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Catarina Reis
Catarina Reis
07 Jul, 2022 - 14:00

A digitalização do trabalho: uma revolução inesperada ou nem por isso?

Catarina Reis

A digitalização do trabalho já vinha sendo anunciada há bastante tempo como uma transição natural dos paradigmas laborais.

equipa em reunião online a provar a possibilidade da digitalização do trabalho

Ninguém imaginava que esta transição e digitalização do trabalho pudesse ser alvo de uma aceleração tão grande em termos da sua implementação por parte das empresas de todo o mundo.

Como se sabe, a pandemia causada pela COVID-19 forçou várias mudanças de paradigma na nossa sociedade, abalando os alicerces de muitas áreas, como é o caso da saúde, do ensino, ou do trabalho.

Resta saber neste momento se tais mudanças operadas por exemplo a nível do teletrabalho serão temporárias ou se serão implementadas permanentemente.

A digitalização do trabalho acelerou com a pandemia

mulher teletrabalho

O que é a digitalização do trabalho?

A digitalização do trabalho é tida como uma consequência natural dos avanços tecnológicos. Falar em digitalização do trabalho não significa apenas falar de teletrabalho (esse é apenas uma pequena fração desse universo), mas sim de um processo de transição e integração do trabalho para o mundo digital. 

Falar em digitalização do trabalho implica falar da implementação da Inteligência Artificial nas empresas, bem como da automatização robótica, a título de exemplos.

Isto, inevitavelmente, deverá traduzir-se numa mudança estrutural profunda em milhões de empregos, abrindo novas perspectivas para que certas profissões deixem de existir. Contudo, isso não é necessariamente uma má notícia, uma vez que se prevê que muitas novas profissões possam emergir.

De que forma a pandemia acelerou o processo de digitalização do trabalho

Nos últimos dois anos, assistimos a muitas mudanças e transições laborais que encaixam perfeitamente na noção de digitalização do trabalho.

Naturalmente, as empresas que se movem nas áreas tecnológicas foram as primeiras a dar o exemplo. Nem todas as áreas de atividade são suscetíveis a essa mudança, mas a verdade é que muitas vezes a digitalização do trabalho poderá chegar a muitos tipos de empresas que julgávamos não serem elegíveis para transpor a sua atividade para o reino digital.

Exemplos: 

  • O teletrabalho: até há pouco tempo o teletrabalho parecia destinado a um número restrito de empresas visionárias, que poderiam dar-se ao luxo de colocar os seus funcionários a trabalhar remotamente. Em poucos meses, essa perceção generalizou-se.
    De entre os benefícios óbvios contam-se o corte significativo de despesas fixas e a poupança de recursos. Mas não só: a própria sustentabilidade do planeta agradece: as pessoas ao deslocarem-se menos vezes de casa para o emprego poluem muito menos.
  • A telescola: a pandemia levou a que se fechassem as escolas por tempo indeterminado. Pouca gente diria que seria possível adotar em poucas semanas uma transição do sistema de ensino tradicional, que como se sabe é 100% presencial, para algo como a telescola. A telescola consiste na transmissão de aulas através da televisão ou da internet, diretamente para casa dos alunos. O e-learning já existia, consistindo geralmente em aulas dadas através da internet. A telescola é uma espécie de democratização do e-learning.
  • Reuniões de trabalho online: programas como o Zoom, que permitem efetuar conferências entre um número ilimitado de pessoas, com uma qualidade fiável, através da internet, passaram de um momento para o outro a ser usados em quase todas as empresas. Mesmo em ramos de atividade cujas profissões não se coadunam à primeira vista com o mundo digital, como é o caso dos operários da construção civil, é possível usar-se estas ferramentas com resultados positivos.
  • E-Serviços: o distanciamento social decretado pelos Governos fez com que determinados serviços, como os de compras online e de entregas ao domicílio, explodissem. Desta forma muitos consumidores que possam ter demonstrado no passado alguma resistência a tentar este tipo de serviços, foram obrigados a aderir. Como consequência é agora muito provável que estes serviços se mantenham muito requisitados. Outra consequência para o mundo laboral é o crescimento da necessidade de mão de obra para preencher estes novos postos de trabalho.
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