Catarina Milheiro
Catarina Milheiro
11 Out, 2022 - 10:21

Demissão passiva: uma tendência de emprego que parece ser tabu

Catarina Milheiro

A demissão passiva é o movimento que está a revolucionar a cultura de trabalho. Saiba o que é e em que consiste.

demissão passiva

São já vários os escritórios onde quer os trabalhadores, como os chefes já sussurram sobre a demissão passiva. Teve início no Tik Tok e atualmente é um tabu dentro das empresas em geral.

Também conhecida por “quiet quitting”, a demissão passiva é a nova e discreta tendência do mercado de trabalho. E se há quem a interprete como “não fazer mais do que aquilo para que lhe pagam”, outros afirmam que esta é uma salvaguarda para a sua saúde mental.

A verdade é que a pandemia de COVID-19 não interrompeu apenas a vida das pessoas com todas as restrições e bloqueios no trabalho. De facto, também fez com que muitos profissionais repensassem nas suas escolhas de carreira.

No fundo, o que tem vindo a acontecer é o facto de que as pessoas não estão apenas a demitirem-se dos seus cargos, mas também a limitar as suas cargas de trabalho. E por esse mesmo motivo, a demissão passiva tornou-se na última palavra da moda no mercado de trabalho.

O que é a demissão passiva?

A demissão passiva ou “quiet quitting” não significa que um profissional deixou o seu emprego. Na verdade, ele apenas limitou as suas tarefas às que fazem parte da sua função e descrição do trabalho que desempenha diariamente, para evitar trabalhar mais horas.

Os profissionais que aderem a esta nova tendência pretendem fazer o mínimo necessário para realizar o trabalho e estabelecer limites bastante claros para que consigam melhorar o equilíbrio entre a vida profissional e pessoal.

Assim, estes profissionais cumprem todas as suas obrigações no trabalho. Contudo, não adotam a cultura de que “o trabalho é vida” para orientarem a sua carreira e destacarem-se dos seus superiores.

Limitam-se a seguir o que está na descrição da sua função e quando vão para casa, no final do dia, colocam o trabalho para trás para se concentrarem nas tarefas e atividades que não estão relacionadas com o trabalho.

empenho no trabalho

A demissão passiva pode ser um sinal de que o profissional não se sente concretizado?

A demissão passiva pode efetivamente ser um sinal de que um trabalhador não está feliz na posição em que está ou de que está a sofrer de burnout.

Por muito que se fale de esgotamento profissional e das melhores formas para lidar com este tipo de situação, a demissão silenciosa parece surgir como uma forma fácil de o profissional lidar com o burnout – aliviando o stresse de forma quase imediata.

Contudo, também pode significar que os trabalhadores estão prontos para mudarem de posição ou até procurarem um novo emprego. Tudo depende das motivações de cada um.

Se estivermos perante alguém que está insatisfeito com a falta de oportunidades de crescimento na empresa, com o baixo salário ou com a sensação de desrespeito, é provável que esta pessoa comece a optar por aderir à tendência.

Algumas características da demissão passiva

Provavelmente deve estar a questionar-se sobre de que forma é, então, possível detetar alguém que esteja a optar por esta nova tendência.

Relativamente aos sinais e características da demissão passiva, elas podem assumir várias formas dependendo das razões do profissional para querer voltar ao trabalho.

Repare: quando um trabalhador está realmente insatisfeito, os sinais são muito mais percetíveis do que alguém com o simples objetivo de querer um melhor equilíbrio entre a vida profissional e pessoal. Atente nas características:

  • Redução da produtividade;
  • Não comparecer às reuniões;
  • Chegar atrasado ou sair mais cedo;
  • Falta de entusiasmo;
  • Não participar nos planeamentos ou reuniões de equipa;
  • Não contribuir tanto para os projetos.

Como evitar esta situação?

Para os trabalhadores

Para que os trabalhadores consigam evitar esta situação, é necessário que numa primeira fase reflitam muito bem sobre o trabalho que desempenham, as tarefas que têm na empresa, as condições e sobretudo que pensem nos objetivos que têm delineados para si próprios.

Se pensarmos bem, em muitas empresas não há que ter esta necessidade e chegar ao ponto de darmos apenas o mínimo por sentirmos que algo não está bem – seja no local de trabalho ou com a nossa saúde mental.

Por isso, o ideal é sempre optar por conversar com os superiores a fim de perceber que mudanças podem ou não ser feitas para que se volte a sentir devidamente motivado no trabalho.

Caso o profissional repare que não há espaço para o diálogo ou negociações, o melhor mesmo é começar a procurar outro emprego com calma e sem que isso o afete no ambiente de trabalho atual.

Relativamente aos empregadores

Quanto aos empregadores, a melhor maneira para evitar a falta de motivação do trabalhador é melhorando a sua experiência. Ou seja, conversar com os profissionais, reunir comentários e discutir o que pode ser alterado para que se sintam valorizados é o ideal a fazer.

Além disso, é crucial que se certifique se as cargas horárias são realistas e que existem limites para manter um equilíbrio entre a vida profissional e pessoal.

No fundo, o objetivo é estabelecer uma relação saudável, aberta e honesta com os trabalhadores para que seja possível haver um diálogo onde os pontos fracos consigam ser transformados.

Outro aspeto importante é o facto de os empregadores deverem ajudar os profissionais a gerir o stresse e certificarem-se de colocar a saúde mental como prioridade em qualquer situação. Uma boa forma para o fazer é através da implementação de check-ins regulares e informais.

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