Mónica Carvalho
Mónica Carvalho
19 Mar, 2019 - 01:40
Diferentes tipos de café no mundo: consegue distingui-los?

Diferentes tipos de café no mundo: consegue distingui-los?

Mónica Carvalho

Se não imagina o seu dia sem esta bebida, então prepare-se para o desafio: consegue distinguir os diferentes tipos de café no mundo?

O artigo continua após o anúncio

Há dezenas de diferentes tipos de cafés no mundo, e há também distintas formas de o preparar. Descubra algumas formas de dar corpo e servir esta bebida que está presente no começo do dia de boa parte das pessoas do mundo.

Sabe como se prepara o café pelo mundo?

café

Fonte: Max Pixel

Tudo começa com a qualidade dos grãos, que está dependente de fatores externos como temperatura e condições de cultivo. São estes os principais aspetos que vão definir o sabor do café e o que o levam a preferir um em detrimento do outro. Mas há outro fator tão importante quanto as características do grão e que podem interferir totalmente no sabor: a forma como o café é preparado. E isto é algo que difere mundo fora. Conheça, então, algumas das principais formas de preparar café.

Brasil

Além de um dos maiores produtores de café, o Brasil é igualmente um dos países que mais consome esta bebida. Em média, cada brasileiro consome 839 chávenas de café de 40ml por ano.

É inegável a importância do café na sociedade brasileira, sendo que foi um produto que foi evoluindo ao longo dos anos, havendo atualmente vários tipos e origens da bebida e várias formas de preparação.

A maioria dos brasileiros ainda opta pelo consumo de café torrado e moído. Todavia, esta tendência começa a alterar-se, principalmente junto do público mais jovem, que opta por consumir café em cápsulas e cafés em grãos torrados. Além disso, estes novos consumidores gostam de preparar as suas próprias bebidas em casa ou frequentam as coffeshops que vão proliferando nas grandes cidades.

Este novo consumidor brasileiro também gosta de novas formas de incorporar o café em diferentes bebidas, como o cold brew, a infusão do pó a frio, o que resulta numa bebida menos amarga que ressalta a doçura dos grãos e é servida gelada.

Costa Rica

Os costa-riquenhos são grandes fãs de café e cada pessoa consome, em média, 4 quilos por ano, de acordo com o Instituto do Café da Costa Rica.

O artigo continua após o anúncio

Desde o final do século XX, o café expresso tem sido uma forma cada vez mais dominante de consumo. Além disso, a predominância desta bebida no país tem sido associada a benefícios para a saúde e socialização, bem como enquanto elemento que contribui para a socialização.

Na Costa Rica, o café é assumido como “modelador” da cultura nacional. E se antes bastava um simples expresso para satisfazer o gosto de cada um, o cenário tem-se vindo a alterar devido à geração dos millennials, que começam a privilegiar produtos premium, mesmo que tenham de pagar mais por isso.

Estados Unidos

Com o início da Primeira Guerra Mundial, o consumo de café disparou devido à sua função estimuladora, o que permitia aos soldados manter a consciência e motivação no campo de batalha. E foi precisamente no período pós-guerra que o café instantâneo começou a ser introduzido no mercado, algo que até hoje permanece popular.

Tudo isto foi impulsionado pela quantidade de lojas Starbucks existentes em todos os Estados, sendo que a primeira abriu em Seattle em 1971. A lógica de beber café mudou. Não é algo que se faça em grupo ou que funcione como meio de socialização até porque os americanos são grandes fãs do “to go”, ou seja, do café em copos de papel que são facilmente transportáveis.

Mas é um tipo de café muito diferente, quando comparado com o que por exemplo bebemos em Portugal. É mais fraco, mais aguado, parecendo antes um chá feito a partir de grãos de café. Não é por isso de estranhar, que as doses sejam cada vez maiores.

Além disso, os americanos gostam de adicionar vários ingredientes ao café, nomeadamente leite, soja, cacau, canela, gengibre, abóbora e amêndoas.

França

A França não planta nem produz café, dado que as condições climáticas não são favoráveis para o desenvolvimento dos grãos, mas é um grande consumidor, nomeadamente de misturas de diferentes grãos de café.

Por isso, são frequentes os cafés e as esplanadas espalhadas pelas ruas, principalmente de Paris, e que revelam a forma como os franceses interpretam esta bebida: uma troca de conhecimento entre pessoas.

