imunoalergologista e atentar na duração dos sintomas de alergia, nos seus fatores desencadeantes e nos seus fatores de alívio.

COVID-19 e as alergias de primavera. Saiba distingui-los

Antes dos sintomas, compreendamos a origem de todos estes problemas de saúde. A gripe, a constipação e a COVID-19 são causados por microorganismos, isto é, vírus. Já as chamadas “alergias” são uma reação exagerada do nosso sistema imunitário a partículas estranhas. No caso das ditas “alergias de primavera”, normalmente elas tratam-se de alergias respiratórias e provocadas por ácaros ou pólens, que são libertados em grande quantidade nesta estação do ano.

estar gripado

É neste último aspeto que reside, talvez, a grande diferença entre a COVID-19 e as alergias de primavera. É que, por norma, o novo coronavírus não provoca congestão nasal, como acontece com as alergias. Por outro lado, as alergias também não costumam provocar dores no corpo ou febre, como acontece com a COVID-19.

Sintomas mais caraterísticos de cada patologia

Constipação

  • comichão nos olhos;
  • nariz entupido;
  • espirros.

Gripe

  • febre;
  • fadiga;
  • dor no corpo;
  • tosse.

COVID-19

  • febre;
  • fadiga;
  • dor no corpo;
  • tosse seca;
  • falta de ar;
  • exposição ou contacto com uma pessoa infetada.

Alergias de primavera

  • corrimento nasal, obstrução nasal e/ou prurido nasal;
  • espirros;
  • tosse, pieira, sensação de falta de ar e aperto torácico;
  • olhos vermelhos, lacrimejo e prurido ocular;
  • pele muito seca, descamativa, com muito prurido, com lesões avermelhadas e exsudativas nas fases de  agravamento;
  • queixas respiratórias ou cutâneas associadas à ingestão de alguns alimentos ou medicamentos.

Tosse seca: o sintoma comum

A tosse seca parece ser o sintoma comum entre a COVID-19 e as alergias de primavera. Porém, de acordo com os especialistas, há forma de distinguir um caso do outro.

É certo que, mesmo que esteja isolado em casa e não tenha jardim nem zona exterior, os pólens caraterísticos desta estação são capazes de entrar até por uma janela entreaberta. Assim, as reações alérgicas são perfeitamente possíveis de surgirem.

homem a tossir
Mulher com ataque de tosse
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Sem entrar em pânico, mas também sem desvalorizar, é importante analisar bem os sintomas que, eventualmente, manifeste. De acordo com o Presidente da Sociedade Portuguesa de Pneumologia, a tosse seca, por si só, não é suficiente para se diagnosticar uma infeção pelo novo coronavírus.

Porém, é verdade que há casos onde é este o único sintoma que os doentes com COVID-19 apresentam. Segundo os dados dos Boletins Epidemiológicos, a tosse tem-se apresentado como o sintoma mais prevalente nos casos de COVID-19, seguido da febre e das dores musculares e de cabeça.

Assim, ainda segundo o Presidente da Sociedade Portuguesa de Pneumologia, uma forma mais fácil de distinguir a tosse causada pelo novo coronavírus da alérgica é ter em conta o historial clínico do indivíduo. Provavelmente, quem sofre de alergias já as teve no passado e, por isso, sabe avaliar se os sintomas que sente são ou não compatíveis com aquilo que costuma experimentar todos os anos, por volta destes meses.

Caso a tosse seja motivada por uma reação alérgica, então o tratamento deve ser feito como habitualmente, ou seja, recorrendo a anti-histamínicos. Porém, o Presidente da Sociedade Portuguesa de Pneumologia sublinha que, se associadas à tosse houver lugar a febre ou a dores no corpo, então é possível estar perante um quadro de COVID-19 que deve ser, de imediato, comunicado à linha de saúde 24 (808 242 24 24).

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