Catarina Milheiro
Catarina Milheiro
04 Out, 2022 - 09:50

6 mitos sobre a vocação profissional: o que deve saber sobre o mercado de trabalho

Catarina Milheiro

A vocação profissional é muitas vezes encarada como uma revelação do caminho profissional a seguir. Mas pode ser trabalhada e desenvolvida. Não concorda?

coworking

Quando o assunto é o desenvolvimento da carreira, há ainda alguns mitos sobre a vocação profissional que precisam de ser desvendados. Afinal, o conceito implica unir uma profissão às competências de cada um, mas esta nem sempre é clara para todos.

Há quem a considere um chamamento e a espere a qualquer momento. No entanto, para a maioria das pessoas, precisa de ser trabalhada e desenvolvida através de orientação profissional, por exemplo.

Nem sempre estar preparado para exercer uma profissão depende da vocação e nem sempre a vocação por si só garante o sucesso profissional – porque qualquer profissão requer empenho e trabalho.

Além destas noções, existem ideias erradas sobre a vocação profissional que lhe podem atrapalhar a vida. Fique a conhecer as principais.

Mitos sobre a vocação profissional: os 6 mais comuns

mulher com ar pensativo a procurar informações no tablet
1

Esperar que a vocação profissional se revele

Descobrir a vocação profissional é um grande dilema, mas não faz sentido esperar eternamente pela epifania.

Na altura da decisão é natural surgirem incertezas, dúvidas e inseguranças. O autoconhecimento, o interesse por determinadas atividades e perspetivas de futuro podem fornecer pistas úteis para descobrir o que gostaria de fazer profissionalmente.

Não é de todo anormal pensar que deve esperar que a sua vocação profissional se revele. Até porque este mito perdura há vários anos provavelmente devido ao enorme leque de cursos e workshops, bem como discursos aspiracionais que ouvimos diariamente em podcasts e na internet.

Mas a verdade é que independentemente disso, o importante é saber que a vocação não surge da noite para o dia. Por vezes é algo que se vai desenvolvendo com o tempo, experiência e trabalho. Por isso, nada melhor do que ir colocando as mãos na massa para descobrir o seu rumo.

2

Sentir que deve dar continuidade ao negócio de família

Um dos maiores mitos é sentir que independentemente da sua área de formação o ideal e o mais seguro é seguir sempre no negócio de família (quando se aplica).

Estamos certos de que os negócios de família são extremamente importantes, até mesmo para os nossos valores. Mas isso não significa que tenhamos que nos identificar a nível profissional com eles e com os nossos familiares.

Muitas vezes, ainda estamos a terminar os estudos e já ouvimos “Se alguma coisa não correr bem, deves iniciar o teu percurso na empresa dos teus pais”. E a verdade é que parece existir alguma pressão da sociedade neste sentido também em grande parte devido à falta de empregos com boas condições.

De facto, a família é sem dúvida importante em todos os sentidos. No entanto, se optarmos por seguir uma carreira com a qual não nos identificamos minimamente, seremos infelizes, desanimados e sem foco.

Lembre-se: por vezes mais vale optar por um emprego com um salário um pouco mais baixo e fazermos algo que realmente gostamos, do que nos deixarmos reger por aquilo que nos impõem.

3

Só há uma profissão certa para cada um

Não é verdade. Mais do que profissões, existem competências e áreas que podem resultar nas mais diversas atividades.

Por exemplo: é bom a comunicar? Então, publicidade, recursos humanos, marketing e vendas são áreas a apostar. E dentro de cada uma destas áreas há diversas funções que pode assumir.

Tirar um curso numa determinada área não significa que só irá ser bom a fazer a mesma coisa a vida toda. Aliás, num determinado momento da sua vida pode até pensar em fazer uma reconversão de carreira.

Imagine que assume funções como gestor de redes sociais numa empresa e que ao longo dos anos tem vindo a apostar em formações ou cursos de design de interiores. A qualquer momento pode aproveitar as skills que reuniu e arriscar uma nova carreira, totalmente diferente.

4

Deve seguir uma profissão mesmo que não se goste

Já lhe disseram: “mesmo que não te identifiques com uma profissão, com esforço e dedicação podes ser tão bem sucedido e feliz como qualquer outro profissional?”. Se sim, saiba que está errado.

Não há nada pior na vida do que fazermos todos os dias alguma coisa de que não gostamos e com a qual não nos sentimos completos, realizados e felizes. Isso só nos fará sentir desanimados, tristes e constantemente à procura de algo que nos preencha essa grande lacuna.

Atualmente, este é um dos mitos mais comuns sobre a vocação profissional talvez porque o mercado de trabalho está em constante mudança e se até há uns anos era mais fácil encontrar um bom emprego numa área que gostasse e com um bom salário, hoje em dia as coisas estão diferentes.

E, para muitos, torna-se numa obrigação trabalhar numa área com a qual não se identificam, mas que até têm alguns conhecimentos porque não arranjam as mesmas condições na área para a qual se formaram.

Ter uma habilidade natural para uma determinada atividade é uma coisa, gostar de a fazer é outra.

5

É possível ser bom em todas as competências e fazer tudo

Somos todos diferentes uns dos outros e, por isso mesmo, as nossas aptidões e habilidades também. Se tem esta ideia na cabeça de que pode ser bom em todas as competências requeridas pelas empresas, engane-se: é humanamente impossível.

Até podemos ter conhecimentos sobre várias áreas, tecnologias ou skills bastante aprimoradas. No entanto, aquilo que nos acrescenta valor enquanto profissionais é o facto de nos destacarmos em algumas competências e sermos capazes de através delas, trazermos resultados.

É importante termos um leque de conhecimentos alargado, mas isso não significa que sejamos efetivamente bons em tudo e que tenhamos todas as competências reunidas para desempenharmos cargos para os quais não vamos estar capacitados.

6

Existem pessoas sem vocação

Todos temos vocação para alguma coisa, a diferença é que algumas vocações são mais lucrativas do que outras.

Mais uma vez, o importante é pensar bem no que gosta de fazer e a partir daí traçar o seu percurso profissional. E lembre-se: está sempre a tempo de aprender e seguir por um rumo diferente.

Na sociedade em que vivemos, parece existir uma linha do tempo que nos é imposta e através da qual nos devemos guiar. Mas a verdade é que o nosso percurso e a nossa carreira profissional só a nós nos diz respeito. Por isso não perca tempo com mitos e faça o que realmente o faz feliz.

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