O artigo continua após o anúncio

As bebidas mais típicas são:

  • Allongé: o mais parecido com o café americano, um tipo de café mais fraco, diluído em mais água;
  • Café Viennois: café expresso tipo americano ao qual é adicionado creme de leite com algum ingrediente extra que pode ser chocolate ralado ou canela;
  • Cappuccino: café italiano tradicional, que mistura café expresso e leite vaporizado em proporções iguais;
  • Noisette: o típico café expresso com um pouco de espuma de leite por cima;
  • Serré: o café mais forte que vai encontrar no país.

Já no ambiente mais caseiro, a French Press é algo muito utilizado em França. Trata-se de uma cafeteira manual, que possibilita a infusão direta para o café encorpado.

Itália

Os italianos são grandes apreciados de café e a base de tudo é um café forte, semelhante ao expresso bebido em Portugal.

Mas há muitas outras variâncias igualmente apreciadas.

  • Americano: um café mais fraco;
  • Caffé Corretto: café com algum tipo de bebida alcoólica, normalmente bebido após a refeição;
  • Caffè Doppio: café expresso duplo;
  • Caffè e Latte: o típico café com leite;
  • Cappuccino: café expresso com espuma de leite;
  • Latte Macchiato: uma chávena de leite, com um pouco de café;
  • Lungo: a mesma quantidade de pó de um expresso, mas numa chávena maior;
  • Macchiato: é o café expresso com um pouco de leite. A partir daqui são preparadas outras bebidas, como macchiato caldo (quente) ou macchiato freddo (frio) ou macchiato freddo con latte scremato (com leite desnatado);
  • Mocaccino: um cappuccino com um pouco de chocolate quente;
  • Ristretto: café denso, com sabor forte, mas com menos cafeína.

Portugal

No nosso país, beber café é muito mais do que desfrutar de uma simples bebida. É o ato que serve de base a momentos de confraternização e socialização, estando, assim, profundamente enraizado na forma como lidamos com os outros.

Os tipos de café mais consumidos são:

  • Abatanado: uma dose de café servida em chávena grande;
  • Café duplo: duas doses de café servidas numa chávena grande;
  • Café expresso, que pode ser curto, cheio, em chávena fria ou em chávena escaldada;
  • Café pingado: café expresso com uma gota de leite;
  • Carioca: aproveitamento do resto da dose de um café expresso;
  • Galão: um copo bem alto de leite quente com café;
  • Garoto/pingo: leite com café numa chávena pequena;
  • Meia de leite: leite com café numa chávena grande.

Conheça os principais produtores de café no mundo

café

Fonte: Max Pixel

É nestes países que encontramos os diferentes tipos de café no mundo que nos chegam até ao palato de diversas formas que não apenas uma simples chávena de café.

O artigo continua após o anúncio

1. Brasil

O Brasil é o maior produtor mundial de café e um dos mais apreciados. O que o distingue? O café brasileiro é conhecido pela textura cremosa e baixa acidez, além de possuir algumas notas de chocolate e caramelo.

O que também marca o típico café brasileiro, é a forma de preparar. O café brasileiro mais tradicional é feito coado num filtro de pano ou papel. Por cá, chamamos de café de saco, sim, aquele que encontramos no Café A Brasileira, mais fraco do que o nosso, mas não menos saboroso. O uso de garrafas térmicas também é muito comum no Brasil para armazenar o café ao longo da manhã, às vezes, até mesmo já adoçado.

2. Colômbia

O café da Colômbia é tão característico pelas temperaturas tropicais e altas altitudes dos locais onde é produzido. O que leva a que o resultado seja uma bebida com baixo a médio teor de acidez e corpo, com um ligeiro travo a nozes.

Na Colômbia, o modo mais comum de preparar o café é colocar o pó do café na água fervida, e depois espera-se o pó do café descer. O café não é coado e é bem fraco do que aquilo que estamos habituados por cá.

3. Costa Rica

café coado costa rica

A Costa Rica produz apenas grãos processados, ou lavados, húmidos, o que significa que a fruta que cobre os grãos é removida antes dos grãos serem secos.

Como outros cafés da América Central, o café costa-riquenho tende a ter uma acidez acentuada, o suficiente para equilibrar sabores como mel ou nozes torradas, cujo objetivo é ter um café que não seja nem muito doce nem demasiado simples.

