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Mónica Carvalho
Mónica Carvalho
24 Jul, 2019 - 14:32

Amazónia, a viagem que deve fazer uma vez na vida

Mónica Carvalho

A Amazónia deve o nome às guerreiras da mitologia grega, mas continua um segredo bem guardado. A monumental floresta sul-americana espera por si

Amazónia, a viagem que deve fazer uma vez na vida

Parece um destino inventado por um qualquer realizador de Hollywood, mas é bem real e muito mais surpreendente do que pode imaginar. A Amazónia é quase mítica, um lugar selvagem, que reserva exemplos de vida e os protege de tudo e de todos. Ali, o Homem não é mais do que um simples convidado. Pode entrar, mas as regras, essas, dita-as a floresta.

Árvores, vida selvagem (a que conhecemos e a que não se quer dar a conhecer) e o rio que lhe serve de acesso e pano de fundo são apenas alguns dos detalhes que compõe a complexa Amazónia.

A região, dominada pelo clima equatorial com chuvas constantes, permitiu o desenvolvimento natural da maior floresta virgem do mundo. É formada pela bacia hidrográfica do rio Amazonas que se estende desde a cordilheira dos Andes até ao Oceano Atlântico, num total de 3700 quilómetros, num leito cuja largura varia entre os 30 e os 50 km, dependendo de estarmos ou não em época das cheias.

Onde fica a Amazónia?

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A Amazónia é uma floresta tropical húmida facilmente associada ao Brasil, por ser o país onde se localiza a maior parte. E isto é uma meia verdade, dado que que se estende por mais países da América do Sul, nomeadamente Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana, Peru e Venezuela.

O Amazonas é o maior estado do Brasil, com quase 1,6 milhões de quilómetros quadrados e aquele onde se localiza esta incrível floresta. É aqui que os rios Solimões, Negro e Madeira convergem para formar o Rio Amazonas, mais propriamente em Manaus, o local onde tudo começa.

Zona de biodiversidade excecional

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Esta vasta região da América do Sul assume o seu papel de “pulmão do mundo” devido à abundância da floresta equatorial e na qual se distinguem três diferentes tipos de ecossistemas: igapó, várzea e terra firme.  E tal não acontece por acaso, dado que é a região do mundo de maior importância para o equilíbrio ambiental do planeta, pois a quantidade de oxigénio produzida é como em nenhum outro local.

Dessa forma, a destruição da floresta da Amazónia é o problema ambiental mais importante desta região e têm sido ouvidos gritos de alerta por todo o mundo. É necessário proteger este recurso valioso sem igual. Afinal, estima-se que, anualmente, estejam a ser destruídos cerca de oito milhões de quilómetros de floresta.

A vida animal e vegetal na Amazónia vai muito além da nossa compreensão, com uma diversidade inigualável. Será que tem ideia de quantas espécies ali coabitam? Nós ajudamos.

  • 40 mil espécies vegetais;
  • 427 espécies de mamíferos;
  • 1.294 espécies de aves;
  • 378 espécies de répteis;
  • 427 espécies de anfíbios;
  • Mais de 3.000 espécies de peixes;
  • Mais de 128.840 espécies de invertebrados.

A temperatura na Amazónia oscila entre os 20º e os 30º e a precipitação anual é no mínimo de 200 centímetros por metro quadrado.

Os povos indígenas da Amazónia

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A floresta é ainda, na sua maior parte, virgem, e nela habitam povos isolados e muitos dos quais correm o risco de desaparecer devido a doenças e à perda das suas terras.

Tal acontece porque madeireiros ilegais e fazendeiros sem escrúpulos invadem a floresta e, além da destruição, levam também doenças, muitas delas fatais para estes povos que não têm contacto com o mundo exterior. Como tal, são totalmente permeáveis a qualquer doença ou vírus.

A situação é tão grave que se prevê a extinção de metade de uma tribo no período máximo de um ano após o primeiro contato, em decorrência de doenças como o sarampo e a gripe, comuns em qualquer parte do mundo, mas bem perigosas para estes povos.

Esta questão é tanto mais grave se pensarmos que é na floresta da Amazónia que reside o maior número de povos indígenas isolados do mundo. Segundo a Fundação Nacional do Índio (FUNAI) serão, pelo menos, menos 100 grupos de indígenas isolados só na parte brasileira da floresta.

Ao longo dos anos foram sido feitas tentativas, porém totalmente sem sucesso.

Experiências imperdíveis na Amazónia

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Reserva de Desenvolvimento Sustentável de Mamirauá, Rio Negro

A notável Reserva Mamirauá tem uma parte de floresta tropical intocada, vida animal abundante e acesso fácil. Localiza-se a apenas uma hora e meia de barco de Tefé e possui alojamento na reserva, o que lhe dá a possibilidade de desfrutar do ecoturismo da Amazónia.

Lago Maicá, Santarém

As excursões ao Lago Maicá são das mais gratificantes da Amazónia. É o local onde pode testemunhar em primeira mão milhares de aves diferentes, como tucanos e araras, golfinhos cor-de-rosa, macacos bugios, preguiças e as tão famosas anacondas, cobras de grande calibre e que impõem respeito.

Apesar de toda esta vida selvagem, que exige bastante respeito, as vistas do nascer e do pôr do sol são pura magia e esse momento transmite uma verdadeira sensação de paz e tranquilidade.

Jardim Botânico Adolpho Ducke, Manaus

Este jardim prolonga-se por mais de 100 quilómetros quadrados, possui cinco trilhas curtas (de acesso gratuito, mas obriga à aquisição de um bilhete) e um museu a céu aberto. Neste último poderá ver exposições rotativas da flora e da fauna amazónicas e subir a uma torre de observação de 42 metros de altura.

Parque Estadual da Serra do Aracá, Barcelos

Este parque estadual foi estabelecido em 1990 para preservar as quedas de água esculpidas pelo Rio Aracá, mas apenas recentemente foi oficialmente medida e certificada. E disso resultou o seguinte: a “Cachoeira do El Dorado” é a maior queda de água do Brasil, mergulha por uns estonteantes 353 metros sobre um penhasco de arenito.

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Encontro das Águas, Manaus

Quando o escuro e quente Rio Negro se cruza com o cremoso Rio Solimões dá-se um cenário de grande beleza.
Devido a diferenças de temperatura, velocidade e densidade, as águas de ambos os rios não se misturam, antes fluem lado a lado durante vários quilómetros. O fenómeno bicolor é relativamente comum na Amazónia, mas neste Encontro das Águas é especialmente dramático.

Amazónia: como ir e dicas úteis

O ponto de partida para visitar a Amazónia, será sempre a cidade de Manaus, a maior da região e que cresceu muito em torno da exploração do ouro e da borracha, mas que já tem no turismo uma das principais fontes de receita. Há voos a partir de Portugal (Lisboa e Porto) em companhias como a TAP, a KLM ou a Air France. Nem todos os voos são diretos, o que atira a duração da viagem para perto das trinta horas. Num voo direto, o tempo médio de viagem é de 12h15m.

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O viajante que vai para a Amazónia, é aconselhado a estar vacinado contra a febre amarela, as hepatites A e B e o tétano. É importante também levar repelente para os insectos, roupas leves e calçado confortável. As propostas de alojamento são vastas e de diferente qualidade. Os preços não estão muito fora do tradicional em zonas turísticas no Brasil, mas pode sempre encontrar bons negócios ns plataformas de alojamento local.

Como pode constatar, a Amazónia é um dos destinos a incluir na sua wishlist de viagens. Nada do que possa ler o irá preparar para o espetáculo natural que é este local.

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