Habitualmente, o café na Costa Rica é coado com coadores de pano e as chávenas são servidas individualmente.

4. Etiópia

A Etiópia é a região de cultivo de café mais antiga do mundo. Fazendo um pouco jus à sua longa história, o café desta região tende a ser forte e encorpado, embora os sabores sejam diferentes de acordo com o processamento do grão.

Os grãos naturais do café etíope tendem a ser frutados, enquanto os grãos de café lavados tendem a ter um sabor mais floral e de chá, logo encontra-se aqui uma variedade de acordo com a região do país onde é produzida.

5. Guatemala

Embora talvez não seja um tipo de café tão conhecido como acontece com outros países da América Central e do Sul, o café da Guatemala tem uma qualidade de sabor bem distinta e rica.

No país, existem três principais regiões de cultivo: Antigua, Coban e Huehuetanango e cada uma delas, além de paisagens de incríveis, possuem microclimas próprios, que influenciam fortemente a qualidade e o sabor do café. Na generalidade, o café da Guatemala tem uma profundidade e complexidade quase picante ou de sabor achocolatado.

6. Havai

O Havai é um dos mais importantes produtores de café e de chá no mundo.

Os grãos da região de Kona, na Ilha Grande, são os que se destacam, por ser cultivado nas encostas dos vulcões Hualalai e Mauna Loa.
Este café é bastante popular graças ao seu acabamento amanteigado, aromas profundos e corpo médio.

7. Honduras

Os produtores hondurenhos destacam-se na área do café graças, em parte, à quantidade de área que em pouco excede a altura mínima exigida para a produção dos designados cafés especiais.

Sendo um país relativamente pobre e com produtores de café de pequenas dimensões, não deixa de ser curioso que a produção desta bebida em muito tem ajudado a economia das Honduras a crescer imensamente nos últimos 25 anos. Quanto ao sabor, esse parece um mistério de tanto distinto que sabe: seja a uvas passas brancas, seja a groselha e avelã.

8. Índia

O café produzido na Índia tende a ser mais doce e menos ácido do que o café produzido na América Central ou em África, razão pela qual não nutre grande sucesso nessas regiões do planeta.

Todavia, os europeus são grandes fãs deste tipo de café mais leve e subtil.

9. Indonésia

Os cafés indonésios compõem um dos perfis de café mais interessantes de todo o mundo e reúnem um núcleo duro de fãs e defensores, pelas suas qualidades esfumaçadas e terrosas e até ligeiramente picantes. São cafés que tendem a ter menos brilho e acidez e são geralmente servidos bem torrados.

O tipo de café indonésio mais famoso é o Kopi Luwak, feito com grãos que foram comidos e depois excretados inteiros pelo almíscar de palmeira asiático, um animal que se assemelha a um castor. Parece ser mesmo este o segredo do sucesso de um café de sabor incomparável.

10. Jamaica

O café Jamaican Blue Mountain é um dos tipos de cafés especiais mais cobiçados e apreciados em todo o mundo, já que precisa de ser certificado pelo governo da Jamaica antes de ser vendido como tal.

As exportações são altamente regulamentadas, mas vale a pena. Dado que o produto final deste café produzido a elevada altitude tem um sabor suave e delicado.

11. Quénia

O café queniano destaca-se pelos sabores de bagas e groselhas, o que deixa uma sensação de adormecimento e formigueiro nos lábios, como se tivéssemos sido algo de um feitiço que nos deixa a pedir mais café.

A maior parte do café do Quénia não é cultivado à sombra, mas sim ao sol, o que é um dos muitos fatores que contribuem para a sua acidez característica.

12. Vietname

Relativamente novo no mercado do comércio internacional de café, o Vietname rapidamente se tornou num dos maiores produtores mundiais.

Os grãos robustos podem ter até o dobro da cafeína de outros tipos de cafés, o que lhe confere um sabor mais amargo e que pode não ser tão apelativo.

O café é produzido em vários outros países, responsáveis por bebidas de eleição. Cuba, El Salvador, Angola, Costa do Marfim,  Peru ou Timor Leste são apenas algumas das proveniências de alguns dos melhores cafés do mundo. Tome uma chávena, uma caneca ou um copo, mas antes consulte estas linhas para saber o que está a beber. É que também há muito café que… enfim.

Veja também:

Partilhar Tweet Pin E-mail WhatsApp